segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O Dramaturgo e o Poeta




Tchêêêê...! Olha só o que o Camilo enviou desta vez.

Sem palavras, Mestre...

Balada para o irmão de meu amigo.

Quatro horas da manhã.
Acordo num sobressalto de lucidez,
no convés de um navio abandonado.
Pela vidraça da escotilha,
dentro da cabine do irmão de meu amigo,
vejo mapas espalhados pelo chão,
e, sobre a mesa, iluminada por uma vela que ainda arde,
vislumbro seu poema inacabado :

" A luz da vela
passando permanece
ninguém se torna velho
ninguém amadurece
por ter duas pontas
essa agulha não costura
a distância entre a terra e a lua
está numa lágrima
que a língua do sol enxuga..."

Uma brisa repentina folheia as páginas do diário,
a luz amarela do lume tremula mas persiste,
projetando nas paredes imagens vagas
de ruinas e maremotos, que ofuscam
outra imagem anterior, esmaecida,
de uma família acenando adeus
em um porto remoto.

"...cortaram a corda da âncora
e a nave vagueia às escuras
embarcação que não aporta
agulha que não costura..."

Agora recordo dos outros, meus companheiros.
Toda aquela tripulação intrépida está agora alhures,
perseguindo-se pelo botim de velhas piratarias.
Não sabem, não lembram, que permaneço só,
último guardião desse navio antigo.
E o inventário daquela aventura
que todos eles procuram,
está no diário de bordo
do irmão de meu amigo.

camilo, 2006.

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