domingo, 9 de outubro de 2011

"OS EUA DEVEM CONDUZIR O MUNDO"


á algo de podre no reino da Nova Inglaterra! As declarações de Mitt Romney, pré-candidato pelo partido republicano à presidência dos Estados Unidos, conduzem a um caudal de reflexões que, sem exagero, ultrapassam o exagero. O que e quanto se poderia pensar a partir destas afirmações: "Deus não criou este país para que fosse uma nação de seguidores. Os Estados Unidos não estão destinados a ser um dos vários poderes globais em equilíbrio.",  "Os Estados Unidos devem conduzir o mundo, ou outros o farão.", "...nunca, jamais, pedirei perdão em nome dos Estados Unidos". Então? É pouco ou quer mais? Quer mais?! Então, toma: "Deixem-me ser claro: como presidente dos Estados Unidos, eu me dedicarei a um século americano.". Não tonteou ainda? Ah, é? Então, vamos ver se tu segura essa: o planeta "seria um lugar mais perigoso" se Washington não tivesse um papel de liderança.

Mazááááá!!!....

 As frases acima foram ditas durante um discurso que Romney fez, na última sexta-feira, dia 07/10/2011, na Carolina do Sul, quando buscava "fortalecer suas credenciais como potencial comandante-em-chefe das Forças Armadas, no momento em que as pesquisas o colocam em primeiro lugar nas intenções de voto entre os pré-candidatos republicanos e em forte disputa com Obama para a eleição de novembro de 2012." (Veja, edição on-line de 07/10/2011, às 15h12, Internacional, matéria assinada por Richard Ellis, "Mitt Romney diz que Deus quer que EUA comandem o mundo").
 Algumas contextualizações são necessárias antes que iniciemos nossas reflexões: o discurso foi feito por ocasião da "comemoração" dos dez anos de intervenção americana no Afeganistão e foi proferido para uma platéia composta, basicamente, por cadetes do colégio militar Citadel, da Carolina do Sul; o discurso dizia respeito ao programa de política externa do candidato. (Olha as coisas que esses caras comemoram: "aniversário" da invasão do Afeganistão!!! É de "matar", literalmente. Há alguns anos, não lembro se no governo de W.C. pai ou W.C. filho, foi publicado um selo comemorativo ao lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima!!! O caso gerou uma polêmica mundial tão grande que o selo teve que ser retirado de circulação imediatamente. Sobrou o ato... E o que existe por trás da intenção do ato... Que não conseguiu ser retirado de circulação... Como bem o testemunhamos até os dias de hoje.). Bem, mas andiemo, andiemo.
Por onde cameçamos? Talvez pelo início, por: Deus! - "Deus não criou este país para que fosse uma nação de seguidores". Tchê, isso dá medo. O camarada coloca como origem daquele amontoado de gente, a vontade divina, a vontade de Deus. Cara, isso é doentio. Por favor, pare para refletir um pouco, pense no que esse cidadão está dizendo e procure captar as várias implicações que vêm ANTES de ele dizer o que disse: a crença de que o país em que ele habita tem uma missão. E que essa missão lhe foi confiada pelo próprio criador! Se isso não é a expressão de um fundamentalismo histérico, não sei como classificar essa idiosincrasia. E a coisa é tão louca, que ele diz: o país, a nação!
A noção de país, de nação, é um conceito tão abstrato que é difícil, inclusive, definir o que sejam um país ou uma nação, senão pelos seus limites territoriais, físicos, já que por intercorrespondências seria quase impossível, tantas são as diversidades culturais que antes nos diferenciam, mais do que nos aproximam e nos caracterizam como "país" ou "nação".
Relativo seria um adjetivo, talvez, mais apropriado para quando precisamos nos referir a um grupo de pessoas como representantes de um "país". E o pior é que Deus, que é uma abstração de todo o Ocidente, em sua inquestionável sabedoria, teria eleito os Estados Unidos para comandarem o mundo! E isso "antes que outros o façam!"... Que "outros"? Crentes do mesmo Deus ou infiéis? Será que nós, o "Brasil", estamos incluídos nesse "outros"?
Eu gostaria de ficar divagando mais e mais e mais e mais, pois combustível para seguir adiante essas curtas frases fornecem bastante. Porém, vou parar por aqui, deixando no ar apenas a provocação. Continua, tu, leitor. Leva adiante essa nau endoidecida da tentativa de explicar a loucura alheia e a perplexidade que isso causa a todos: de estar diante de um tipo de loucura que não é apenas mera expressão de uma auto-imagem distorcida, irreal, mas a intenção de impor a todos os outros (e neste "outros" incluo a nós) essa imagem, quer queiramos ou não!
"Cuidado!" é a melhor recomendação que podemos dar a cada cidadão do mundo, hoje. Há algumas pessoas, lá fora, que pensam que Deus confiou-lhes o mundo para que tomassem conta. Com vistas a quê? Elas não sabem. Ninguém sabe. Mas estão dispostas a matar, mesmo pelo que não sabem. "Cuidado!"

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