sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O Dramaturgo e o Poeta

Meu, eu não desisto desse cara. Ele é muito bom!
Tá pensando que eu tô falando de dramaturgia?
Não, meu amigo, tô falando de poesia.
Qual poesia?
Esta, meu caro, logo aqui, abaixo.
Visualizou?
Achou o que eu acho?
Não?
Então, leia.
Depois discutimos.
Se isto é texto ou é rio;
se é canção ou vento;
se é contemplação ou movimento;
se é... (entendeu?)...
Quem chorou não riu!



Mignon Pensive

Enxergo Mignon num filme monocromo,
a mão direita sobre a esquerda segura
um desejo, por certo preso ao peito,
e no rosto um queixume quase aflora.

À sinistra está sombria, à destra iluminada,
mas há no íntimo uma luz trêmula, singela,
que o ocre das vestes pesadas dissimula,
da flor do coração, bem pouco se revela.

Seus lábios pedem um beijo,
um pousar sutil de mariposa,
que viesse provar o sabor
do campo, numa framboesa.

Jóias negras são seus olhos,
de outros brincos não precisa,
enfim, percebo em que medita,
inventa meu sonho, pensativa.

Camilo/01/09.

Um comentário:

  1. "À sinistra está sombria, à destra iluminada,
    mas há no íntimo uma luz trêmula, singela,
    que o ocre das vestes pesadas dissimula,
    da flor do coração, bem pouco se revela"

    O iluminismo da razão sufocando e/ou prendendo o oriente da emoção que nas palavras de Camilo fluem em rio e texto..canção e vento...contemplação e movimento..lento...denso..shsss......

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