sábado, 25 de julho de 2015

ERA ASSIM - Um poema que escrevi em 1980!

ERA ASSIM

Um vento passa ventando uma ventania minuana.
- Não, não é o Minuano. Agora temos o Húngaro!
E o vento passa uivvvvvvvvvvannndo pelas ruas.
Porto Alegre treme.

Encarangados, os escritorianos pisoteiam calçadas e semelhantes.
Táxis,
Ônibus,
Lotações,
Carros...

Multiplicam-se sons tlec-tlec-tlequianos de dentes batendo.
- E os mendigos?
- Quens?
- Os mendigos!
- Ah, que se danem!

Cambalísticamente o sol penetra na muralha de fumaça
fortemente guardada por fábricas de todos os tipos e nações.

Madrigal,
              Mediterrâneo,
                         Gruta Azul,
                                    Star Club,
                                               Cabaret
Noites portenhas!

Gemidos...
              Beijos...
                         Mais! Mais!...
                                    Oh, God!...
                                               YES! YES! YES!...
- Quanto é?
- Quinze mil Cruzeiros a hora, fora o quarto.
- Quinze mil?! Bah, mas assim eu vou à falência!

Domingo:
O coreto na praça – não há mais.
Passeio no centro, à noite – não dá mais.

Segunda-Terça-Quarta-Quinta-Sexta-Sábado: Velozcidade!

Os olhos girangirando no círculo vicioso.
Oh, calor portoalegrinal!
Madamas balofofas balofocam balofocas balofas.

O motorista,
a copeira,
a cozinheira,
a camareira,
o mordomo
e o assassino
tomam café em silêncio.

Processos prolixos são flagrados espancando um dicionário:
- É a Lei!

Guaíba:
Proibido tomar banho.
                            Água poluída.
                                               Saída de Esgoto.
                                                          Cadáver a 500 metros.

Volta do Mercado:
              Olha a maçã! 50 cruzeirinhos!
              Olha a pera! 70 cruzeirinhos!
              Olha a uva! 40 cruzeirinhos!
              Olha a couve!
              Olha a laranja!
              Olha a alface!

E a gente, ali, olhando...

              Olha a Polícia!
A gente faz de conta que não viu nada.

E sai, de fininho, assoviando.

Autista Baptista

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