terça-feira, 20 de janeiro de 2009

"O Fim do amor" ou "Será que terminou mesmo?"

Este fim de semana, lendo o jornal, me deparei com um texto que me chamou muito a atenção, de cujo final anotei duas frases que, para mim, soaram bem estranhas: "Às vezes é melhor uma rendição do que fugir de um amor que não foi vivido até o fim." (...) "não antecipe o término do que ainda não acabou, espere a relação chegar até a rapa, e aí sim.".
Fiquei um tempão matutando (até este momento, em que escrevo): "esperar chegar ao fim... esperar chegar ao fim...". Sei lá, entende? Não entendi. Ou entendi de uma meneira própria minha que não tinha muito a ver com os argumentos contidos no texto.
Explico. Já me separei três vezes (Ah, ééééé!!!! Trêêês!!!! Mas que cachorro!!!) e os momentos que anteciparam cada separação nunca foram muito, assim, conscientes se era o momento certo ou não. Porque milhões de coisas passam pela nossa cabeça quando decidimos cair fora. E nesses momentos nem é tanto o que decidimos o que nos paralisa, mas como os outros vão reagir, o que vão pensar. Sim, pois quando um relacionamento acaba, parece que o mundo todo a nossa volta se sente traído. "Mas, como!!! Vocês pareciam tão bem! Até estavam fazendo planos de adquirir uma casa nova, mudar de ares! E a viagem de que tanto falavam?", et cetera, et cetera, e tal. E os que mais se sentem assim são os pais. O pais do "separando ativo" argumentando que vão morrer de vergonha com aquela atitude tresloucada ("Tu só pode ser bipolar! Só pode ser bipolar! Ah, meu Deus!"); os pais do "separando passivo", que vão morrer de vergonha pela sombra de dúvida que irá pairar na cabeça das outras pessoas imaginando porque o outro o teria deixado ("Começou com aquela viagem a Salvador, lembra? E o que era aquela roupa feita só de fitinhas de Nosso Senhor do Bom Fim?."). E pedem, imploram, suplicam que pensemos melhor, que temos um futuro todo pela frente, que não podemos fazer isso, que pensemos em tudo o que estamos deixando, que estamos perdendo. Logo em seguida vem as ameaças: "E agora? O que que tu vai fazer? Não espera contar com a nossa ajuda! A nossa vida tá muito bem organizada do jeito que está!", e lero lero lero lero lero...
Aqueles que já passaram por uma separação, certamente já ouviram coisas semelhantes. Bem, mas prosseguindo meu raciocínio... Quando tu te decides a dar um fim a um relacionamento, tu nunca sabes ao certo se é bem a hora de terminar. Sempre pesa sobre nossa cabeça aquela espada pontiaguda e afiadíssima do dito popular: "Depois que se perde é que se dá valor. Mas aí já é tarde.". Nessa hora é que a gente vê o quanto é importante a maturidade. Não a maturidade advinda com a idade, mas a maturidade emocional: "isso eu quero, isso eu não quero, e estou pronto para arcar com as conseqüências.".
Pois é. Pensando bem, tudo gera conseqüências, porém, sempre, uma coisa é certa: perde-se ganhando e ganha-se perdendo.
Pensem comigo: apenas observando a natureza, o que mais salta aos olhos? Não é o equilíbrio que há em tudo? Pois na nossa vida também funciona assim. A vida nos ensina desde cedo que não podemos ter tudo. Que só podemos ter uma coisa (ou algumas, vá lá) de cada vez. Que para avançarmos, temos de nos desfazer de algo, pois mesmo aquilo que angariamos até este ponto, não poderá seguir conosco quando a nossa mais nova aquisição vier tomar o seu lugar. Assim, enquanto vamos perdendo "coisas" pelo caminho, vamos recolhendo outras. E tudo se dá pelo singelo motivo natural do equilíbrio. Ninguém, mas ninguém mesmo, conseguiria viver uma existência plena de felicidade, nem plena de frustração. É preciso que haja um bom balenceamento entre as duas, pois dessas duas experiências tiramos grandes ensinamentos. E na falta de uma, ou da outra, não nos desenvolveremos plenamente.
Entretanto, sou forçado a reconhecer que deixar algo é muito difícil. E atirar-se ao desconhecido também. No geral, optamos sempre pela segurança. Apesar de nunca sabermos ao certo o que quer dizer essa "segurança", na medida em que, se algo vai mal e não estamos fazendo nada para melhorá-lo, a única segurança que temos é a de que ainda pode piorar. E piora. Bastante.
Neste momento, equilíbrio é a palavra. Até aqui, estou pensando na força de vontade que deve prevalecer naquele que percebe quando um amor acabou - em si, no outro, ou em ambos - para que tome, enfim, uma atitude positiva, ou seja, passe do pensar ao agir. Apoiado em algumas considerações um tanto óbvias, mas que muitas vezes nos fogem nesses momentos de cegueira.
Mas vamos prosseguir. Passemos, agora, aos questionamentos. Adiante...
Como ter certeza de que chegamos à "rapa do tacho"? Como ter certeza de que o amor em que estamos metidos não dará mais qualquer fruto, a árvore secou, não dará mais sementes? Não há como ter certeza, é o que respondo. Quando percebemos em nós que não nutrimos mais aquele sentimento intenso que antes tinhamos pelo outro, nunca conseguimos localizar exatamente quando isso começou a acontecer. Há alguns que arriscam: "Ah, mas eu sei bem o momento quando deixei de amar fulano. Foi aquele dia, na casa da Claudinha, lembram?", "Lembro, mas, se não me engano, uns dias antes tu nos disseste que achavas que algo em ti estava morrendo. Pelo menos foram essas palavras que tu usaste.", "É... Eu disse... Ou eu acho que disse, não sei, tenho andado tão esquecida ultimamente.". E está instaurada a dúvida na depoente: "Será mesmo que eu já venho sentindo isso há mais tempo?...".
É impossível apontar o momento exato em que o amor se retirou do nosso convívio. Como é impossível definir o melhor momento de cair fora. Viver um amor até o fim pode ser muito arriscado, afinal quem decide o fim somos nós, então... Geralmente, aquele que pensa em se separar passa por um sentimento de culpa gigantesco, enquanto o que não quer se separar, sofre por um sentimento de injustiça irreparável. Muitas e muitas vezes, ficam arrastando essa situação sem solução (um não vai, para não fazer o outro sofrer; o outro não vai por que quer ficar mesmo e, de qualquer maneira, não queria que o outro fosse) por muito e muito tempo, até chegarem a um estresse tão intenso, que acabam quase se matando dentro de casa com acusações mútuas de incompreensão e despeito. E aí começa o sufocamento. A sensação de falta de espaço, de ar. Será que isso é "a rapa do tacho"? Mas por que temos de chegar até aí para termos certeza de que vivemos um amor "até o fim"? É corrente ouvirmos as pessoas falarem de outras que estão no auge de suas carreiras de que esse é o melhor momento para encerrá-las, quando estão por cima, pois assim serão lembradas nesse estágio bem sucedido. E um relacionamento? Não seria melhor terminar quando se percebesse que ele já deu o que tinha que dar, que não temos mais vontade nem forças para melhorá-lo e, assim, sem alarde, sem "sufoco", terminar por cima, com elegância, mesmo sabendo que ambos irão sair com a impressão de que ainda é cedo?
No fim, o que podemos fazer por nós e por quem está ao nosso lado é sermos honestos e sensíveis. Não é preciso "esperar" o momento de sair de uma relação, o que é preciso é admitir que esse momento chegou (quando chegar) e arcar com as conseqüências. Nunca sairemos ilesos nem impunes. Creio que o melhor não é esperarmos para reconhecermos o fim, mas reconhecermos que o fim que esperávamos, chegou (olha, Camilo, uma paranomásia, he he he he).



Um comentário:

  1. ao som de Andrew Bird me deparo com o fim do amor... e nessa insustentável levessa de ser dos nossos desejos em luta contra nossos sentimentos, aceitar pareceu ser o cerne da tua proposta Camilo ... mas e esse termômetro, onde se encontra quando se fala de amor?

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