quarta-feira, 23 de junho de 2010

Eleições 2010

É ano de eleição, e eu não poderia deixar passar esta oportunidade.
Em épocas como esta, sempre cabe a velha e bem cabida reflexão: votar em quem e por quê?
A cada eleição, nosso pensamento perde-se em meio a tanta proposta "inovadora", "revolucionária", "moderna". Porém, se repararmos bem, poucos são aqueles que, caso eleitos, levam adiante as propostas que alardeiam no momento em que pedem votos. No mais das vezes, encolhem-se em seus gabinetes e tornam-se meros coadjuvantes da atuação de outros, ditos "destacados". O máximo que fazem no intercurso de seus mandatos é assinar projetos, assinar petições, "compor a base". Não passam de "números".
Isso nos deixa sempre (e para sempre) mais e mais desconfiados. E inseguros sobre em quem votar. Os programas partidários são, em geral, obscuros e mal divulgados (eu até arriscaria dizer que sequer são divulgados).
As siglas partidárias escondem-se atrás de nomes de candidatos, quando o contrário é que deveria ser o corrente: na frente, o partido, com seu programa, sua ideologia; logo a seguir, as pessoas que coadunam com esses ideais.
Se bem me lembro, geralmente, quando algum detentor de cargo sufragiado é questionado sobre a razão de ter apoiado ou deixado de apoiar este ou aquele tema, a resposta é a de que segue a orientação do partido. Mas, se no desempenho do cargo, seguem a orientação do partido, por que na eleição, não? Por que passam a impressão de estão atuando sozinhos, em causa própria ou "no interesse dos seus eleitores"? Isso é muito confuso.
Pois são esses procedimentos confusos que atiçam a nossa imaginação e, ocasionalmente, o preconceito que temos para com a classe política brasileira.
Apoiado nisso, compus a poesia que trasncrevo abaixo, onde manifesto o resultado dessa relação obscura (no meu entendimento) candidato-partido político.


O CANDIDATO

Tu que não és sim.
Tu que não és não.
Tu que és talvez,
Mistério, adivinhação.

Tu cujos olhos vêem
Só o que querem ver.
Tu cujos ouvidos ouvem
Só o que querem ouvir.

Tu que muito falas
E calas coisas por dizer.
Tu que muito ages
E deixas coisas por fazer.

Tu que és feliz.
Tu que estás bem.
Tu a quem a vida
Deu vida para ser ninguém.

Tu que não tens ar, movimento,
Rija mente chã.
Tu que tens a voz do cimento,
Obra prima de Rodin.

Toma o meu voto,
Pega o meu dinheiro,
Leva o meu tempo.

Se tudo der certo,
A partir de janeiro,
Estarás no topo...

E eu, por quatro anos,
No teu esquecimento.

Pero Vás

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