quinta-feira, 4 de julho de 2013

DESINFARTO - POESIA


Desinfartei!
Disse-te não pela primeira vez.
E pela última palavra
que insististe em não dizer.
Bebo ébrio meu hemisfério
- o esquerdo -
- aquele que não sabes -
e aos tropeços chego à outra margem
- a direita -
mas com tudo dito:
de mim para ti.
Tudo escrito e cabido numa linha.
Tudo!
Do início ao fim.
Viste como era pouco?
Eu te disse tantas e tantas vezes
que era muito muito pouco
o que eu tinha
para te pedir.

Desinfartei!
Implodi as pinguelas de safena
que ligavam o teu principício ao meu.
Olhei teu chá e tuas luvas
sobre a mesa
- nem toquei -
só olhei a cena irretocável
e asséptica que me lembra
e suja a memória:
- aquelas luvas que usavas
quando precisavas tocar em mim -
- as luvas que arranhavam
o meu coração! -
Nem percebias a dor que me dava
o chá vagarosamente bebido
como amor sem açúcar!
- Teu ritual de solidão...

Desinfartei!
Saio de ti de mãos caladas
e vazias,
tal qual tua boca e as palavras
- poucas - que dizias.

Veste tua luva, toma teu chá:
te quero bem.
.
.
.
Coração forro!
Amor canino!

- Agora vai!

Pero Vás

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