quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Não sei se foi a posição das estrelas (continuação)


(Capa original do livro de HILDEBRAND, Aracy, Ed. Cia. Nacional, Sâo Paulo, 1955, 9ª Edição)

Dando continuidade à postagem anterior, quando me referi ao fato de ter um poema selecionado para participar de uma coletânea de poesias, gostaria de apresentar a vocês o trabalho selecionado e falar um pouco sobre ele, sobre como surgiu.

Acho que todos os que cultivam o hábito da leitura (mesmo que esporádico), ao se depararem com a obra de alguém, e que lhes caia no gosto, sempre ficam a perguntarem-se "mas de onde é que ele tirou isto?". Alguns escritos parecem que contam a nossa história, tal a maneira como se encaixam na nossa vida em determinado momento. Outras vezes ficamos curiosos querendo saber: "será que o autor vivenciou isto que ele está narrando? Porque parece que ele está falando de uma experiência pessoal, tal a maneira como ele domina o assunto.".

"Deusdios" tempos da faculdade de Letras, aprendemos, "deusdio" primeiro semestre, que não se busca a pessoa do autor retratada naquilo que escreve. A história que está sendo entregue ao leitor não é uma autobiografia, portanto o autor é um narrador (mesmo quando alguma personagem fala em primeira pessoa), apenas, de uma outra história que não a sua. Mas, convenhamos, é muito difícil nos retirarmos completamente do texto que escrevemos. Alguma parte, pelo menos, reflete nossa maneira de pensar, de entender o mundo, ou, então, refere-se a algum momento real de nossa história de vida.

A poesiaminha que foi selecionada chama-se "NÃO SEI SE FOI A POSIÇÃO DAS ESTRELAS" e foi escrita como uma forma de resolver uma profunda frustração ligada a necessidade de matar um sonho. Um grande sonho.

"Deusdique" conheci a mulher que amo, sempre sonhei em ter com ela um filho. Nossa história de amor, entretanto, não nos foi favorável, sendo ponteada por vários e lastimáveis afastamentos. Como resultado, construímos vidas próprias - cada um a sua. E tivemos nossos filhos: eu tive uma menina e um menino, ela teve uma menina. Constituímos famílias e coisa e tal.

De uns anos para cá, porém, nos aproximamos inexorávelmente. Entretanto, devido a nossa "idade avançada", mesmo que, desta vez, venhamos a ficar juntos definitivamente, já não nos será mais possível termos um filho, justamente por já estar ela num período da vida em que uma gravidez passa a ser um processo de alto risco. Então, em face dessa realidade imposta pela natureza humana, tive de matar um sonho. E o sofrimento, ao matá-lo, foi muito grande. A fim de poder lidar com a realidade desfavorável, fiz este poema. Uma forma de desabafar, de dar um grande suspiro, de deixar que o morto morra em paz.

Eis o poema. Espero que agrade aos leitores. Se possível, gostaria de ter algum retorno daqueles que o lerem, até para antecipar os planos de um futuro voo mais alto, mais arriscado. "Deusdijá", agradeço.

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