domingo, 25 de abril de 2010

A "VIDA" NA RELAÇÃO AMOROSA

O que é uma relação amorosa? Teoricamente, uma relação entre duas pessoas que sentem amor uma pela outra. Porém, atualmente, tem-se denominado "relação amorosa" qualquer relação afetiva entre casais, seja ela fundamentada no amor, seja fundamentada na aparência, ou no interesse financeiro, ou no interesse social, empresarial e o escambau. Desde que duas pessoas passem a manter um relacionamento duradouro, diz-se que estão vivendo uma "relação amorosa".
Aquelas pessoas que algum dia já amaram alguém, sabem que não é assim. Que uma relação amorosa é a celebração do encontro entre seres que realmente se amam, sem outro interesse que não o de estar perto, bem perto mesmo, da pessoa amada.
Porém, tal como acontece em qualquer setor de nossas vidas, seja profissional, estudantil, interpessoal, esportivo, a tendência de o relacionamento amoroso cair na rotina é inevitável.
Tudo em nossas vidas é rotina, ou se torna rotina. Qualquer coisa que pratiquemos frequentemente se torna rotineiro. O futebol das quintas - rotina; o trabalho - rotina; os estudos - rotina; freqüentar o boteco - rotina; e por aí vai.
Há rotinas que tomamos por prazeirosas, pois nos dão a oportunidade de vivenciarmos situações imprevisíveis. Outras que parecem maçantes, pois sabemos de antemão que o que em tal situação se vivenciará não irá nos trazer qualquer novidade ou acréscimo valioso para os outros campos que compõem nossa unidade como seres humanos.
É muito comum que casais, depois de algum tempo de convivência, passem a viver uma rotina interna ao relacionamento. O que espanta, no entanto, é a falta de sensibilidade para perceber as nuances que a rotina, muitas vezes, mascara. As oportunidades de viver o amor sentido, dentro do relacionamento, mesmo que rotineiro, e que trazem sensações que não só reforçam os laços amorosos, como nos fazem perceber pequenos detalhes da pessoa amada que muitas vezes nos escapa, ou nos passam imperceptíveis.
Entretanto, a acomodação, creio eu, é o maior inimigo dos casais. Depois de estarem juntos, passam a cumprir determinados rituais que julgam suficientes para demonstrar o amor sentido. E não vão além. Fecham os olhos e deixam que o tempo que passa faça o resto, como se a partir de agora o sentido da vida fosse novamente a individualidade e não a sociedade. Passam a proclamar que o tempo que estão juntos é a maior testemunha do amor que os une, e não a qualidade da vida vivida durante esse tempo em que estão juntos.
A poetisa Adélia Prado percebeu a valiosa contribuição que a sensibilidade, a vontade de viver o amor sentido em cada pequena coisa vivenciada juntos, os pequenos acontecimentos compartilhados, mesmo os triviais, podem trazer para o fortalecimento do enlace amoroso. E, mais ainda, que grande fonte energética é e ampliadora do viver individual. Porque o indivíduo que ama e vive e compartilha o amor que sente, não engrandece apenas o amor que há no outro, mas também o próprio amor que há em si.
Mas deixemos Adélia falar:

CASAMENTO

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como 'este foi difícil'
'prateou no ar dando rabanadas'
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

Para todos aqueles que tem a graça incomparável de amar alguém e compartilhar a vida com esse amor tão querido, sugiro: não deixem de perceber as nuances do amor sentido, que se materializam a todo o instante nas mais modestas expressões. Vivam intensamente esse sentimento, pois ele é uma fonte inesgotável de força e satisfação.
E tenho dito... mas não vivido...

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