sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Eu escrevi isso? (A Série)

Pois é. Nem sempre quem escreve está a fim de escrever algo que faça algum sentido, ou que, pelo menos, denote algum sentido. Algumas vezes a gente quer escrever bobagens. Brincar com coisa séria. Falar só por falar. Dizer um monte de abobrinhas. Encher lingüiça (eu não vou deixar de usar o trema, mesmo que me chamem de analfabeto! Além do que, eu não me chamo beto, chamo-me (ou assim me chamam) João. Então, me chamem de analfaJOÃO, assim sinto-me melhor identificado).
Foi por isso que resolvi criar esta série, a qual estou dando início hoje. Toda a vez que minha cabeça estiver somente a pensar besteira ou só conseguir produzir idiotices, publicarei as porcarias todas sob o guarda-chuva deste título: "Eu escrevi isto?". Fácil, né? Assim fico com as mãos bem limpinhas (Dá-lhe, Pilatos, meu rei!).
Então tá. Para mim está tudo combinado. Vamos começar com este "troço"...

Cruzando o céu,
vindo do espaço infinito,
o primeiro cavaleiro de Deus
traz, bem segura na mão,
a carta, da qual é guardião,
sob cujo selo se esconde o implacável arbítrio.

A espada em linha reta,
apontada para o horizonte,
divide o firmamento ao meio
com um corte flamejante.

Do ultimo círculo do céu,
subido em seu trono celestial,
acompanha, Deus, o seu mensageiro
em sua derradeira missão.
Soa pelos ares o som
das incontáveis trombetas agelicais.
É chegada a hora!
Treme a terra. Aterrorizam-se os mortais.
Com sua espada, o anjo traça,
um círculo do tamanho do sol.
Ergue a carta amaldiçoada e...

- Atenção, atenção. Aeronave não identificada.
Aqui é SINDACTA 1. Identifique-se, por favor. Câmbio.

Com essa, o anjo não contava!
Interrompendo o gesto,
busca pela voz misteriosa.

- Atenção, aeronave, câmbio.
Você está em espaço aéreo brasileiro.
Identifique-se. Câmbio.

Atônito, o anjo diminui o passo.
Volta o olhar para o céu e diz:
- E agora, Senhor, o que faço?

- Aeronave não identificada,
este é o último aviso.
Identifique-se ou a força aérea será acionada.
Copiou? Câmbio.

No trono, remexe-se, Deus,
inquieto com a demora.
Esperou por quase uma eternidade
e logo isso, agora?

- Atenção, aeronave não identificada,
câmbio. Você está em muito baixa altitude.
Corrija, por favor. Corrija. Câmbio.

Novamente o anjo pergunta,
abrindo os braços, ao céu:
- E agora, o que faço, meu Deus?

- Aeronave! Aeronave! Lagacy a seis horas!
Repito. Legacy a seis horas! Câmbio.
Suba! Suba! Copiou? Câmbio.

O cavaleiro está parado.
Bem no meio do azul.
Onde se encontram os quatro ventos
que sopram de leste, oeste, norte e sul.
E agitando novamente os braços,
cada vez mais nervoso,
pergunta outra vez ao Todo-Poderoso:
- E então, meu Senhor, o que faço?

E Deus, do alto de sua infinita onipotência,
finalmente diz:
- O quê?
- O que que eu faço?
- O quê? Não consigo ouvir nada
com essa zorra! Jacó! Jácó!
Manda os anjos pararem com essa porra!

Na terra, perplexos, sem nada entender,
a massa dos homens espera
o momento infausto de perecer.

- Aeronave! Aeronave! O lagacy!
Suba! Suba! Vocês vão bater!
Suba! Sub...

CA-TA-PLOUMMMMM!

Gira o cavaleiro no dorso
do cavalo, pelo avião, decepado.
Cai vertiginosamente
- e completamente desequipado -.
A carta voa-lhe da mão.
A espada lhe escapa por outro lado.
E o corpo angélico despenca
despedaçando-se no chão condenado.

- Jacó! Jacó! - Grita, Deus,
já com a infinita paciência
posta de lado.

Diante do imprevisto espetáculo,
vibra a multidão inebriada.
Falarão do acontecido por séculos,
e ainda exibirão a carta e a espada.

- Jacó! Jacó! Não consigo ouvir nada!
Jácó, seu desgraçado,
aposto que a tua mãe morreu apedrejada!

- Atenção, comando. Aqui SINDACTA 1.
Câmbio. A águia caiu. Repito. A águia caiu.
Câmbio.

Sobre a terra, um grande silêncio
se instaura.
Nenhum vento, nenhuma brisa sopra.
A natureza inteira parece morta.
Alguém, então, só de brincadeira,
estala, no pandeiro, a primeira nota.
Logo atrás vem os outros.
Ruge a bateria.
Requebram milhões de mulatas
na mais pura e suada alegria.
Explode o carnaval!
Fervem os corações
no mágico caldeirão da fantasia.
A folia toma conta do Juizo Final.

De seu trono iluminado,
a contemplar aquela festa,
apoiando em ambas as mãos
a divina testa,
resmunga Deus para os seus:
- Puta que o pariu!
Pra acabar com esse povo
nem se eu mandasse
um exército de bestas!

- Atenção, comando, câmbio. Aqui SINDACTA 1.
O legacy pousou. Repito. O legacy pousou.
Câmbio.

Ente Maldito, 21/01/09

Um comentário:

  1. muito bom, Joao!!!
    está lincado no meu blog, caro Aguia...

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