quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Não sei se foi a posição das estrelas


(Capa original do livro de HILDEBRAND, Aracy, Ed. Cia. Nacional, Sâo Paulo, 1955, 9ª Edição)

E então aconteceu. Dois anos e um mês depois de publicar meu primeiro poema aqui neste blog (foi a primeira vez que trouxe a público um escrito meu), este Ente Maldito foi selecionado, entre vários poetas de todo o Brasil, para participar de uma coletânea de novos autores, com o intuito de homenagear a inesquecível poetisa Cecilia Meireles (sempre me declarei um Ceciliano, tendo em vista a grande influência estilística que os textos dessa autora exerceram sobre mim).

A coletânea será lançada pela Editora Baraúna Ltda, com sede em São Paulo, sob o título "O Efêmero e o Eterno - Coletânea de Poesias". Não ganharei nada por esta participação, pelo contrário, ainda terei que pagar, porém minha vibração prende-se ao fato de ter sido selecionado entre tantos que enviaram seus textos e de ter a oportunidade de ver, pela primeira vez, uma poesia minha publicada em papel, no formato livro.

Quando lembro da minha timidez e da pouca confiança que tinha no meu trabalho, há pouco mais de dois anos, fico admirado com a velocidade com o que se descortina agora, aconteceu. O meu grande amor (sempre ela) foi a impulsionadora deste processo e, por isso, quero compartilhar com ela da colheita e do desfrute deste primeiro fruto da minha árvore. Enquanto eu inventava milhões de motivos (desculpas) para não mostrar a minha arte, ela os ia derrubando, um a um, com seus argumentos de valorização e reconhecimento. E isso não é de agora. Desde que nos conhecemos (há 23 anos) é assim. Quando eu ainda escrevia arremedos de poesia (umas coisas bem "rupestres", na verdade) e ela os achava lindos, fantásticos, maravilhosos, incomparáveis (o amor é cego, mesmo! Bah!), já me dizia que eu deveria publica "aquilo". E eu, apertando o fígado para disfarçar o mal-estar, lhe dizia que ainda tinha muito o que melhorar antes de publicar algo. E havia também as músicas. Até hoje não sei se aquelas manifestações dela eram de apreço, de reconhecimento, por amor, ou pura loucura mesmo, sabe? Daquelas brabas! Genéticas! Que não tem cura nem com células-tronco. E ela insistia, insistia: "Ah, grava um disco." (na época ainda não havia os CDs, eram só os discos de vinil - que, graças à tecnologia, estão voltando com tudo!), "Te inscreve num concurso, toca num barzinho...", e por aí coisa ia.

Nunca segui seus conselhos, sempre enclausurado num medo horroroso de expor meu trabalho à crítica. Mas aí vieram os "enta" (já passei dos quarenta) e as barreiras que eu impunha começaram a ceder. Criei este blog, comecei a participar de um grupo de discussão literária chamado "Saindo da Gaveta", declamei pela primeira vez minhas poesias em público durante o evento "PortoPoesia / 2007", comecei a ir a saraus e mostrar meus poemas, até que, enfim, me inscrevi numa seleção. E não é que deu! Atualmente ninguém mais me segura: entreguei um conjunto de poesias minhas para um editor, criei o estilo poético a que denominei, provisoriamente, de Tercetos, cujo manifesto de lançamento pode ser encontrado aqui no Blog, sou sócio-fundador de uma Associação Cultural, pretendo organizar e ministrar, a partir de março, na sede dessa associação, uma oficina regular de haicai, e estou elaborando um projeto de um pocket-show envolvendo declamação poética, grafite e música cuja intenção é levar para todo o Brasil e, se possível, a alguns países da América Latina, a poesia "joanina" aos moldes dos menestréis.

Vejam só a criatura que essa moça libertou! Obrigado, meu lindo amor!Mas, já que estamos nos agradecimentos, não posso me esquecer de agradecer a um grande incentivador e divulgador e cicerone e amigo: Rafael Trombetta, da MaisQNada Produtora Cultural. Foi ele quem me apresentou ao "Saindo..." e me abriu a portas para que eu pudesse participar do 1º PortoPoesia. Também foi ele o primeiro a me dar um horizonte de possibilidades plausíveis para a edição e publicação de um livro de poemas.A seguir vem os meus grandes amigos Águias, o casal Roberto Jung e Carmelina, que me fizeram, definitivamente, acreditar no meu potencial artístico e deixar, de uma vez por todas, a falsa modéstia de lado.

Por fim, um agradecimento especial a todos aqueles que leram meus poemas e me retornaram alguma palavra de incentivo, ou de apreço. Muitas dessas pessoas continuam anônimas na minha vida, isto é, sei delas apenas o seu apelido na internet, porém, suas observações, comentários, elogios, foram fundamentais para que eu passasse a acreditar mais em mim e a botar mais fé no meu taco, dando-me a certeza de que produzia uma obra de boa qualidade e digna de publicação.

Muito obrigado, meus amigos. O primeiro fruto veio. Que frutifique a árvore toda, para o deleite de todos nós.

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