segunda-feira, 16 de abril de 2012

LABIRINTO DO TEMPO



Durmo cedo,
pois amanhã o dia
será cedo.
Espelho do outro
e do outro e do outro
dia de intenso sossego.

Dia cego que não vê,
dia surdo que não ouve,
dia mudo que não fala,
dia coxo que não anda.
Dia ordinário,
dia primeiro,
dia último.
Múltiplo dos dias divididos
no Rosário dos sentidos
perdidos, deixados, partidos.

Fé dos que não vêem.
Esperança dos que não ouvem.
Clamor dos que não falam.
Marcha dos que não andam.
Minha chaga chama-se Medo.
Por ela, não vejo.
Por ela, não ouço.
Por ela, não falo.
Por ela, não ando.
Por ela, vivo
na manhã-tarde-noite
do redivivo espelho.

Autista Baptista

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