segunda-feira, 5 de novembro de 2012

POESIA - DITIRAMBO DA ALTERIDADE


Gosto de pensar que
o que me mantém unido a ti é
justamente o que deveria nos afastar.
Gosto de pensar que
busco em ti somente o que me falta,
que minha autossuficiência não é suficiente
para me preencher a pauta
e que as lacunas em mim são gigantescas
e assustadoramente escuras e imperfeitas.

Gosto de pensar que
gosto de implodir pontes, como
qualquer pessoa normal, acreditando-se
que seja normalidade a alteridade do gosto.
Gosto de impedir partidas e chegadas,
de fechar saídas e entradas,
de atiçar tua contrariedade, pois
dela virá, tenho certeza, qualquer coisa
que alimenta e sacia a sede de verdade.

Gosto quando me acusas de querer
ser o dono da verdade - gosto de ser
o abastado dono de coisas que não existem -
do futuro, por exemplo.
Gosto de estar perto de ti e
ao mesmo tempo completamente longe,
não por incompreensão, ou distanciamento,
mas pelo prazer de me reconhecer,
de ti, tão diferente.

Gosto de ti e do que pensas, mas
gosto mais de mim.
Por isso, admiro o que fazes, mas
não tenho vontade de fazer assim.
Porque eu gosto de pensar que
o que me mantém unido a ti é
justamente o que deveria nos manter distantes.

Tudo o que é belo, é efêmero,
por isso gosto de pensar
na nossa efemeridade -
e no permanente estado enfermo
da nossa proximidade.
Fica aqui, Ó, oposto de mim,
que ainda tens muito do que acusar-me;
mas não há nada, em ti,
que possas opor ou recusar-me,
porque tudo que há em ti me sustenta,
tudo que há em ti me sacia:
tudo eu gosto, tudo eu lambo, tudo eu quero -
ditirambo do desespero.

Olha-me no olho e
Repete: “Tu
não és o dono da verdade!”
Repete: “Tu
não és o dono da verdade!”
Repete: “Tu
não és o dono da verdade!”
Repete: “Tu
não és o dono da verdade!”
Repete...

Eu gosto das almas circunferentes,
que dançam em círculos.
Eu gosto de ti, que és circunferência,
oposto concêntrico.
E Eu gosto de pensar, pois,
assim, provo para mim
que realmente existes.

Autista Baptista

sábado, 3 de novembro de 2012

POESIA - A LUTA












Yo no creo en los sueños, pero que los hay, los hay.”

A LUTA

As batalhas têm
durado
cada vez mais tempo,
provocado
cada vez mais baixas,
custado
cada vez mais esforços,
levado
cada vez mais sonhos.

As batalhas têm,
cada vez mais,
pelo tempo,        pelas baixas,        pelos esforços,    pelos sonhos,
parecido
com a guerra.

O que vem depois?

Pero Vás
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