sexta-feira, 25 de maio de 2012

CURIUSIDUDES - OVNIs

O assunto é velho, mas sempre se renova. Agora, com a chegada do filme ÁREA Q, novamente vem à tona, com força, a estimular a atividade cerebral de alguns e a confiscar definitivamente a sanidade mental de outros.
O grande centro místico de toda a discussão concentra-se em saber se o assunto OVNIs é merecedor de crédito ou não. Os inúmeros depoimentos, fotos, vídeos, artigos, revistas e livros que confirmam o aparecimento desses Objetos e o contato, em 3º grau, com criaturas de outros planetas, são contraditos, na mesma medida, pelos que afirmam ser isso um grande engôdo (coisa de maluco).
Dentre os vários depoimentos de pessoas que afirmam que já viram um OVNI ou tiveram alguma experiência de contato com seres extra-terrestres, como um bom e confidente trololó de pé de ouvido, há aqueles que vêm de pessoas que, a princípio, seriam de crédito indubitável.
Catando coquinho pela internet, encontrei este, de Rachel de Queiroz, publicado na revista O Cruzeiro, de 4 de junho de 1960.
Leiamo-lo ele:


Objeto Voador Não Identificado

HOJE não vou fazer uma crônica como as de todo dia; hoje, quero apenas dar um depoimento. Deixem-me afirmar, de saída, que nestas linhas abaixo não digo uma letra que não seja estritamente a verdade, só a verdade, nada mais que a verdade, como um depoimento em Juízo, sob juramento.

Escrevo do sertão, onde vim passar férias. E o fato que vou contar aconteceu ontem, dia 13 de maio de 1960, na minha fazenda “Não me Deixes”, Distrito de Daniel de Queiroz, município de Quixadá, Ceará.

Seriam seis e meia da tarde; aqui o crepúsculo é cedo e rápido, e já escurecera de todo. A Lua iria nascer bem mais tarde e o céu estava cheio de estrêlas.

Minha tia Arcelina viera da sua fazenda Guanabara fazer-me uma visita, e nós conversávamos as duas na sala de jantar, quando um grito de meu marido nos chamou ao alpendre, onde êle estava com alguns homens da fazenda. Todos olhavam o céu.

Em direção norte, quase noroeste, a umas duas braças acima da linha do horizonte, uma luz brilhava como uma estrêla grande, talvez um pouco menos clara do que Vésper, e a sua luz era alaranjada. Era essa luz cercada por uma espécie de halo luminoso e nevoento, como uma nuvem transparente iluminada, de forma circular, do tamanho daquela “lagoa” que ás vêzes cerca a Lua.

E aquela luz com o seu halo se deslocava horizontalmente, em sentido do leste, ora em incrível velocidade, ora mais devagar. Às vêzes mesmo se detinha; também o seu clarão variava, ora forte e alongado como essas estrêlas de Natal das gravuras, ora quase sumia, ficando reduzido apenas à grande bola fôsca, nevoenta. E essas variações de tamanho e intensidade luminosa se sucediam de acôrdo com os movimentos do objeto na sua caprichosa aproximação. Mas nunca deixou a horizontal. Dêsse modo andou êle pelo céu durante uns dez minutos ou mais. Tinha percorrido um bom quarto do círculo total do horizonte, sempre na direção do nascente; e já estava francamente a nordeste, quando embicou para a frente, para o norte, e bruscamente sumiu, - assim como quem apaga um comutador elétrico.

Esperamos um pouco para ver se voltava. Não voltou. Corremos, então, ao relógio: eram seis e três quartos, ou seja, 18.45.

* * *

Pelo menos umas vinte pessoas estavam conosco, no terreiro da fazenda, e tôdas viram o que nós vimos. Trabalhadores que chegaram para o serviço, hoje pela manhã, e que moram a alguns quilômetros de distância, nos vêm contar a mesma coisa.

Afirmam alguns dêles que já viram êsse mesmo corpo luminoso a brilhar no céu, outras vêzes, - nos falam em quatro vêzes. Dizem que nessas aparições a luz se aproximou muito mais, ficando muito maior. Dizem, também, que essa luz aparece em janeiro e em maio - talvez porque nesses meses estão mais atentos ao céu, esperando as chuvas de comêço e de fim de inverno.

* * *

Que coisa seria essa que ontem andava pelo céu, com a sua luz e o seu halo? Acho que, para a definir, o melhor é recorrer à expressão já cautelosamente oficializada: objeto voador não identificado. Mas, não afirmo. Porém, isso êle era. Não era uma estrêla cadente, não era avião, não, de maneira, nenhuma coisa da Natureza - com aquela deliberação no vôo, com aquêles caprichos de parada e corrida, com aquêle jeito de ficar peneirando no céu, como uma ave. Não, dentro daquilo, animando aquilo, havia uma coisa viva, consciente.

E não fazia ruído nenhum.

* * *

Poderia recolher os testemunhos dos vizinhos que estão acorrendo a contar o que assistiram: o mesmo que nós vimos aqui em casa. A bola enevoada feito uma lua, e no meio dela uma luz forte, uma espécie de núcleo, que aumentava e diminuía, correndo sempre na horizontal, e do poente para o nascente.

Muita gente está assombrada. Um parente meu conta que precisou acalmar enèrgicamente as mulheres que aos gritos de “Meu Jesus, misericórdia!” caíam de joelhos no chão, chorando. Sim, em redor de muitas léguas daqui creio que se podem colhêr muitíssimos testemunhos. Centenas, talvez.

Mas faço questão de não afirmar nada por ouvir dizer. Dou apenas o meu testemunho. Não é imaginação, não é nervoso, não são coisas do chamado “temperamento artístico”. Sou uma mulher calma, céptica, com lamentável tendência para o materialismo e o lado positivo das coisas. Sempre me queixo da minha falta de imaginação. Ah, tivesse eu imaginação, poderia talvez ser realmente uma romancista. Mas o caso de ontem não tem nada comigo, nem com o meu temperamento, com minhas crenças e descrenças. Isso de ontem EU VI.

O Cruzeiro online é um trabalho de preservação histórica do site Memória Viva

E então? Tu acreditas? Tu achas que este depoimento é merecedor de crédito? Botarias teus olhos na brasa em nome da sua veracidade?
Não fiques acomodado, alguém quer ouvir-te. Liga, agora mesmo, para a NASA e dize tudo o que sabes!
Vai, brasileiro, mostra a tua bravura!

(Puts! É cada coisa que aparece neste blog!...)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

MELHOR QUE CLORO



O poeta é um bichinho atento. Presta atenção em tudo. O que, para os outros, não significa absolutamente nada além daquilo que comunica, para o poeta pode ser o fio da meada para uma grande viagem!
Por outro lado, o poeta é, também, um gozador. Alguém com capacidade para brincar com o aparente. Tudo ganha novas possibilidades aos olhos deste bichinho-carpinteiro.
Eu estava reparando numa embalagem de Vanish, que comprei recentemente, quando percebi o que estava escrito no selo.
Daaííííí.... vejam só:


terça-feira, 22 de maio de 2012

LETRA - ESTRELINHA E JOÃO

Não costumo publicar as letras das músicas que componho, pois elas têm um andamento, um ritmo, uma sonoridade intrínseca, diferentes daqueles que podem ser observados na poesia.
Por isso, na maioria das vezes (nem sempre, há exceções), uma letra de música sem a música parece meio sem graça, parece que perde muito do que comunica, pois não foi feita para ser lida, mas para ser escutada. Tanto assim o é (assinhoé é bom: "Assinhoé, volte para casa, meu filho!", "Assinhoé, não olhe para a luz!", "Eu sou Assinhoé, o Cremoso, rei de Margarina, a terra das Delícias e onde os radicais podem ser livres!"), que é muito melhor conhecer a letra depois de ouvi-la com a música, do que o contrário.
Masssss...
Esta letra tem endereço certo. Por isso, de maneira egoísta, egocêntrica e egonômica, estou utilizando este espaço para divulgá-la.
Peço perdão.




Estrelinha e João

Um olhar que olhava o céu
em busca de um luar qualquer
que iluminasse o seu

Um olhar que olhava a luz
de uma estrela qualquer
brilhando, só, no breu,
como um neon

Olhos ansiosos por se olhar
Olhos que buscam-se no céu
Asas do amor que faz voar
O olhar de Estrelinha e João

Qualquer um que fosse olhar
diria que, hoje, o céu
parece de outro tom

Mais claro que o normal
e com uma estrela só
tão junto à lua que
parecem dar-se as mãos

Olhos famintos: olhos-mar
Olhos pedintes: olhos-chão
Olhos do amor que fez voar
o olhar de Estrelinha e João

Johnny Boy

segunda-feira, 21 de maio de 2012

ALTO, AJUDA


PS.: A atribuição do texto a Luiz F. Veríssimo, não é minha. A intenção de publicá-lo, sim.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

POESIA - INEXISTÊNCIA




























Ente Maldito

Post Scriptum: MUDOU! POUCO, MAS MUDOU.

Última estrofe, agora ficou assim:

Sob o sol escaldante
desta árida inexistência,
dissolve-se a flor do lúmen
e sua inútil ciência:
Pensar? Falar? Sentir? Expressar?
Nada mais. Para ninguém mais. Nunca mais.

domingo, 13 de maio de 2012

FELIZ DIA DAS MÃES



Minha primeira lágrima caiu dentro do teu olho.
Tive medo de a enxugar: para não saberes que havia caído.
No dia seguinte, estavas imóvel, na tua forma definitiva,
modelada pela noite, pelas estrelas, pelas minhas mãos.
Exalava-se de ti o mesmo frio do orvalho; a mesma claridade da lua.
Vi aquele dia levantar-se inutilmente para as tuas pálpebras
e a voz dos pássaros e a das águas a correr,
sem que a recolhesses em teus ouvidos inertes.
Onde ficou teu outro corpo? Na parede? Nos móveis? No teto?
Inclinei-me sobre o teu rosto, absoluto, como um espelho.
E tristemente te procurava.
Mas também isso foi inútil, como tudo mais.
(...)
Minha tristeza é não poder mostrar-te as nuvens brancas,
e as flores novas, como aroma em brasa,
com suas coroas crepitantes de abelhas.
Teus olhos sorririam,
agradecendo a Deus o céu e a terra:
eu sentiria teu coração feliz
como um campo onde choveu.
Minha tristeza é não poder acompanhar contigo
o desenho das pombas voantes,
o destino dos trens pelas montanhas
e o brilho tênue de cada estrela
brotando à margem do crepúsculo.
Tomarias o luar nas tuas mãos,
fortes e simples como as pedras,
e dirias apenas: ‘Como vem tão clarinho!’
E nesse luar das tuas mãos se banharia a minha vida,
sem perturbar sua claridade,
mas também sem diminuir minha tristeza.

(Trechos de Elegia, de Cecília Meireles)
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