domingo, 21 de dezembro de 2008

O Amor nos Tempos do Cólera


Há algum tempo fui ver o filme "O Amor nos tempos do cólera", baseado no livro homônimo de Gabriel García Márquez.
Confesso que fiquei decepcionado. Não lembrava mais do livro - que havia lido há muitos anos -, mas, de saída, já não gostei do fato do filme ser falado em inglês: "pô, um texto espanhol, rodado num país da América do Sul, onde se fala espanhol, e todo falado em inglês? Tem alguma coisa errada nisso.", pensei. Além disso, dava para notar que as situações de encontro e desencontro entre Florentino Ariza e Fermina Daza estavam muito longe da espontaneidade. A coisa toda era meio forçada, maniqueísta, como se se quisesse atingir um objetivo de qualquer maneira.
Fiquei com a impressão de que o diretor do filme teria ficado inconformado com o destino daquele amor que ele acreditava ser o centro do livro.
Ledo engano. Saí do cinema disposto a reler G. G. Márquez. E reli. Com imensa satisfação, pois o texto é maravilhoso.
O livro não trata do amor entre duas pessoas. Trata do amor que há nas pessoas. O amor que leva as pessoas a fazerem coisas que, se não fossem movidas por amor, jamais fariam. O amor que leva a abrir mão de sonhos, de desejos, de quereres.
São muitas as formas de amar, narradas no livro. Infelizmente o diretor prendeu-se a apenas uma delas e, com isso, deixou de fora um cabedal (cabedal é bom, né?) de manifestações amorosas extremamente representativas, pois é pouco provável que alguém não tenha passado por pelo menos uma daquelas representações de amor possíveis.
Ao insistir para que a história de Florentino e Fermina seguisse os mesmos passos de outra, muito conhecida, a de Romeu e Julieta, o diretor acabou por disturbiar a personalidade ambiciosa de Fermina e a discrição de Florentino.
Fiquei revoltado. Não aconselho ninguém a assistir ao filme. Leiam o livro e tenham um encontro fantástico com a vida e suas possibilidades.
Depois da releitura, influenciado por ela, terminei emocionado com a persistência do personagem Florentino Ariza. Amar por uma vida inteira... Esperar por uma vida inteira... Mas, e daí? Isso é amor, não é? Cada um tem o seu jeito de vivê-lo, e é importante que o viva; é imprescindível, na verdade.

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