sábado, 25 de fevereiro de 2012

PENSAMENTO CRÍTICO: O AMOR INCONDICIONAL

Sou um assíduo freqüentador do facebook. Todos os dias, dou uma passada pela página para ler os depoimentos das pessoas que conheço (algumas pessoalmente, outras, apenas virtualmente), as notícias que repassam, os pedidos de ajuda. Sempre há algo que pode requerer nossa atenção, uma situação na qual podemos interferir diretamente com iniciativas no mundo "real", ou uma informação sobre algo que nos interessa pessoalmente, como um curso ou um festival, e, também, divagações, humor, assuntos inúteis e, algumas vezes, até ofensivos. Entretanto, é sempre bom lembrar que estamos falando de um mundo virtual comandado por pessoas reais, portanto, naturalmente imperfeito, humanamente instável.
Dentre as "zilhões" de coisas que nesse ambiente são externalizadas, observei a recorrência ao Amor Incondicional, sempre apontado como o amor "modelo", aquele digno de ser exaltado, o mais desejável de ser encontrado. Falam no Amor Incondicional como o amor sonhado pelos amantes, aquele amor que é praticamente perfeito. E inquestionável.
Eu, porém, modestamente, questiono. Não como existência, mas quanto ao fato de ser ele, realmente, o melhor amor para os amantes - todos os amantes!
Neste pequeno discurso que pretendo encetar, vou contrapor o Amor Incondicional ao Amor de Enamoramento, conceito proposto por Francesco Alberoni, em seu livro "Enamoramento e Amor" e recuperado em "O Erotismo", também de sua autoria. Não pretendo contrapor os tipos amorosos quanto à sua qualidade, pois isso seria desfaçatez, para não ser completamente claro e ter de dizer "burrice", mas quanto às suas características intrínsecas que, apesar de não se oporem, não se aproximam, não se tocam.
Comecemos falando do que penso sobre o Amor Incondicional, sobre suas formas de manifestação, o que deseja alcançar, como se relaciona com o objeto amado.
No meu entendimento, o Amor Incondicional é um tipo de amor que é pura e total doação e dedicação. É um amor "caritativo", como aquele amor presente nos textos bíblicos, do "amar sem ser amado". E é justamente esse o seu tom: o Amor Incondicional não exige correspondência amorosa do ser amado. Ele externaliza-se simplesmente, e justifica-se, pela "existência" do objeto de amor. Aquele que é amado incondicionalmente não precisa ter para quem o ama qualquer responsabilidade de reciprocidade. O que ama incondicionalmente não precisa disso. A pessoa que ama incondicionalmente precisa, "apenas", que o ser amado mostre-se satisfeito, seguro, feliz (não vou entrar na discussão do conceito do que seja "ser/estar feliz", pois, senão, não conseguirei jamais terminar este artigo).
Grandes exemplos de Amor Incondicional encontramos na relação pais e filhos. Neste tipo de relação, embora as numerosas exceções, o Amor Incondicional dos pais para com os filhos é marcante. Não é incomum sabermos de pais capazes de qualquer esforço para dar ao filho o que ele precisa, o que ele quer, o que ele sonha. Tudo, mesmo o que não está, no presente momento, ao alcance de ser obtido, por razões quaisquer, poderá ser disponibilizado ao filho amado, mesmo que a custa de imensos sacrifícios. Porque o Amor Incondicional não valoriza o que faz, mas o resultado alcançado pelo que fez. O Amor Incondicional é um amor altruísta, por excelência.
Este mesmo Amor Incondicional podemos encontrar nos missionários religiosos, nos "médicos sem fronteiras", nos voluntários para causas humanitárias etc.
E em alguns casais.
O Amor Incondicional, por sua essência caritativa, não é um amor erotizado. Apesar de o erotismo poder permeá-lo, sua tônica não é essa, pois o objetivo do Amor Incondicional não é a completude física/espiritual do ser amado, mas o suprimento de suas necessidades básicas, como segurança, conforto, afeto, estabilidade.
O Amor Incondicional não "energiza" o seu objeto de amor, como acontece no Amor de Enamoramento, e não poderia fazê-lo, pois ele não é um amor cuja base é a troca de energias, é, antes, como foi dito, um amor de doação - de um (e somente um) para o outro. O que o ser amado pode dar em troca não é o amor que sente, o desejo ardente, mas a expressão de sua satisfação, de sua gratidão.
O amante incondicional não está preparado para receber, mas para dar. Não lhe interessa o que o outro pode fazer por ele, só o que ele pode fazer pelo o outro. Por isso, geralmente, o amante incondicional não demonstra suas fraquezas nem deixa que o ser amado as perceba, pois isso significaria a possibilidade da "entrada" do outro em seu self amoroso e conseqüente percepção de suas falhas, de suas necessidades insatisfeitas, o que acabaria por corroer a estrutura do amor que sustenta. Pois o "fraco" não pode amar incondicionalmente, já que este tipo de amor exige, de quem o manifesta, uma total segregação do que quer que dê a entender que a satisfação que almeja possa ser encontrada em qualquer outro sentido que não o da plena doação. Por outro lado, o Amor Incondicional não encontrará terreno fértil para o seu desenvolvimento se uma das partes não for "fraca". Uma pessoa com personalidade forte jamais conseguiria submeter-se a outra que tentasse amá-la incondicionalmente.
Também o Amor Incondicional não conflitua. Para aquele que ama incondicionalmente, não interessa o que a pessoa amada faça, para si ou para outros, ainda assim será sempre acolhida, sempre amada, sempre resgatada. Jamais o ser amado poderá fazer-lhe mal e, quando o fizer, não será ele que irá sofrer, mas o outro, pois terá ofendido aquele que o ama sem impor condições para isso, e isso machuca uma barbaridade! O Amante Incondicional conta fortemente com o sentimento de culpa do outro, e com a sensação de ingratidão, para não ser atacado. E para não ser confrontado.
Estas situações não existem (ou existem, mas em formas variantes e diferenciadas) no Amor de Enamoramento. Neste amor, a base de sua existência é a troca, o mútuo energizar-se. Ambos são os protagonistas no relacionamento amoroso e, para que ele perdure, é necessária a atuação concorrente.
O Amor de Enamoramento estabelece condições para a sua existência. A fidelidade pode ser uma delas, por exemplo. Também, neste tipo de amor, o conflito pode manifestar-se e sua solução não se dará com paliativos que, no mais das vezes, não tem nada a ver com as origens desses mesmos conflitos, como acontece na situação dos relacionamentos apoiados no Amor Incondicional (que, é importante lembrar, só é praticado por uma das partes, nunca por ambas), mas, sim, através do consenso, da retomada do diálogo, do esforço para repor as coisas em seu lugar, por ação de mais uma das "condições" que se impõem no Amor de Enamoramento, que é o "ceder". Enquanto no Amor Incondicional a figura do "ceder" pode, ou não, estar presente, no Amor de Enamoramento ela é imprescindível.
No Amor de Enamoramento, o que o ser amado faz consigo ou com os outros importa, e muito, ao amante. Se faz algo que contraria fortemente o outro, seja nos seus princípios, nas suas crenças, ou por ferir algum "acordo" estabelecido entre ambos, coloca em risco a continuidade da relação. Esta é mais uma das características marcantes no Amor de Enamoramento: a instabilidade.
Num relacionamento cuja base amorosa é a troca (a síntese entre dar e receber), estabilidade é algo que requer constante esforço e reforço. Neste tipo de amor, a frase "Eu te amo", repetida até a exaustão (que nunca acontece, quando se está enamorado) se impõe. O que não é o caso do Amor Incondicional, onde o que "comunica" o sentimento são as constantes "satisfações de desejos", geralmente de cunho material ou pessoalmente prazeroso, como uma viagem ou um passeio a um lugar sempre sonhado.
Assim, concluo que nada concluo.
Penso, enfim, que cada pessoa tem em si o que é necessário para corresponder a um ou outro tipo de amor. Alguns precisam do Amor Incondicional, desse amor cuidador que, apesar de pouco erotizado e "energizante", traz consigo qualidades que lhes são muito mais valiosas do que aquelas presentes no Amor de Enamoramento. Então, naturalmente, irão preferir e viverão muito bem numa situação como essa.
Outros, não conseguem encontrar o que lhes é vital no Amor Incondicional, sentindo-se completos somente na situação do Amor de Enamoramento.
Acredito que para cada amor há um amor correspondente. O que carece é reconhecermos o que nos é oferecido e o que temos a oferecer, para que não aconteça de iniciarmos algo do qual nos arrependeremos logo ali adiante. É de inestimável ajuda, para tais situações, que saibamos não apenas o que queremos, mas, também, o que NÃO queremos.

E tenho dito.

("Digo, logo, penso". Jônius Antônius Pereirórum)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

POETISAS

E então? Mais uma poetisa na prancheta. Agora é a Sônia Jones que nos dá o ar da graça de respirarmos.

Não se respira arte...
Come-se aparência.
Vomita-se clichês
e bebe-se indecência.

O Hoje ganhou
músculos,
status e
perdeu a
inocência.

Irremediavelmente
descrente...

Constato:
O que menos
vale hoje em dia:
É Gente.

Sônia Jones

DOS MEDOS - POESIA

Esta poesia que publico é de autoria de minha amiga poeta Ana Beise.

Dos medos

Tenho medo
Que teus olhos
Não olhem nos meus
Que tuas mãos
Não toquem as minhas
Que tua boca
Não anseie, de mim, um beijo


Tenho medo
Que a alegria
Se transforme
Em desespero
O amor em desprezo
E a paz
Em utopia


Tenho medo
De ser mal interpretada
Paixão esquecida
Poesia inacabada.


Ana Beise

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

FRASES PARA FICAR BEM (8)



"Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã de Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera."


Arnaldo Jabor

MERGULHEI NAS TUAS PALAVRAS - POESIA


PARA PENSAR DURANTE O VÔO.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

AS LINHAS DE NAZCA

As "Linhas de Nazca", no Perú, são incríveis, gigantescos e complexos desenhos feitos, presumivelmente, pela civilização de Nazca entre os anos 400 e 650 d.C.
Os estudos feitos sobre esses geoglifos ainda não chegaram a uma conclusão sobre o porquê de sua existência. Podem estar associados a cultos religiosos, à cosmologia, a orientações astrológicas etc.
Os geoglifos abrangem uma espantosa área de cerca de 500 Km (alguns medem, de contorno, até 270 metros, individualmente) e foram desenhados a partir da remoção do cascalho vermelho, que recobre a terra desértica, naquela região, revelando o solo muito branco e brilhante. Devido a constância climática (ausência de vento e de chuva), os desenhos preservaram-se até os dias atuais, com pouquíssimas alterações.
Esses desenhos representam diversas espécieis animais como peixes, macacos, aranhas, orcas, lhamas e beija-flores. Figuras humanas também estão representadas. Chega a ser perturbador pensar que uma civilização residente em uma região completamente desértica e tão afastada do mar pudesse ter em seu imaginário orcas, tubarões e macacos, mas deixemos isso para se explicado pelo Grande Mistério da História da Humanidade.
Abaixo, uma foto de um dos desenhos encontrados. E uma pergunta estremecedora: estariam, os Nazcas, prevendo a chegada de Lula? Será Lula um dos deuses da antiga cosmologia nazquiana? Seriam, os Lulas, astronautas?
Ó! E agora? Quem poderá nos responder?


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