terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O Ensino e as mentes embotadas


Por Ente Maldito

E aqui estamos, mais uma vez, a falar do ensino. Desta vez voltados à realidade do Estado do Rio Grande do Sul, que é onde vivo.
Recentemente a nossa esforçada e vocacionada secretária estadual de educação, Mariza Abreu ("a boca para dizer bobagem"), em entrevista à rádio gaúcha, de Porto Alegre, voltou a afirmar que enviará, ainda no primeiro semestre de 2009, um projeto para ser votado na Assembléia Legislativa do RS, que trata, entre outros assuntos, da regulamentação da possibilidade de demitir professores por mal desempenho em suas atividades (esta previsão consta de Emenda Constitucional recentemente aprovada, atingindo a todos os funcionários públicos).
A fim de justificar tal ação, a secretária citou o que ocorre na iniciativa privada, onde trabalhadores que não atingem determinadas metas propostas pela instituição, ou são alvo de constantes reclamações de alunos, pais ou colegas, são livremente demitidos. Ou, então, em situações em que a instituição precisa ajustar seus gastos à receita, é realizada uma redução no número de trabalhadores, mantendo-se o mínimo indispensável para não parar as atividades.
A secretária salientou que, atualmente, apesar da previsão constitucional, para que se consiga demitir um funcionário público é necessário um rito longo e demorado, que envolve a abertura de inquérito administrativo e a ampla defesa ao funcionário que se pretende demitir.
A secretária quer agilidade, quer respostas positivas, em última análise, quer "a espada em suas mãos". Ficou impressionada com o baixo desempenho dos alunos nos últimos testes nacionais de avaliação do aprendizado. E, claro, jogou tudo nas costas largas dos professores.
O que a secretária não disse é que, na escola privada, os professores recebem material e local adequados para desempenhar suas funções, a disciplina dentro da escola é bastante exigida e os pais não têm ingerência direta sobre os professores, como na escola pública, onde chegam, mesmo, à temeridade de ameaçá-los de morte.
A secretária também não disse que a freguesia de um e outro, público e privado, é completamente diferente, pois os alunos da escola privada não vão para o colégio na esperança de comer alguma coisa, de ter a oportunidade de ter contato com um computador ou no acalanto de poder sair de casa um pouco e ficar longe de algum familiar disturbiado ou de uma família conturbada. Também, enquanto o um não tem problemas com o material escolar, outro, muitas vezes, não tem sequer um caderno e um lápis, ou seja, o básico para praticar seus estudos.
A secretária, obviamente, não comentou nada a respeito de que, muitas e muitas vezes, o material que é usado em sala de aula, que deveria ser fornecido pelo Estado, é adquirido pelo próprio professor. Até mesmo uma simples cópia eletrostática (xerox, no dito popular) vira um recurso quase inalcançável na escola pública. Papel higiênico nos banheiros? Giz? Encontros com escritores, oficinas de teatro, dança, música, línguas estrangeiras, reforço em matérias especiíficas, monitores para acompanhar os alunos durante os intervalos? Mas que absurdo! Esses "professorezinhos" estão querendo demais. Sabe o que eles irão receber? Nada.
Os professores são "jogados" em salas de aula onde 40, ou mais, alunos os aguardam, preocupados com a barriga vazia, com mães que estão viciadas em craque, com pais que não param de beber, com tios que os vem assediando, com a ganguezinha da outra rua que os quer massacrar, com a secretária de educação que não tá nem aí para ninguém a não ser com o seu status e com o "bom nome" que julga ter e pelo qual quer zelar a qualquer custo, desde que não seja o seu custo.
E a secretária quer resultados. Pensa que, tendo nas mãos mais um poder "dissuador", dará um "jeito" no ensino público estadual.
Então que tal trazer para dentro das escolas, também, o Ministério Público, o Judiciário, a Secretaria de Cultura, A Secretaria da Saúde, a Secretaria do Trabalho e Ação Social, a Secretaria de Obras, a Secretaria de Educação?
A secretária é mulher de planilhas, a secretária consulta linhas e quer ver números em azul nas colunas.
Porém, eu não sou do ramo. Isso, é claro, não me impede de ter opinião. Minhas opiniões baseio-as no que ouço de professores que conheço e em boas leituras que ocasionalmente me caem às mãos, como este artigo que indico aos freqüentadores deste Blog. Ele foi publicado no jornal Zero Hora (eu sei, eu sei, é difícil confiar em algo ali publicado, mas garanto que este vale a pena) e foi escrito pela Professora de História, Renata Ferreira Rios. Se alguém souber como, por favor, indique-o à secretária de educação e a seus "pares" na Assembléia. Quem sabe, alguma mente obtusa se ilumine e disponha-se a evitar que "A Patrola" arrase de vez com o pouco de boa vontade que ainda resta, por parte de nossos mestres, para continuar exercendo essa digna e honrada atividade que é ensinar pessoas.

Clique no título do artigo pra lê-lo: A ESCOLA PÚBLICA É A GENI

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