quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Melhor Assim?


Por Ente Maldito

Há pessoas que escrevem como se assobiassem uma canção singela, simples, fácil (extremamente fácil). Sou daqueles que se apaixonam fácil por pessoas que tem uma visão de mundo de uma humanidade tão flagrante, que se parece com um espelho que reflete a mesma imagem que outro, que lhe ladeia, porém com novos matizes. Pessoas que encontram novos caminhos, novos entendimentos, muitas vezes óbvios, mas que nós, com os olhos embaçados pela pressa cotidiana, por preguiça ou por ignorância, não conseguimos perceber.
Gosto quando alguém pega um conceito e o coloca num certo contexto de tal maneira, que aquilo que antes se avaliava por uma certa ótica - estabelecida, aprovada e aceita por todos -, ganha ares de novidade e abre novos horizontes para o que antes era apenas um ponto cinza perdido no infinito inalcançável.
Isto é o que salta aos olhos no texto que transcrevo abaixo. Foi escrito por Cínthya Verri, médica e psicoterapeuta, e publicado na página 15, do jornal Zero Hora, no dia 31/01/2009.
O que me levou a vôos por alturas inalcançáveis foi a maneira como, diante de um fato real, ela trabalhou os conceitos de luto e melancolia, o que acabou por fazer com que este texto se tornasse, praticamente, uma lição de vida, um empurrão aos que se sentem fracos demais para seguir adiante, um cutucão naqueles que estão acomodados demais no seu mundinho por puro medo das conseqüências advindas de suas possíveis transformações.
São apenas algumas impressões. Minhas, exclusivamente. O texto de Cínthya proporciona muitas mais. Leiam. É muuuiiito bom. E necessário.
Ah, não posso esquecer: Cínthya também é poeta, compositora e cronista, ou seja, nasceu para praticar a medicina!

"Melhor assim?

Recebi a notícia sobre Mariana Bridi Costa na fila do supermercado. Vazou do meu iPod. No jornal, a modelo capixaba de 20 anos teve as extremidades amputadas, estava em choque séptico e poderia morrer.

O primeiro pensamento veio de relance: agora é melhor que essa menina morra. Imaginei-me acordando no leito de hospital, debilitada, com cotos ao final dos antebraços e pernas. Modelo? Viveria de quê? Fiquei assustada com minha morbidez.

Numa cascata natural, fui serenando. Mais animada. Pensei na americana Kellie O’Farrell, que sofreu queimaduras aos dois anos no rosto e que fez campanhas pelo mundo. Lembrei-me da modelo surda-muda Brenda Costa, hoje vivendo na França, aprendendo a ouvir com seu implante coclear, e de CariDee English, a modelo que teve 70% do seu corpo coberto por psoríase na adolescência e que venceu um dos maiores concursos de beleza da televisão. Eu, que naquele momento inaugurei Mariana em mim, antes de me despedir, transitei pelo luto.

No luto, podemos até ter dúvidas, mas no fundo sabemos que a dor vai passar. Ficamos desanimados, pesados, a vontade de fazer qualquer atividade fica abafada, é quando nos distanciamos do amor. Mas luto não é uma doença: a confiança existe e seguiremos adiante assim que for possível.

Se Mariana acordasse, talvez não fizesse um luto. Talvez tivesse melancolia. A diferença entre eles é que adoecemos quando sacrificamos a confiança. Sofrer uma perda com melancolia é não perder. Experimentamos a ilusão de que o tempo não se despede. A melancolia reprisa: Mariana perderia as mãos e os pés todos os dias. Não encontramos maneiras de avançar. Não acreditamos num porvir, numa sequência. Quando estamos melancólicos, não existimos sem o que perdemos. Somos a parte perdida e não o que resta.

Se Mariana acordasse, poderia viver além da perda. Sonhei que faria catálogos de botas e luvas, calçaria órteses magníficas, perduraria longamente, alcançaria a biocibernética no futuro.

Mas Mariana veio a falecer. O que me entristeceu é que o meu primeiro pensamento, absolutamente normal, foi o último pensamento da maioria das pessoas que acompanhou o caso. Escutei de muitos amigos: melhor assim. Vejo o quanto tendemos a fraquejar. Preferimos esnobar a vida a fazer com que aconteça diferente do que imaginamos.

Morrer não é uma injustiça. Muito menos um alívio."

Cinthya Verri

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O Ensino e as Mentes Embotadas II


Por Ente Maldito

Na postagem anterior esqueci de acrescentar algumas considerações que julgo importantes, então o faço agora.
A secretária Mariza Abreu (a boca pra dizer besteira), ao insistir em adotar o método da empresa privada na manutenção do emprego dos professores estaduais, esquece-se (talvez propositadamente) de mencionar que um empregado de escola particular, ao ser demitido, fará jus à indenização, a férias proporcionais, a décimo-terceiro proporcional, às horas-extras, ao aviso-prévio e fundo de garantia. Já o empregado público tem direito aos dias trabalhados no mês em que se der a demissão e ao décimo-terceiro proporcional, ou seja, é mandado embora com uma mão na frente e outra atrás. Imagine-se um professor com vinte anos de carreira, na rua, sem direito a nada! Vinte anos não são vinte dias! Se uma pessoa, com vinte anos de serviços prestados a uma empresa particular, vier a ser demitida, com o dinheiro que receberá adquirirá a casa própria, um carro e ainda sobrará bastante para se manter por algum tempo. Já o funcionário público...
Então, se se admite a possibilidade de demitir um funcionário público, penso que se deveria estender a este os "privilégios" dos funcionários da empresa privada, não acham?
Outro detalhe: os empregados de escola particular têm um foro ao qual recorrer no caso de divergências com seu ex-patrão: a justiça do trabalho. Já o funcionário público não tem mediador. Ele deve recorrer ao próprio ex-patrão. Sacanagem, não é, não? Aí, se o ex-patrão disser: "fica mantida a demissão.", o próximo (e único) passo é procurar a justiça comum, sabe por quê? Por que funcionário público não tem direitos trabalhistas! Só direitos civis!
Tu nunca vais ouvir falar de um funcionário público requerendo o pagamento de suas horas-extras na justiça do trabalho. Só no tribunal de justiça. E, caso ganhe a causa, sabe como é que ele vai ser pago? Com carta precatória... Ééééé, meu amigo, com carta precatória, ou seja, com um papel onde vem escrito que o governo reconhece que tem uma dívida com esse trabalhador e pagará quando puder (quiser).
Assim, secretária, fica muito fácil, não acha? A pessoa batalha para ser aprovada num concurso público, concorrendo com outros 1.000 por vaga; depois se sujeita a trabalhar num ambiente insalubre, por um salário miserável, para uma população que tem mínimos traços de civilidade; e então, ao fim de quinze anos, um pai (ou uma mãe) vai à diretora da escola e faz uma reclamação contra aquele professor; é aberto, então, um inquérito administrativo e, dependendo de muuuiiitas coisas (precisamos considerar, também, neste escopo, que o "comportamento político" do funcionário certamente será levado em conta na hora de beneficiá-lo ou sacaneá-lo), ao fim, se poderá concluir que este professor não está mais apto a trabalhar na escola pública e então é demitido. E aí? Quem arca com esse problema social? "Eu não", apressa-se em dizer a dona Mariza. Pois, é. É isso aí: "Eu não". E "eu não" dirão todos, e esses mesmos "todos" continuarão a abrir a boca para reclamar da falta de professores e dizer que aqueles que se acham mal pagos, "que vão procurar outro emprego". Se isso viesse realmente a acontecer, o que essa gente burra não vê é que seus filhos (e os filhos dos outros) não teriam professores dispostos a ensiná-los e que a única forma de fazer essa gente retornar para a sala de aula, seria oferecer-lhes melhores salários e melhores condições de trabalho. Então, por que não fazer isso agora, já, ao invés de ficar massacrando uma classe inteira de trabalhadores? Não foi essa mesma secretária que defendeu a senhôra governadôra quando esta reclamou aumento salarial para si e para o seu secretariado sob o argumento de que melhores salários atraem os melhores profissionais? Não foi essa mesma secretária que disse que tal argumento era óbvio e justo, e que, tanto a senhôra governadôra quanto seus confiados, mereciam realmente um salário a altura da importância da função que desempenham? E qual a importância da função desempenhada por um professor? A secretária, a senhôra governadôra e os outros secretários se retirarão do nosso convívio logo, logo, e serão águas passadas, já os professores, não. Eles permanecem nas nossas vidas, mesmo depois de dela terem se retirado. Segundo a minha ótica de valorização das funções desempenhadas pelos agentes públicos, os professores vêm antes da senhôra governadôra, dos seus secretários e dos parlamentares que a apóiam ou se opõem a ela. Mas esta é a minha visão. Não sou dono da verdade e não vivo em terra de cegos, portanto não sou rei.
Indo além: o que essa gente ignorante não percebe, é que o professor é um profissional; um profissional que gosta de sua profissão, como o administrador gosta de administrar, o engenheiro de projetar e construir, o jogador de futebol de jogar bola (todos estes, aliás, formados por professores) e que tem o direito de exigir respeito e valorização ao trabalho que desempenha, pelo investimento digno na sua pessoa, por aquele que o contrata. Ou, me diga: tu lutas para te formares em direito, passar na prova da OAB e, mais tarde, por não concordar com o salário que lhe será pago num órgão público qualquer para cujo cargo tenha concorrido, decide que vai vender cachorro-quente na frente da igreja. Isso é valorização pessoal? "Eu não me vendo por qualquer trocado.". Bah!... Papo furado! Toda a pessoa quer atuar na área com a qual mais se identifica, pois trabalho também é realização pessoal e não apenas punição infinita pelo pecado original cometido pelo patricarca da raça humana e trabalho não se presta apenas para ganhar dinheiro, mas também reconhecimento, dignidade, satisfação.
Não há sociedade que consiga atingir um mínimo de civilidade sem o ensino. E reparem que digo "ensino" e não "educação", pois distingo um termo do outro, já que, no meu entendimento, educação é dada em casa, na família, na rua, no bairro; escola é lugar de aprendizagem, de apreensão da cultura; professora não é mãe, e professor não é pai, ambos são mestres e como tais devem ser referidos.
Então, secretária estadual de educação (pfffff...), pense bem nos seus argumentos, pese-os nanometricamente, e veja se o que a senhora pretende não é o avesso do que a sociedade precisa.

E tenho dito.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O Ensino e as mentes embotadas


Por Ente Maldito

E aqui estamos, mais uma vez, a falar do ensino. Desta vez voltados à realidade do Estado do Rio Grande do Sul, que é onde vivo.
Recentemente a nossa esforçada e vocacionada secretária estadual de educação, Mariza Abreu ("a boca para dizer bobagem"), em entrevista à rádio gaúcha, de Porto Alegre, voltou a afirmar que enviará, ainda no primeiro semestre de 2009, um projeto para ser votado na Assembléia Legislativa do RS, que trata, entre outros assuntos, da regulamentação da possibilidade de demitir professores por mal desempenho em suas atividades (esta previsão consta de Emenda Constitucional recentemente aprovada, atingindo a todos os funcionários públicos).
A fim de justificar tal ação, a secretária citou o que ocorre na iniciativa privada, onde trabalhadores que não atingem determinadas metas propostas pela instituição, ou são alvo de constantes reclamações de alunos, pais ou colegas, são livremente demitidos. Ou, então, em situações em que a instituição precisa ajustar seus gastos à receita, é realizada uma redução no número de trabalhadores, mantendo-se o mínimo indispensável para não parar as atividades.
A secretária salientou que, atualmente, apesar da previsão constitucional, para que se consiga demitir um funcionário público é necessário um rito longo e demorado, que envolve a abertura de inquérito administrativo e a ampla defesa ao funcionário que se pretende demitir.
A secretária quer agilidade, quer respostas positivas, em última análise, quer "a espada em suas mãos". Ficou impressionada com o baixo desempenho dos alunos nos últimos testes nacionais de avaliação do aprendizado. E, claro, jogou tudo nas costas largas dos professores.
O que a secretária não disse é que, na escola privada, os professores recebem material e local adequados para desempenhar suas funções, a disciplina dentro da escola é bastante exigida e os pais não têm ingerência direta sobre os professores, como na escola pública, onde chegam, mesmo, à temeridade de ameaçá-los de morte.
A secretária também não disse que a freguesia de um e outro, público e privado, é completamente diferente, pois os alunos da escola privada não vão para o colégio na esperança de comer alguma coisa, de ter a oportunidade de ter contato com um computador ou no acalanto de poder sair de casa um pouco e ficar longe de algum familiar disturbiado ou de uma família conturbada. Também, enquanto o um não tem problemas com o material escolar, outro, muitas vezes, não tem sequer um caderno e um lápis, ou seja, o básico para praticar seus estudos.
A secretária, obviamente, não comentou nada a respeito de que, muitas e muitas vezes, o material que é usado em sala de aula, que deveria ser fornecido pelo Estado, é adquirido pelo próprio professor. Até mesmo uma simples cópia eletrostática (xerox, no dito popular) vira um recurso quase inalcançável na escola pública. Papel higiênico nos banheiros? Giz? Encontros com escritores, oficinas de teatro, dança, música, línguas estrangeiras, reforço em matérias especiíficas, monitores para acompanhar os alunos durante os intervalos? Mas que absurdo! Esses "professorezinhos" estão querendo demais. Sabe o que eles irão receber? Nada.
Os professores são "jogados" em salas de aula onde 40, ou mais, alunos os aguardam, preocupados com a barriga vazia, com mães que estão viciadas em craque, com pais que não param de beber, com tios que os vem assediando, com a ganguezinha da outra rua que os quer massacrar, com a secretária de educação que não tá nem aí para ninguém a não ser com o seu status e com o "bom nome" que julga ter e pelo qual quer zelar a qualquer custo, desde que não seja o seu custo.
E a secretária quer resultados. Pensa que, tendo nas mãos mais um poder "dissuador", dará um "jeito" no ensino público estadual.
Então que tal trazer para dentro das escolas, também, o Ministério Público, o Judiciário, a Secretaria de Cultura, A Secretaria da Saúde, a Secretaria do Trabalho e Ação Social, a Secretaria de Obras, a Secretaria de Educação?
A secretária é mulher de planilhas, a secretária consulta linhas e quer ver números em azul nas colunas.
Porém, eu não sou do ramo. Isso, é claro, não me impede de ter opinião. Minhas opiniões baseio-as no que ouço de professores que conheço e em boas leituras que ocasionalmente me caem às mãos, como este artigo que indico aos freqüentadores deste Blog. Ele foi publicado no jornal Zero Hora (eu sei, eu sei, é difícil confiar em algo ali publicado, mas garanto que este vale a pena) e foi escrito pela Professora de História, Renata Ferreira Rios. Se alguém souber como, por favor, indique-o à secretária de educação e a seus "pares" na Assembléia. Quem sabe, alguma mente obtusa se ilumine e disponha-se a evitar que "A Patrola" arrase de vez com o pouco de boa vontade que ainda resta, por parte de nossos mestres, para continuar exercendo essa digna e honrada atividade que é ensinar pessoas.

Clique no título do artigo pra lê-lo: A ESCOLA PÚBLICA É A GENI

Mudanças...


Por Ente Maldito

Pois é, resolvi dar uma mudadinha em algumas cores do Blog. De repente, o fundo escuro começou a ficar pesado demais, difícil de sustentar. E o conteúdo deste saite não é tão pesado assim, nem tão trágico. Apesar do nome...
Espero que tenha ficado ao gosto do freguês. Resolvi colocar um contador de visitas, também. Isso me dá um retorno quanto ao acesso e interfere na motivação para continuar escrevendo ou para parar de vez. Enfim, como já disse alguém: "Não estamos sós.", quero ver se isso realmente é verdade.

MOTIVOS

Não é à toa
Que meus olhos dançam
Quando te vêem,
E tropeçam um no outro
Para te acompanharem:
Tens a formosura dos cisnes
Em lago de água cristalina,
E tua voz é como o canto
Do rouxinol pela colina.

Não é à toa
Que meus olhos sorriem
Quando te olham.
E saboreiam a doçura
Dos teus movimentos:
Tens a graça das princesas
Em bailes de casamento,
E a determinação do arqueiro
De encetar o seu intento.

Não é à toa
Que meus olhos choram
Quando te perdem,
E aninham-se quietos
Sob as pálpebras:
Deixas saudades espalhadas
Pelo centro, pelos cantos.
Deixas a vida suspensa,
Presa ao teu retorno.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

FAST SCHOOL - This is the way!!!


Por Ente Maldito

A cada dia que passa assistimos à deterioração do nosso sistema de ensino. Mais e mais oportunistas, "tubarões" capitalistas, se infiltram no disputado "comércio" de escolas, cursos para jovens e adultos, cursos de graduação e pós-graduação, et cetera.
O ensino virou mercadoria que dá lucro. Parte-se de um conceito simples: o salário na iniciativa privada é cada vez menor, e as necessidades de consumo aumentam cada vez mais, portanto, mais e mais pessoas tornam-se disponíveis, dispostas a sacrificar mais um tempo de sua vida com a honrosa ocupação de ganhar dinheiro. O cidadão trabalha o dia todo como administrador numa empresa qualquer e, à noite, para complementar o minguado salário que lá recebe, atua como professor. E, já que o segundo emprego é uma complementação (um bico), nem se preocupa em exigir um salário condizente com o que seria pago a alguém que atua profissionalmente na área. Desta maneira, o afortunado empresário do ensino consegue um trabalhador mal pago e que não reclama, antes, dá-se por muito satisfeito por ter "conseguido essa boquinha".
De outra parte, trabalhadores especialiazados em ensino vêem-se à mercê de uma concorrência desleal que lhes tolhe as vagas de emprego e o salário, que se torna irrisório. Aqueles que conseguem, tal qual os primeiros, um emprego, muitas vezes têm de trabalhar em vários turnos, em vários centros de ensino, a fim de conseguirem, ao final do mês, um ganho condizente com a dignidade de um ser humano que se preparou por muito tempo para exercer a carreira do magistério.
Este o drama humano dos profissionais que atuam na área do ensino. Mas há outro drama, tão importante quanto o anterior, que diz respeito ao tempo necessário para que um aluno seja certificado como formado em determinado nível escolar. O período de permanência numa instituição de ensino é cada vez menor. Em seis meses uma pessoa conclui(?) o segundo grau. Em um ano, concluem-se(?) os (agora) nove anos do primeiro. Em dois anos, forma-se um administrador, um contador, um técnico da informação. É RIDÍCULO!!!
Tudo isso em função de abastecer "o mercado" com pessoas "tituladas", o que confere às empresas a possibilidade de obter junto a órgãos internacionais de avaliação, certificados disputadíssimos que abrem as portas a novos mercados e maior lucratividade. As certificações empresariais da série ISO são as mais cobiçadas. E um dos ítens levados em conta para se ter acesso a essa certificação é... (tcham tcham tcham tchaaammmm): o nível de escolaridade dos funcionários da empresa que se candidata a obter um certificado dessa série. Quanto mais rápido uma empresa puder suprir seus quadros de funcionários com níveis de escolaridade mais elevados, melhor. O mercado tem pressa. O dinheiro circula rápido. Vai de um lugar a outro em segundos. Nas bolsas de valores, megaespeculadores quebram uma empresa na Bulgária e levantam uma no Brasil num apertar de tecla. Ninguém tem tempo a perder com preparação adequada. Não se precisa de seres humanos formados, precisa-se de peças de reposição. E tudo cada vez mais rápido. O mercado não pára de girar e "avançar" (para onde, ninguém sabe, ninguém diz).
E o que dizer de um governo (um, não, vários, pois este processo vem de muito tempo) que apóia essa prática escandalosa. Daqui há trinta anos estaremos importando estagiários de segundo grau de outros países, pois os nossos não terão competência sequer para redigir uma carta. Se o déficit de mão de obra especializada no Brasil, atualmente, é enorme, aguardem, pois ainda vai aumentar. O "canudo" fácil tem seu preço. Não para aquele que o conquistou, mas para os outros que serão diretamente atingidos pelo mal preparo deste.
Sobre isso, há uma instituição de ensino superior de São Paulo (Faculdade Cantareira) que vem fazendo uma campanha publicitária bem humorada a cerca desse tema. A campanha foi criada, produzida e encenada por uma companhia de humor chamada Cia. Barbixa's de Humor. Achei que viria bem a calhar exibir alguns vídeos dessa campanha, aqui, no Ente Maldito. É um assunto palpitante. E, já que não o temos levado à sério mesmo, vamos rir um pouco. Será bom rir - enquanto pudermos.









sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Eu Escrevi Isso? (A série)


Por Ente Maldito

A saga continua. Desta vez a bobagem vem na forma de um diálogo completamente nonsense. Credo! Eu custo a acreditar que tenha escrito esse negócio!...

O TETO (ou A importância das Referências)

Na igreja lotada de convidados, o padre ultima a benção a fim de consagrar mais um feliz matrimônio. Os noivos, ajoelhados à sua frente, já não contém a felicidade e mal conseguem disfarçar a expectativa. Querem que a cerimônia termine logo. O padre, então, profere as palavras rituais:
[Padre] Se houver alguém, neste recinto, que saiba de algo que possa impedir este casamento, que fale agora ou cale-se para sempre.
[Homem 1] Eu padre!
[Padre para Homem 1] O senhor o quê?
[Homem 1 para Padre] Eu sou contra este casamento!
[Padre para Homem 1] Mas... Mas... Por quê?
[Homem 1 para Padre] Este casamento não pode se realizar porque... porque... eles são irmãos!!!
[Convidados] Ohhhhhhh
[Padre] (entre dentes) Puta que o pariu!
[Padre para Homem 1] Você tem alguma prova do que diz?
[Homem 1 para Padre] Tenho! Eis as certidões de nascimento originais de ambos. Eles são irmãos!
[Convidados] Ohhhhhhh
[Padre para Todos] Mas... mas... eu não posso suspender este casamento. Eles até já pagaram! E olha que foi um bom dinheirinho para nossa querida santa madre igreja...
[Homem 1 para Padre] Se o senhor levar adiante esta cerimônia, estará cometendo um grave erro. Estará cometendo pecado!
[Convidados] Ohhhhhhh
[Homem 2] Pois eu digo que este casamento pode e deve continuar!
[Padre para Homem 2] E quem é você?
[Homem 2 para Padre, depois para Todos] Eu sou o verdadeiro pai da noiva, e posso assegurar que ela nunca teve irmãos!
[Convidados] Ohhhhhhh
[Homem 3 para Todos] Não! Não é verdade! O verdadeiro pai da noiva está morto!
[Padre para Noiva] O seu pai está morto?
[Noiva para Ninguém e para Todos] Eu não sei! Eu não sei! Eu não sei mais no que acreditar! Ó, meu Deus!
[Padre para Homem 3] Então, quem é o senhor? Se bem me lembro, foi o senhor que acompanhou a moça até o altar, se apresentando como se fosse o pai dela. Como pode dizer que o senhor está morto se o senhor está aqui, na presença de todos?
[Homem 3 para Padre] Na verdade, eu era somente o jardineiro que cuidava da praça próxima à casa onde ela morava. Um certo dia, o pai dela resolveu ir embora e pediu que eu ficasse no seu lugar. Como eu o considerava muito, concordei. A menina já era órfã de mãe!...
[Mulher 1 para Homem 3] Como assim “órfã de mãe”?!
[Noiva para o Homem 3] Pai! Você... então... não é meu pai?
[Homem 3 para Noiva] Não.
[Noivo para Homem 3] Você não é o meu sogro?
[Homem 3 para Noivo] Não. Eu sou seu tio, mas somente por parte de mãe.
[Convidados] Ohhhhhhh
[Noivo para Homem 3] Como assim?!
[Homem 3 para Noivo] A sua mãe teve um caso com meu irmão antes de seus pais se mudarem para cá, e desse romance fortuito... bem, o resto você pode deduzir por si mesmo.
[Noivo] NÃO!!!!!
[Padre] (entre dentes) Ihhh, esse negócio tá ficando enrolado...
[Homem 4 para Todos] Talvez sejam!
[Homem 1 para Homem 4] Quem é o senhor?
[Homem 4 para Homem 1] Sou um primo distante, que ele nunca conheceu.
[Homem 2 para Homem 4] Por que você diz “talvez sejam”?
[Homem 4 para Homem 2, depois para Padre, depois para Noivo e Noiva] Porque o pai dele era amigo do meu pai, e os dois tinham um caso secreto com a verdadeira mãe dela.
[Padre] Mas quem é a mãe dela afinal?!
[Mulher 1] Eu sou a mãe!
[Convidados] Ohhhhhhh
[Homem 5 para Mulher 1] Não é possível! Eu nunca tive filhos com você!
[Padre para Homem 5] Quem é você?
[Homem 5 para Padre] Eu sou o pai dela. O verdadeiro.
[Convidados] Ohhhhhhh
[Padre para Todos] Mais um?
[Mulher 1 para Homem 5] Ora, é claro que não tivemos filhos! Eu sequer o conheço! Mas ela é minha filha, sim!
[Mulher 2 para Mulher 1] Não! A sua filha sou eu!
[Mulher 1 para Mulher 2] Quem é você?
[Mulher 2 para Mulher 1, depois para Noiva] Eu sou a irmã da noiva, mas apenas por parte de tio.
[Convidados] Ohhhhhhh
[Homem 3 para Mulher 2] Como é que pode isso?
[Mulher 2 para Homem 3] Eu sou a filha perdida dele (aponta para Homem 2). Ele teve um caso com a mãe dela, que engravidou e me abandonou num orfanato.
[Mulher 1 para Todos] Eu tive um caso com esse daí? Tá louca, menina?
[Mulher 2 para Mulher 1, depois para Noiva] Não, eu não estou louca. Eu quase enlouqueci, mas consegui me segurar. Venha cá, minha irmã, me dê um abraço! Ó, meu Deus!...
[Convidados] Ohhhhhhh
[Noiva para Todos, depois para Noivo] Eu... eu... eu também tenho algo a dizer. Eu não sou eu. Eu fingi ser quem estou sendo. A sua verdadeira noiva é outra. Eu tomei o lugar dela porque...
[Mulher 3 para Noiva] NÃO SE ATREVA! CALE-SE! Se você disser mais uma palavra, juro que este casamento se transformará num funeral!
[Padre para Mulher 3] Mas... quem é você, minha filha?
[Mulher 3 para Padre] Eu sou prima dela e... irmã dele! (aponta para Homem 4)
[Homem 4] NÃÃÃÃOOOO! Você devia estar morta! Minha mãe jurou que a tinha matado!!!
[Convidados] Ohhhhhhh
[Noivo para Padre] Padre... Padre... Por favor... me ajude... o que está acontecendo? Ninguém é ninguém, e todos são todos... Padre... Por favor... Padre...
[Padre para Todos] IRMÃOS! PAREM! Parem todos com essas blasfêmias! Não se esqueçam que estamos na casa do Senhor!
(Nisso, desaba o teto)
[Todos] Ohhhhhhh

(Fecha o pano rápido)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Às trincas!


Por: Ente Maldito

Publico uma trinca recentemente composta. É meio dolorida e despeitada. Mas, enfim...


Ah, eu não sei do que tu tá falando...
Te falo coisas e não entendes.
Sonho um amor que não pretendes.
Dou os starts e dás os ends.

Ente Maldito

O Dramaturgo e o poeta - e o felino Valentino


Por: Camilo de Lélis

hai-kai

luvas de veludo
flagelo dos passarinhos
gato valentino

camilo

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A Vida na Memória


Por: Ente Maldito

Esta é uma animação de extrema sensibilidade e beleza. Chama-se "The Piano" (O Piano) e é criação de Aidan Gibbons, tendo sido indicada para o prêmio de "Melhor Animação", no "Festival Bradford de Animação", em 2005 (as informações sobre a animação foram retiradas do saite Smelly Cat, de Carlos Merigo e Bruna Calheiros).
Um homem velho toca ao piano a música "Comptine D'Un Autre Été- L'Après Midi", de Yann Tiersen, que faz parte da trilha sonora composta para o filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” (Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain, França, 2001 - baixe o disco aqui). Enquanto toca, ela o conduz a uma viagem ao passado, tranzendo-lhe lembranças que lhe "aparecem" e vem compartilhar a vida com ele. O amor, a dor, a surpresa, a alegria, a perda, a saudade, a renovação, a esperança, tudo se mistura nestes poucos minutos da vida presente.
Este vídeo me levou a uma reflexão. A vida passada é irrecuperável. Podemos apenas lembrá-la, senti-la de alguma maneira, mas não podemos mais gozá-la, não podemos mais interferir sobre ela, não podemos mais vivê-la. Nunca mais. A vida passada, passou.
E você? Vai lembrar de quê? E quem vai lembrar de você? Assistam ao vídeo. Espero que gostem.

"The Piano" - Aidan Gibbons

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Eu Escrevi Isso? (A Série)


Por: Ente Maldito

Mais uma da série de escritos inacreditáveis. Cada vez me convenço mais de que, quando a cabeça estiver vazia, o melhor é manter afastados o papel e a caneta. Não sei como posso pensar tanta bobagem. E o que é pior: passar isso para o papel!
Bem, mas vamos lá. Fazer o quê? Só, por favor, não se esqueçam de tomar uma caneca de Plasil antes da leitura.

Você pensa que dor
incomoda mais que coceira?
Eu tinha uma dor no pé
e uma coceira no pau.
A dor no pé, com o tempo, curei.
A coceira no pau, só aumentou.
Tanto que, numa bela manhã, incomodado,
sem pena, nem dó, o cortei!

Agora, quando está para chover,
fica fácil de adivinhar,
pois a cicatriz começa a doer
e o pé... principia a coçar.
Mas antes que vá você
achar que o pé eu pretenda extirpar,
apresso-me a esclarecer:
ainda o prefiro aqui,
aonde eu o possa alcançar,
do que fazer como eu fiz
com o outro, desgraçado,
que me dói só de lembrar.

(26/04/2007)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Declaração de Amor (I)


Por: Ente Maldito

Declaração de Amor (I)

Sempre quando acordo, a primeira coisa que sinto é a falta de ti.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Recém chegado da praia


Por: Ente Maldito

Recém chegado da praia, com as dores, ainda, do sol na pele, escrevi isto:

ISTO

Olho, ao longe, o deslocamento das nuvens
Tentando perceber a direção dos ventos.
São eles os fortes braços que empurram
Para o continente, as naves, ou para o mar a dentro.

(Sonho que sinto em meu rosto,
Como corcéis dispersos das tormentas de agosto,
Ah, os tão benfazejos ventos favoráveis!
Deus, como é louca a minha vontade!
Que, cega, enxerga no que as ondas trazem,
Os sinais de tua vinda e nem percebe
Que ao mar sequer te lançaste.)

Brilham meus olhos na noite deserta,
Acompanhando as luzes que da praia passam ao longe.
Vibram meus olhos e não vêem que a destra
Se agarra à sinistra protegendo o que resta de um sonho disforme...

A nau não virá. É hora de apagar as tochas.
Sem vento, jogado, deixo o puído estandarte.
Teus pés firmes te mantém a salvo do mar...
E de amar... o amor que juras, destarte...

O Dramaturgo, o Poeta e a Delicadeza



esse sou eu, essa é tatá uma menina adorável, o mundo é mais dela do que meu, esse é um poeminho (infantil?), que critica as opiniões do achômetro coletivo, precisamos de mais precisão, para agir sobre a realidade e melhorá-la...

co-achar

água passada não movimenta o moinho
sem acrescentar lenha o fogo se apaga
na beira do rio, o sapinho coaxa: eu eu
eu eu eu-responde em coro a sapaiada

ass:(eu)

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Obrigado, Mestre.

Ass.: E.M.
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