quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

INFINITO - POESIA



Já despetalei tuas ondas,
rasguei as rendas dos teus sonhos,
e agora? Que queres mais de mim?

O perfume do teu olhar de pedra
naufraga numa tempestade de silêncio,
banhado em azeite do tempo
e guarnecido por folhas de lábios azedos.
Que cinza pode ser mais cinza
que o cinza do esquecimento?
Esquecer os lençóis de maresia,
esquecer as picadas dos sonhos venenosos,
esquecer a chuva de estrelas
que encharcou de luz o chão ressecado
do breu onde nos metemos.

O cedo tornou-se tarde,
o breve, interminável,
e o infinito mostrou-se
surpreendentemente próximo.

Autista Baptista

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