sábado, 17 de setembro de 2011

CRISE DE IDENTIDADE

Eu e meus filhos, João Gui e Maiata

Sim. A frase é reveladora. Assustadoramente reveladora: "Tu és o que pensas". Às vezes, andando pelas ruas da cidade, surpreendo-me com frases que me são lançadas por pessoas que não conheço. Chamam-me: veado, putão, corno, maconheiro, vagabundo, marginal, otário, e por aí a fora. O que me faz pensar: sou o que penso ou sou o que os outros pensam?
Outra: "Tu és o que pensas que és". Piorou. Se sou o que penso que sou, por que os outros não me vêem assim? Será porque pensam diferente de mim? Então, para os outros, não sou o que penso que sou, sou o que pensam que sou. Porém, aconselha-me a boa filosofia que não diga, jamais, que sou o que penso que sou, pois corro sério risco de estar enganando-me, permitindo que minha consciência, deformada por conceitos desconectados da realidade, "criasse" uma imagem não correspondente a minha essência interior, ao meu "verdadeiro eu".
Mas os outros sequer pensam nisso: pensam que sou o que pensam que sou e pronto! Sem problemas. Nessas horas, eu queria ser o outro que me vê.
Porém, eu também penso que o outro é o que EU penso que ele é, não o que ELE pensa que é. Seguindo essa seara do raciocínio, podemos entender que estamos todos nos enganando e somos todos enganados.
Ninguém sabe de ninguém. Só se é o que é para si mesmo e ninguém é o que é para o outro. E o outro não é o que é senão o que pensamos que ele seja. E não adianta insistir, dizer "Eu não sou assim como estás pensando.". É sim. É bem assim como estou pensando, sim. E nem vem com essa conversa mole pra boi dormir. Eu é que sei de ti.
Crise! Crise! Crise! Não sei quem sou, jamais saberei. Nada me ajuda: nem a consciência, nem a filosofia, nem o outro.
Talvez haja, em mim, em algum lugar recôndito, muito escondido, a explicação exata e verdadeira de quem sou. Ou melhor, de quem penso que sou. O pensamento primevo, puro, intocado, essencial. O único que me explicaria, que faria com que me reconhecesse e soubesse de mim. Mas tenho os braços curtos e não consigo alcançá-lo.
Cérebro, célebro, céreblo. Não importa como o chames, ele não virá.
É como o policial que, impressionado através da nova copiadora eletrostática, pensando tratar-se de algo viável, como uma simples passagem por um viaduto onde as pessoas pudessem estacionar, comer sanduíches, fazer as pazes, dissesse que não via e o dia nublado. Apesar da opinião de alguns, concordo que esse posicionamento dos pardais traria mais segurança para todos e, principalmente, menos impostos, que é o que todos queremos, como sociedade organizada nas calçadas da memória.
O sélebo é o que pensa de tu!

O que você está pensando agora? 
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Ente Maldito

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