segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Discernimento, a palavra mágica!


Por: Ente Maldito


Esta notícia li-a no Blog de Tecnologia do IG (IG Tecnlogia - Porque a tecnologia controla o mundo) - Que frasezinha bem idiota, não acham? "Porque a tecnologia controla o mundo". Gostaria de saber quem foi o desprovido-de-neurônios que bolou esta merda. Nada controla o mundo, seu imbecil, nem nós, os seres humanos. Se algo, ou alguém, controlasse o mundo, não estaríamos vivendo o descontrole atual. E, ainda por cima, o "anarfa" faz parte da turma que se "enterte" (entretém) espancando o vernáculo: se o Porquê aqui utilizado foi com a intenção de dizer que tal coisa existe por algum motivo, causa, razão ou circunstância, deveria ter sido usado na forma "Por que", isto é, por qual (motivo, causa, razão ou circunstância), então o entendimento "óbvio" seria: o IG mantém um Blog sobre tecnologia por que a tecnologia controla o mundo. Porém, se o Porquê está exercendo uma função explicativa, isto é, a oração que o segue "esclarece", "justifica", "dá a causa" de algo afirmado anteriormente, então ele está corretamente grafado, mas fica a dúvida: cadê a afirmação anterior? Não há nada antes dessa oração que denote alguma coisa, do tipo: O ser humano parou de destruir o planeta "porque a tecnologia controla o mundo.", Só viajo a pé "porque a tecnologia controla o mundo.", Só perco o controle "porque a tecnologia controla o mundo.", e assim por diante.

Agora, se tentarmos fazer, como fizemos um pouco antes, a construção de uma frase com o entendimento possível de que dispomos, ficaria mais ou menos assim: O IG mantém um Blog porque a tecnologia controla o mundo. Impossível não questionar: ora, se a tecnologia não controlasse o mundo, o IG não teria Blog de tecnologia? O Blog só existe devido ao controle tecnológico? A frase não diz, não explica. Vamos iniciar uma campanha feroz e descontrolada: pelo ensino da língua portuguesa nas faculdades de jornalismo, publicidade e propaganda e tecnolgia da informação, do primeiro ao último semestre, porque (pois) quem terá de "traduzir" o que esses seres rupestres quiseram dizer com o que disseram, seremos todos nós - e 99% não irá conseguir.

Bem, mas retomando o assunto que me levou a iniciar esta postagem, dizia eu que lia no IG Tecnologia uma notícia, que é a seguinte (transcrevo ipsis litteris (com as mesmas letras)):


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Campus Party: coelhinha da Playboy é assediada no evento

Desde o início da Campus Party, o estande da Abril tem utilizado da presença de coelhinhas da Playboy para atrair mais “curiosos” ao seu espaço. Se, neste evento, caberia ou não tal forma de “publicidade”, não nos resta julgar, o problema, no entanto, está “mais embaixo”. Na tarde deste sábado, enquanto três coelhinhas andavam pela arena do evento, tirando fotos e distribuindo flyers, um campusero decidiu se aproveitar da garota; após o flash da foto, ele “passou a mão” na menina, deixando-a constrangida.
A reação da coelhinha foi de indignação instantânea e o rapaz revidou desconversando, fingindo que não havia feito nada. A garota, nervosa, desistiu da argumentação e foi embora com os olhos marejados.



Foto: skateonrails



Indignada com a atitude, coelhinha preferiu se retirar do que brigar

Os blogueiros e campuseros do evento reagiram com veemência à atitude do rapaz, que em seu Twitter afirmou que tudo não passava de uma aposta: “Eu fiz o que todos no evento queriam fazer, mas não tinham coragem”, se vangloriou.
O debate da ação tomou todas as mídias sociais online, entretanto, infelizmente, nenhuma atitude real foi tomada, nem pelos campuseros, nem pela organização do evento.
Assim como aconteceu com a banda Leme, a atitude de mau-gosto envergonha todos os participantes do evento. Só dá para esperar que esse tipo de coisa nunca mais aconteça na Campus Party.

Enviado por: Caio Teixera

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CARACA!

(E mais uma vez: CARACA!)

Num primeiro momento, fiquei sem saber o que dizer. Nem o que pensar sobre o episódio. Na verdade, a pergunta que se apossou de mim, e que ainda não encontrou resposta satisfatória é: de quem foi a idéia cagada de botar "coelhinhas da Playboy" num evento de tecnologia? Atrair "curiosos"? Curiosos pelo quê? Qual a curiosidade que a Abril tentava satisfazer com suas "coelhinhas"? A Abril, agora, está fazendo o papel de Mônica, dando "coelhadas" nos seus leitores?

Vamos raciocinar. Não podemos ser impulsivos. Quando se trata de comportamento humano, sair condenando uns e canonizando outros pode ser perigoso. Vamos dar uma de açougueiro e analisarmos a situação por partes.

Primeira parte - A Editora Abril, num lance de marketing agressivo, buscando atrair a atenção do público frequentador do encontro, decide colocar em seu "stand" um grupo de mulheres usando fantasias iguais àquelas usadas por um outro grupo de mulheres, cujo papel é o de promover a venda de uma revista voltada ao público masculino. O corte dessa roupa valoriza, propositalmente, a sensualidade e a sedução, prometendo ao público consumidor dessa revista momentos de prazer e lascívia.

Segunda parte - A Editora Abril dá ordem para que essas mulheres circulem pelo espaço da feira, oferecendo-se para posar para fotos junto com os que assim desejarem, passando a imagem de que aqueles com quem estão, as "seduziram". Para valorizar o instantâneo fotográfico, fazem caras, bocas e poses denotadoras de que "algo pode rolar". Além disso, distribuem flyers de produtos da Editora Abril.

Terceira parte - Homens. Muitos homens. Homens com destinos traçados pela testosterona, que circula em grande quantidade nos seus corpos, conferindo-lhes características físicas e psíquicas que os diferenciam daquelas encontradas nas "coelhinhas". Uma destas características é o efeito que a visão de uma mulher seminua provoca. Socialmente, os homens reagem com risadinhas "amarelas", fazendo o papel de que estão fazendo parte daquele teatrinho e entendendo que tudo não passa de uma brincadeirinha (ha hi ho hi hu hi ha). Internamente, porém, os seus corpos e suas mentes não se comportam assim, e passam a trabalhar em conjunto a fim de prover a melhor maneira de abordar aquela fêmea, seduzí-la e conduzí-la à alcôva, não para outros fins, senão os libidinosos. Acelera-se a produção de sêmem e esperma, aumenta o batimento cardíaco e surge um leve descontrole muscular acompanhado de entumescimento e enrigecimento do membro viril, vulgo pênis.

Quarta parte - O contato físico proporcionado pelo ato de posar para a foto. Bem... Aqui começa o perigo. A grande maioria dos homens, devido ao bombardeio de exigências que lhes são impostas, aliadas a ameaças legais variadas, mantém o controle sobre seus impulsos. Mas alguns... ah, alguns... alguns, simplesmente, não conseguem se segurar! Aliás, seguram-se ao máximo, avaliam a situação, as conseqüências, a problemática da solucionática e, geralmente, optam por ficar na sua. Este caso, no entanto, reveste-se de uma característica especial: a moça está caracterizada para "seduzir" e não para "brincar". Além disso, a vestimenta escolhida remete a uma revista que repete constantemente a mesma mensagem para os homens: nossas mulheres são escolhidas "à dedo" somente para proporcionar prazer.

Quinta parte - A mão boba. E agora? A moça se sente "desrespeitada", "agredida", "violada", afinal ela não consentiu com aquela atitude, sequer pensava nisso quando aconteceu, estava apenas cumprindo seu papel, é só trabalho, mais nada, além disso ela não tinha como avaliar o que a sua roupa provocava no sexo oposto (nem sempre só no sexo oposto); aliás, por ser mulher, não tem a mínima idéia do que acontece ao sexo oposto e, tampouco, tem condições de saber, pois são coisas que jamais sentiu, nunca irá sentir e o que sente é exatamente o oposto do que o oposto sente, então...

Sexta parte - A mão boba. E agora? O cara acha que a moça não vai se importar, supõe que uma "avançadinha no sinal" será interpretada como parte da brincadeira, é tudo só um "joguinho", ela faz de conta que não sabe o que provoca, e ele faz de conta que faz aquilo por mero descuido. Não vai dar em nada, ele não tem a ilusão de que irá conquistá-la para algo mais "sério", é uma brincadeira, faz parte (ha hi ho hi hu hi ha). Ele ainda argumenta, mais tarde, que o ato teria sido motivado por uma aposta feita com amigos: então temos "tarados" de plantão, voyers, que se deliciam em ver um outro fazer o que eles gostariam, no seu lugar.

Sétima parte - A hipocrisia. Um monte de gente se levanta recriminando a imoralidade e a desfaçatez da atitude do "monstro da Campus Party". Muitos ameaçam bater nele até a morte. A moça chora. Porém... vamos às conclusões.

Oitava parte - Conclusão. Atire a primeira pedra o cara que nunca cometeu uma besteira dessas (não precisa ser igual, pode ser semelhante, como um carinho no rosto ou no cabelo, uma seguradinha no braço, um abraço "inocente" por trás, uma roçadinha de braço ou de mão). Agora, saem por aí chamando de tarados a todos os que fazem o mesmo, dando uma de moralistas e bastiões dos bons constumes. Atire a primeira pedra, também, a cara que nunca passou por uma situação constrangedora (ou "difícil") e teve que "dar uma volta" para se livrar da encrenca. Estava tudo bem e, de repente, aquilo. Bah, e agora? O cara que eu julgava ser o meu melhor amigo se insinuando pra mim... Ou: Estava tudo bem e, de repente, aquilo. Bah, e agora? A cara que eu julgava ser uma grande amiga se insinuando pra mim... Vou ou não vou? Ah, pára! Vai dizer que não pensou, por um átimo de segundo, na possibilidade de topar. Hmmmm... Sei... Então, tá.
Todo mundo vive testando todo mundo. A energia sexual move homens e mulheres 24 horas por dia. Vamos parar de fazer tempestade em copo d'água e sermos realistas: o cara tentou. Não deu. Foi só.
Como disse uma amiga: "É claro que agride! Mas também depende de quem é o dono da mão. Daí..."


É tudo, caros amigos, uma questão de discernimento. A Abril não tinha nada que colocar mulheres seminuas e provocantes no seu "stand", nesse evento. A moça sem-noção, não tinha nada que topar sair desfilando seminua no meio de um monte de homens, fazendo que não sabia o que a sua (falta) de roupa provocava. O rapaz sem-noção, não tinha nada que passar a mão na bunda da moça, ferindo-lhe a dignidade, como se isso fizesse parte de um "direito natural" seu tendo em vista o fato de a moça estar pouco vestida. Os organizadores do evento (pelo jeito, os mais sem noção dentre todos) deveriam ter avaliado o impacto daquilo que permitiram que se realizasse nas dependências do encontro. Faltou a todos uma coisica básica, que é o que impede que façamos o que quisermos, com quem quisermos, no momento em que quisermos: discernimento. Discernimento sobre o local, a atividade, as pessoas, a situação, o ambiente. Sou capaz de apostar como se isso tivesse ocorrido numa partida de futebol, numa festa rave, numa festa de senhores abastados, num festival de cinema, numa visita promocional das coelhinhas ao Bairro Rubem Berta (em Porto Alegre), não causaria a menor repercussão.

Faltou discernimento. Também, hoje em dia, quem pensa?

- Eu?

- Eu não!

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