sábado, 1 de junho de 2013

Diante do encantamento da flor imutável


Viver o presente, o Agora, o instante. Para alguns, natural arte; para outros, terrível esforço inalcançável. Sábios do oriente apregoam ser este o caminho para a suprema felicidade, única possibilidade para o encontro interior, para a Paz. Filósofos do ocidente esforçam-se em tratados intermináveis para provar ser esta a única maneira de o ser humano sentir-se inteiro, perceber-se "Todo".

Eu, de minha parte, não consigo entender-me sem uma causa. O Antes não desgruda, o Antes define o meu Agora, mesmo que neste meu Agora eu sequer esteja sentindo ou refletindo sobre o Antes. Porém, a consciência da sua ocorrência sempre me acompanha: todos os meus tempos estão em mim: Agora!

Entretanto, à margem do significado transcendente de "viver o Agora", há outras formas de experimentarmos tal vivência que, no mais das vezes, nem nos damos conta do quanto estamos imersos num "viver o Agora". E isso não quer dizer que tal experiência possa ser entendida, unicamente, como prazerosa: também pode ser uma terrível descoberta, um frustrante "dar-se conta".

Foi enquanto pensava sobre essas possibilidades inconscientes, que deparei-me com um conto, num livro da Marina Colasanti que estou lendo (Na água o tempo nada. in Contos de Amor Rasgados. p.191).

Do conto, extraio um trecho que ilustra o que quero dizer:

"(...) Mas chegou o momento em que (...), num súbito rasgar-se do seu conhecimento mais denso, compreendeu afinal. Nenhum futuro lhe estava destinado. Só o presente. E afundando em terror soube que o tempo por vir nunca viria, perdido que estava desde aquela primeira tarde quando, sem saber, o trocara pelo futuro alheio."

Pois, é. E Agora?

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