sexta-feira, 28 de setembro de 2012

PARANÓIA NA PREFEITURA DE POA


A PROCEMPA, empresa encarregada de prover o acesso à internet para a Prefeitura de Porto Alegre, está em estado de paranóia. Não sei se a causa é a proximidade das eleições ou o quê, mas o acesso a qualquer meio de comunicação externa, com exceção do e-mail, está bloqueado: facebook, twitter, orkut (há milênios), youtube (desde de que o primeiro vídeo foi postado), MSN (desde que surgiu) e derivados, e agora  ............................................................................ GOOGLE DOCS!

Tchê, fala sério! Por que alguém em sã consciência bloquearia o acesso ao Google Docs?

Eu não consigo entender qual o motivo da iniciativa. E o melhor é que as coisas são feitas sem qualquer explicação, comunicado, justificativa, nada.

Já enfrentei problemas durante mais de um Festival de Inverno, quando os oficineiros que para cá vêm precisam ilustrar suas aulas com vídeos de trabalhos seus e esses vídeos estão no Youtube - o que é uma atitude normal e sensata: para quê gravar um vídeo num DVD ou CD ou pen-drive, pegar um avião, vir dos Estados Unidos para Porto Alegre, correndo o risco de o material ser danificado ou extraviado - o que inviabilizaria irremediavelmente o trabalho que vem fazer -, se se pode deixar o vídeo disponível no Youtube e acessar de qualquer lugar? A pergunta é pertinente - menos para os burocratas tacanhos e paranóicos que estão, atualmente, à frente da direção da PROCEMPA.

Cara, já passei cada vergonha! E como explicar para um estrangeiro essa extravagância? Nem os censores conseguem. Acho que poderiam mudar o nome para Prefeitura de Porto Irã Alegre! (Isso sem contar o fato de, também, não conseguir explicar como um prédio público não disponibiliza rede sem fio com acesso público. A única rede que tem é cabeada e só podem ser conectados à ela computadores registrados, que são reconhecidos na rede como terminais, ou como estações de trabalho - isso ainda dá para entender.)

Nós temos um blog do setor onde trabalho (sou funcionário público municipal) e resolvemos colocar um vídeo institucional. Como não é possível armazenar o vídeo nos servidores da PROCEMPA e rodar no blog, enviamos o vídeo para o Youtube. Sabe como? De casa. É, cara, de casa! Inacreditável!

Agora o vídeo está lá, bonitinho e tal, mas, nos computadores da Prefeitura, ele não pode ser visto! Beleza, né? Se o prefeito chegar no meu setor de trabalho e pedir para ver o nosso blog, dar "uma curtida" na nossa página, vai ver alguns textos, umas fotos e um monte de imagens de cadeados com os dizeres: acesso não autorizado! ha ha ha ha ha ha ha! E se ele tentar clicar duas vezes sobre o relógio na barra de ferramentas, para abrir o calendário, irá ler a mensagem:" você não tem privilégios suficientes para executar esta tarefa!" ha ha ha ha ha ha ha! E se, depois de tudo isso, ele pedir para eu gravar um arquivo em uma pen-drive particular dele, e se o sistema pedir para instalar um software para reconhecer o dispositivo (isso acontece muito no XP, que é o sistema instalado na maioria dos nossos PCs), não será possível, pois "você não tem privilégios suficientes para executar esta tarefa!" ha ha ha ha ha ha ha!

Bem dizia mestre Raulzito: E quando acabar, o maluco sou eu!

PS.: Acabei de verificar que até as AdWords do Google foram bloqueadas. Quá Quá Quá Quá Quá Quá Quá Quá Quá Quá!

domingo, 16 de setembro de 2012

O QUE É O GOVERNO?

Uma animação que explica de maneira simples e didática o que é essa estrutura a que chamamos governo.
Bem legal.


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

SOMBRA DA TARDE - POESIA



Eu gostava de sentar-me à sua sombra
e recostar-me em seu tronco
enquanto a tarde passava
branca e ensolarada
sobre nossas copas.
Ao redor, as pessoas passeavam distraídas,
cuidando de suas coisas
como quem cuida de vidas
singulares e quase extintas.
Foi numa dessas tardes vadias
enquanto, mergulhado na leitura de um livro
era levado para longe de mim, dali, de tudo,
que notei sua primeira lágrima:
uma folha quebradiça, escurecida,
caída - ao meu lado - sem vida.

Depois caíram outras
e outras
e outras
até que caíssem todas
e não restassem mais
do que galhos pelados
apontando para algum lugar
impreciso no céu.

Tardes e tardes passaram sobre nossas copas
extintas - brancas e ensolaradas -
até que o vento levasse - uma a uma -
as lágrimas todas para morrerem afogadas
nas tranqüilas águas
do lago.

Ainda assim, eu gostava de sentar-me à sombra
do seu tronco e dos seus galhos
e recostar-me nela
como se me recostasse no trono sagrado
do rei de um remoto reino perdido.
E ficar sentindo o cheiro de suas tardes
que descansavam terrosas e escuras
e cobriam o chão à minha volta.

Não estava quando vieram levá-la.
Soube por uns que estava condenada.
“Condenada a quê?”, quis saber,
“À morte.”, me disseram.
Nos dias que se seguiram
eles vieram e levaram as outras.
“Por quê?”, quis saber,
“Para salvá-las.”, responderam.

Em seus lugares, então, vi brotarem
bancos de pedra, postes de luz.
bebedouros, caminhos de cimento,
quadras de esportes, pista de skate,
estátuas, totens, placas,
bancas de revistas, de cachorro-quente,
de algodão-doce, de artesanato.

Pedi que colocassem alguma sombra,
n’algum lugar, onde pudesse sentar-me
e sentir o cheiro terroso da tarde
branca e ensolarada
pousada sobre nossas copas
projetadas sobre o lago de tranqüilas águas.
“Não é possível.”, me disseram,
“Por quê?”, perguntei,
“Retiramos todas as árvores.”, responderam.
Pedi, então, que me levassem, também.
“Para onde?”, quiseram saber,
“Para onde levam os condenados.”, respondi,
“Condenados a quê?”, perguntaram,
“A morrer.”
.
.
.
E eles riram.



Pero Vás

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O BUROCRATA FUNDAMENTALISTA





Hoje passei por uma experiência tão fantástica, tão inacreditável no Tudo Fácil Centro, de Porto Alegre, que gostaria de torná-la pública, pois me parece que vale a pena.

Fui fazer uma carteira de identidade nova já que a minha foi diagnosticada como inservível. Para tal, levei a documentação pedida, ou seja, a certidão de casamento com o assentamento de divórcio, pois esse é meu estado civil. Depois de mais de uma hora de espera, fui chamado. Estava acompanhado de meu filho, de 13 anos.

O rapaz que me atendeu pediu-me a certidão, consultou meus dados no cadastro do IGP, estava tudo lá, como da última vez que informei, apenas foi necessária a atualização do endereço residencial que tinha mudado. Em determinado momento, o rapaz notou que meu nome, na certidão - e no cadastro do IGP - estava grafado JOAO, ao invés de JOÃO. Perguntou-me se era assim que se escrevia meu nome, sem acento; disse que não, que o JOÃO do meu nome era com til, como o é qualquer JOÃO; acrescentei que estava assim grafado, sem acento, porque alguns softwares de cadastro eletrônico não permitem acentos em alguns campos e que talvez aquele fosse o caso da certidão. O rapaz, então, orientado por uma outra pessoa, resolveu ir até sua chefia perguntar se poderia colocar o acento no JOAO, pois o software que eles utilizam permitem isso. Quando ele retornou, trouxe-me a seguinte informação: por determinação de sua chefe, eu não poderia fazer a identidade pois meu nome, conforme eu mesmo "declarara", estava "incorreto" na certidão e que eu deveria voltar ao cartório (que fica em Canoas) que a emitira para pedir a correção já que, por causa do acento, não se poderia asseverar que o JOAO e o JOÃO eram a mesma pessoa!!!!

Quase tive um troço (sou hipertenso)! "Mas como?", perguntei. Mostrei-lhe minha identidade atual e nela também estava grafado JOAO; no cartão da conta-corrente, no cartão da caderneta de poupança, no cartão do CPF, no título de eleitor, no cartão do supermercado, em todos os meus documentos o JOÃO era grafado JOAO e nunca tive qualquer problema com isso, pois o único JOAO, filho de fulana de tal, inscrito no CPF com o número tal, que existe no Brasil, sou eu!

O rapaz me respondeu que, infelizmente, não poderia fazer nada, que havia falado que na minha identidade atual (a inservível) era assim, como na certidão, mas que a sua chefia não voltara atrás. E, assim, depois de uma 1h45min, fui embora do Tudo Fácil Centro sem conseguir encaminhar meu documento de identidade. Não quis discutir porque já era meio-dia passado e ainda tinha que levar meu filho para a escola e ele tinha que almoçar; depois, eu ainda precisava passar em casa, preparar meu próprio almoço e retornar para o trabalho.

Ainda estou embasbacado. Essa funcionária do Tudo Fácil Centro lembrou-me uma figura que eu e um colega de trabalho criamos, para nos divertirmos: o Burocrata Fundamentalista. Achei que tal figura não passasse de uma brincadeira nossa, hoje descobri que ele é real - e trabalha no Tudo Fácil Centro de Porto Alegre.

O BUROCRATA FUNDAMENTALISTA

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