sábado, 25 de julho de 2015

PERDEU? DÁ O PLAY, BOY!

ÔSheuJoão (um Osho duro de roer)
Hoje, não sei por que, me deu de pensar na perda. Não na perda em si, mas em como vivenciamos as perdas que temos ao longo da vida (e são tantas! E inevitáveis.).
Há momentos em que nos agarramos à perda, não deixamos mais que ela se vá. Ficamos tão envolvidos com ela, que não conseguimos pensar em outra coisa. E, assim, perdemos e re-perdemos cotidianamente. Não conseguimos vislumbrar a vida sem o que foi perdido. A todo o momento lembramos: onde estará? lembrará de mim? estará pensando em mim? o que estará fazendo? o que estará sentindo? será que está bem? não precisará de mim?
E vamos em frente, revivendo e tresvivendo o que perdemos, sem permitir que realmente vá embora, que cumpra o seu destino, que busque a sua jornada.
Não pensamos no que ficou da perda, no que restou, na porção viva da perda. Pensamos apenas no que morreu. E vivemos como quem morre um pouco a cada dia. Todos os dias. Pois não queremos esquecer o que foi perdido. Temos medo de perder, com o esquecimento, parte de nós mesmos. Por isso, trazemos para diante de nós a perda para que a possamos perder novamente, para que a possamos sentir, novamente - e novamente perdê-la.
No fim das contas, tiramo-nos as chances de reinventar a vida, a caminhada, de vivenciar o que restou. A vida é ampla demais para ficar contida no passado. Retirar de si, ou do outro, a chance de futuro, é uma grande maldade.
Perder não pode significar escravizar-se ao que se foi, ao que significou. Perder não pode ser um sacerdócio, um culto ao ido, uma promessa de fidelidade eterna ao que foi perdido - Ó, daqui para a frente, nunca mais abandonar-te-ei!
Não falo em não sentir, falo em não deixar-se ir junto com o que se foi. Ou deixar-se permanecer junto com o que se deixou. Ou levar para sempre, como presença onipresente, o que foi ou o que ficou.
Perder deve significar incorporar o que restou. Pois, como alguém já disse: "De tudo fica um pouco" (...). E, se fica, é porque, realmente, teve-se algo para perder.
Do contrário, nada foi perdido.

E há momentos, também, que NÓS não permitimos que nos percam. E ficamos a todo momento lembrando a quem nos perdeu: estou aqui, oi, tudo bem? vais vir? quando vens me rever? estou com saudade, vamos nos encontrar? posso ir aí? etc etc etc

Mas esta reflexão fica para uma outra conversa.

ÔSheuJoão

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