sábado, 13 de fevereiro de 2010

Não se metam na nossa matança! (Ou: Vocês são todos anti-semitas!)



Israel condena mandado de prisão britânico contra Tzipi Livni

Guila Flint

De Tel Aviv para a BBC Brasil

Atualizado em 15 de dezembro, 2009 - 11:14 (Brasília) 13:14 GMT

Livni declarou que se orgulha de operação em Gaza

O Ministério das Relações Exteriores de Israel condenou o mandado de prisão emitido na segunda-feira por um tribunal britânico contra a ex-ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni.

A ordem de prisão foi emitida por suspeitas de envolvimento em crimes de guerra durante a ofensiva israelense a Faixa de Gaza, há um ano.

Em nota oficial, publicada nesta terça-feira, o Ministério afirmou que "rejeita o procedimento judiciário cínico contra a líder da oposição, Tzipi Livni, por iniciativa de elementos radicais".

"Israel pede que a Grã-Bretanha finalmente cumpra suas promessas e impeça que elementos anti-israelenses façam mal uso do sistema judiciário britânico contra Israel e seus cidadãos", diz o comunicado.

O Ministério israelense também afirma que a Grã-Bretanha não poderá ter um papel ativo no processo de paz no Oriente Médio se os líderes israelenses não puderem visitar o país de maneira "apropriada e digna".

O governo britânico prometeu investigar as circunstâncias do incidente.

"A Grã-Bretanha está determinada a fazer todos os esforços para promover a paz no Oriente Médio e ser uma parceira estratégica de Israel", diz o comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores britânico.

"Para esse fim, é necessário que os líderes de Israel possam visitar a Grã-Bretanha para se reunir com o governo britânico", conclui o comunicado.

Primeiro mandado

Esta é a primeira vez que um tribunal europeu emite uma ordem de prisão contra um líder politico israelense, por envolvimento na chamada Operação Chumbo Fundido.

A ofensiva deixou cerca de 1.300 palestinos mortos, pelo menos dois terços deles civis. Do lado israelense o número de vítimas foi 13.

De acordo com a imprensa israelense, a ordem do tribunal foi emitida a pedido de uma organização pró-palestina em Londres, no dia de um evento organizado pela comunidade judaica britânica, no qual se esperava a participação de Tzipi Livni.

No entanto, Livni havia cancelado sua viagem e assim evitou uma possível detenção.

De acordo com a ex-chanceler, o cancelamento da viagem foi por razões técnicas e sem relação alguma com o mandado de prisão.

Livni declarou que "se orgulha de suas decisões durante a Operação Chumbo Fundido, a qual alcançou os objetivos de defender os cidadãos de Israel e restituir o poder de dissuasão de Israel".

Em Israel, o mandado contra Livni desperta preocupação com a possibilidade de que medidas semelhantes sejam adotadas contra outros líderes do país que viajarem a Grã-Bretanha, especialmente Ehud Olmert, que era o primeiro-ministro na época da ofensiva à Faixa de Gaza, Ehud Barak, o ministro da Defesa e o general Gabi Ashkenazi, chefe do Estado Maior do Exército.

Em 2005 um tribunal britânico emitiu uma ordem de prisão contra o general israelense Doron Almog, por suspeitas de violação da Convenção de Genebra e envolvimento na morte de civis palestinos na Faixa de Gaza.

Almog, que estava chegando em Londres, foi avisado a tempo pelas autoridades israelenses e não desceu do avião no aeroporto de Heathrow, evitando assim a detenção.

A barbárie como prática, o discurso como plástica!


Instituto retirou órgãos de mortos sem permissão em Israel, diz médico

BBC Brasil

( http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/12/091221_israelorgaostraficofn.shtml )

Atualizado em 21 de dezembro, 2009 - 17:21 (Brasília) 19:21 GMT

Um médico israelense admitiu que órgãos de pessoas mortas foram retirados dos cadáveres sem a permissão de suas famílias durante a década de 90 em um instituto que era dirigido por ele.

A revelação sobre o Instituto Abu Kabir, de Tel Aviv, foi feita em uma reportagem do Canal 2 da televisão israelense.

Segundo a reportagem, os médicos retiraram córneas, pele, partes do coração e ossos dos corpos de civis e militares, israelenses e palestinos, além de trabalhadores estrangeiros.

Jehuda Hiss, ex-diretor do instituto, disse durante uma entrevista revelada pelo canal de TV que a retirada de órgãos sem permissão começou a ser feita na década de 90 e acabou apenas no ano 2000.

O ex-diretor do instituto também afirmou que, para esconder a retirada, os funcionários usavam técnicas como colar as pálpebras do cadáver depois de remover as córneas, por exemplo.

Em reação às denúncias da TV israelense, o Exército de Israel confirmou a retirada de órgãos, mas também afirmou que esta prática foi encerrada há dez anos.

Polêmica

A entrevista de Hiss fora concedida em 2000 a um acadêmico americano, que só agora decidiu revelar o que o médico lhe havia dito.

O acadêmico decidiu tornar pública a entrevista após a polêmica levantada por um jornal da Suécia, o Aftonbladet, que alegou no ano passado que soldados de Israel estavam matando palestinos para a retirada de seus órgãos.

Autoridades israelenses negaram estas acusações e alegaram que a reportagem do jornal sueco era antissemita.

Segundo a correspondente da BBC em Jerusalém Bethany Bell, o Canal 2 israelense não revelou provas a respeito da acusação feita pelo jornal sueco.

Notícias que (pouco) se lêem nos jornais


Soldados de Israel relatam 'rotina de humilhação' de palestinos

Guila Flint

De Tel Aviv para a BBC Brasil



ONG acusou soldados israelenses de abusos na Cisjordânia

Uma ONG israelense divulgou pela primeira vez os depoimentos de mulheres que serviram como soldados de Israel sobre a realidade nos territórios ocupados, denunciando uma "rotina de humilhação" a que são submetidos os palestinos nessas regiões.

A organização Breaking the Silence ("Quebrando o Silêncio", em tradução livre), formada por reservistas israelenses, publicou os depoimentos escritos e gravados de 96 mulheres que serviram em batalhões de combate na Cisjordânia.

De acordo com elas, a prática de abusos e a humilhação de civis palestinos pelas tropas israelenses é "rotineira" e as soldados, querendo demonstrar que são tão capazes quanto os soldados homens, também participam de atos que são definidos pelo Exército como "inusitados".

As ex-soldados descrevem cenas de espancamentos gratuitos de civis palestinos em pontos de checagem, de humilhação arbitrária e até de mortes de civis e falsificação dos fatos para encobrir atos ilegais das tropas.

Dana Golan, diretora da ONG, afirmou que "a sociedade israelense não quer pensar em nossas namoradas, filhas e irmãs participando ativamente na ocupação, exatamente como os soldados (homens)".

"Queremos acreditar que as soldados não são tão agressivas e não sujam as mãos, porém os depoimentos das mulheres provam que as soldados são tão corruptas quanto os homens e não poderia ser diferente", acrescentou.

Depoimentos

A organização colheu mais de 700 depoimentos de militares israelenses, homens e mulheres, que serviram nos territórios ocupados desde o inicio da Intifada, em 2000.

"Os depoimentos demonstram que as violações dos direitos humanos nos territórios não são resultado de um comportamento excepcional de poucos, mas decorrem do próprio domínio de uma população civil", afirma a Breaking the Silence.

Segundo o relatório da ONG, os casos de violação dos direitos humanos de civis palestinos são muitas vezes resultado do "simples tédio" dos soldados que servem em centenas de pontos de checagem na Cisjordânia.

Em um dos depoimentos, uma ex-soldado descreve uma cena, em um dos pontos de checagem, em que uma oficial ensinou civis palestinos a cantarem o hino do batalhão e em seguida, os civis, inclusive idosos e crianças, foram obrigados a cantar e dançar o hino militar.

"Uma sociedade que envia seu Exército para cumprir missões deve saber o que se passa em seu quintal e deve ouvir as vozes de suas filhas e filhos, mesmo se as historias não são agradáveis", afirma a Breaking the Silence.

Treinamento especial

O Exército israelense descartou o relatório da ONG, afirmando que trata-se de "depoimentos anônimos". Os autores, entretanto, afirmam que não revelaram a identidade das testemunhas para não prejudicá-las.

De acordo com um porta-voz militar, "os depoimentos não têm especificação de tempo ou local e é impossível examinar sua credibilidade".

"No Exército de Israel existem vários órgãos cuja função é investigar suspeitas de atos contrários às ordens e é obrigação de todo soldado ou oficial se dirigir a esses órgãos, caso sinta que alguma atividade foi cometida de maneira contrária às ordens", disse o porta-voz.

"As tropas recebem um treinamento especial sobre o contato com a população palestina e as soldados recebem o mesmo treinamento que os soldados (homens)", afirmou.
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