quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O POUCO QUE SEI DE TI - POESIA



O pouco que sei de ti
é o que sinto,
pois sequer te ouço.
A não ser a voz que escuto
quando vejo o revoar de pássaros
multicores que passam
fugidos do viveiro dos teus olhos,
toda a vez que levantas as pálpebras
e dois arco-íris estendem-se,
como por encanto,
sobre o jardim onde florescem
as solidões que planto.

O pouco que sei de ti
é o que sinto,
pois sequer te encosto.
A não ser os tropéis de potros selvagens
que pisoteiam os pêlos do meu corpo
toda vez que tua mão,
distraidamente, pousa em meu braço
e faz com que a magma que repousa
inquieta no meu peito
ecloda e espalhe-se por minhas veias,
misture-se ao meu sangue
e aqueça-me por inteiro.

O pouco que sei de ti,
é o que sinto.
O resto
.
.
.
                  é silêncio.

Pero Vás

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

POESIA - RELÍQUIA



A palavra que ia dizer-te
- que disse que estava presa
na garganta -
agora não poderás mais ouvir,
já que nem para escutar
o andaluz murmúrio do vento,
tua vida mais se levanta.


Terei de leva-la comigo,
para sempre,
no coração, como relíquia:
a palavra que aguardei para dizer-te:
quando estava mais feliz,
como quem canta
diante da iminência do encontro
que já nem no tempo mais se conta.


A palavra que guardei
e que respondia à tua pergunta:

o que sinto por ti


é Amor.

Pero Vás
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