quinta-feira, 8 de julho de 2010

PARA QUE NÃO DIGAM QUE NÃO TIVE INFÂNCIA

Eu também - da mesma forma que quase toda a humanidade - fui criança.
No meu tempo, a gente caçava índios e assaltantes de bancos e diligências com o mesmo afinco com que as crianças de hoje caçam colegas de escola e professores: numa batalha de vida ou morte.
Muitos Apaches, Comanches e Cherokees tiveram um triste fim quando cruzaram o meu caminho.
Agora estou mais calmo. Passei a responsabilidade de caçar índios para a FUNAI e para a UDR e fico apenas observando alguns escalpos que ainda tenho pendurados pelas paredes da minha cabana.
Quando era caçador de índios (Indigienista), tinha um parceiro inseparável, o Beto, outro grande escalpelador, lá das bandas de Livramento. O tempo, no entanto, se encarregou de nos separar, e hoje, o que sei, é que ele é um bem sucedido corretor de imóveis, com atuação em Livramento e Rivera (Uruguai). Talvez esteja loteando aquelas antigas aldeias que atacamos sucessivamente até exterminarmos qualquer evidência da presença indígena em nossas terras. Ou escalpelando inquilinos insolventes.
(Durante os penosos anos de ditadura em nosso país, lembro que os militares caçavam sem piedade os insurgentes. Hoje em dia, as imobiliárias e as construtoras caçam sem piedade os insolventes.)
Desses bons e polvorizados tempos, guardo uma foto, onde aparecemos, o Beto (com seu rifle Winchester) e eu (com meu Colt 45), fazendo pose de exterminadores do futuro (do futuro dos índios, fique bem entendido. Aliás, aproveitando o gancho, acho que o grande exterminador do futuro, na atualidade, é o crack, que poderíamos apelidar de Arnold Crackzenegger.)

A PROVA

















- Muito prazer. Tex. Jon Tex.

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