segunda-feira, 25 de junho de 2012

POESIA - DEPOIS DAS DUAS


 

DEPOIS DAS DUAS

Depois das duas não há mais cheiros
de folhas de louro, de dentes de alho,
de cebolas, de pão, de massas ao molho.

Depois das duas não há mais sons
de conversas, de risos, de talheres,
de líquidos derramando-se nas taças.

Depois das duas os raios de sol
são hipotenusas estendidas
dos olhos ao chão.
A sombra em ângulo reto com o corpo
ereto como um cateto oposto.

Depois das duas o prazer fez
parte da vida e agora faz
parte do tempo que depois fará
parte da história - no fim
da história do tempo da vida da gente.

Depois das duas:
pernas, pra que te quero?
Pra buscar a vaca que foi pro brejo,
pra tirar o pai da forca,
pra chutar o pau da barraca,
pra sair dando nas canela,
porque aqui, quem não corre, voa;
porque aqui, cortam-se asas
- as duas, pontualmente às duas.

Depois das duas, só
depois das seis.


Autista Baptista

quarta-feira, 20 de junho de 2012

POESIA - INSIGHT


daqui para frente
mais ou menos o sol
uma luz diáfana
parecida com o amanhecer

daqui para frente...
logo depois da esquina...
Eu

Ente Maldito

terça-feira, 19 de junho de 2012

APARENTE APARÊNCIA

FIM DOS TEMPOS

O Partido dos Trabalhadores foi fundado no dia em que fiz 15 anos: 10 de fevereiro de 1980. Nessa época, eu estava em férias da escola, tinha passado para a 2ª série do 2º grau, e estava na praia, em Rainha do Mar, com minha mãe.
Lembro do orgulho que me encheu o peito quando li a notícia. Desde o ano anterior, em 1979, engajado no Grêmio Estudantil do colégio onde estudava, o Colégio Marista São Pedro, no bairro Floresta, em Porto Alegre, participava de encontros clandestinos com estudantes da UFRGS e da PUC na Faculdade de Direito da UFRGS, em casas de ativistas nos bairros Bom Fim, Floresta, Santana, Cidade Baixa.
Saía a noite para pixar paredes ou colar cartazes em apoio ao partido que se gestava, pelo fim da ditadura, pela livre expressão do pensamento.
Nosso sonho: uma sociedade livre, o pleno emprego, a divisão equânime das riquezas, escola e saúde para todos, moradia, saneamento, liberdade de expressão, dignidade.
Trinta e dois anos depois, olho para a realidade política-social do meu país e, sinceramente, tenho vontade de chorar. Depois de tantos anos indo às ruas reclamando, exigindo, apoiando, criticando, denunciando, apanhando, estou desencantado. E sinto que não tenho mais forças para acreditar no sonho antigo.
Então, tomei a triste decisão de que este ano vou anular meu voto. Triste porque jamais pensei em fazê-lo, triste porque fui a vida toda um defensor intransigente da importância do voto.
Porém, não há como não estar triste, decepcionado, desencantado.
É só olhar a foto abaixo:


É O FIM DOS TEMPOS! THE DREAM IS OVER!

O que mais posso dizer?

segunda-feira, 11 de junho de 2012

POESIA - UMA PEDRA NO MEIO DO NADA



Uma pedra parada no meio do nada
é só
uma pedra parada no meio do nada.
A pedra é só pedra.
O nada é só nada.
Juntos são a imagem
do todo da pedra no todo do nada.


Uma pedra está parada no meio do nada.
Nunca entenderei esta ocorrência.
Se a pedra não se move,
se não for atirada,
o que faz ali, no meio do nada,
essa pedra parada?
E o que há, nisso, algo para pensar, meu Deus?
É só uma pedra,
       uma pedra parada,
                          parada no meio do nada!


A não ser que a visão
dessa pedra
sem explicação,
parada no meio do nada,
seja a lembrança de uma imagem,
                         uma imagem que vejo
                                   quando me vejo no espelho,
                                    parado
                         como uma pedra,
como uma pedra parada,
esperando quem a explique,
no meio do nada.


Pero Vás

sábado, 9 de junho de 2012

PICHAÇÃO X ARTE NOS MUROS

Isto é pichação. Em Porto Alegre.


Isto é arte. Infelizmente não sei o local.


O quê ficaria melhor em tua cidade?
Acho que os pichadores de Porto Alegre estão fazendo isso errado... ou porque não aprenderam, ou porque não têm capacidade, mesmo.

COMO CRIAR UM FILHO TIRANO

Estes são apenas os ensinamentos básicos. Pode-se ir além.


sexta-feira, 8 de junho de 2012

FRASES PARA FICAR BEM (9)

Uns versos da inesquecível e imemorial poetisa e filósofa gaúcha Aparecida da Mente:


"A dor do braço amputado é sê-lo;
  a do côto: vê-lo."
Plugin Artigos Relacionados para WordPress, Blogger, ...