domingo, 7 de dezembro de 2008

Ilha das Flores

Este curta já é famoso por demais, mas nunca será demais revê-lo. Sabe quando tu estás meio esquecido do que significa ser humano, viver em sociedade, etc.
Este filme, em particular, aborda a situação que NÓS criamos aonde só tem direito a comida quem puder pagar por ela. Quem não tiver dinheiro, não come. Muito simples.
Aí, vem um desses representantes de produtores rurais e tentam te convencer que a atividade deles é a mais nobre do mundo, pois é voltada unicamente para alimentar a população brasileira. E que se sentem recompensados por saberem que seu trabalho é o motor do crescimento deste País, pois um povo bem alimentado, é um povo bem disposto.
Aí, tu ficas sabendo que grande parte do que é produzido é exportado. E não apenas o excedente. Ou seja, o alimento que aqui se produz vai alimentar outras pessoas, em outros lugares, e não é por nenhum outro motivo mais nobre senão o de ganhar dinheiro.
E então, tu descobres que o preço desse mesmo produto que é exportado, quando vendido em território nacional, chega, algumas vezes, a custar mais caro do que custa lá fora, tudo por conta do tal custeio da lavoura ou da criação, que é calculado em dólares, pois paga-se royalties para as empresas que vendem os insumos que são usados nos campos e lavouras, já que TODAS as empresas que fornecem adubos, inseticidas, pesticidas, sementes transgênicas, assistência técnica, compram a produção, são estrangeiras.
Até aqui, tu já estás com vontade de jogar uma bomba no prédio da FARSUL, que é uma das federações representativas de produtores rurais. Mas tu ainda vais ficar sabendo que, para diminuir custos, produtores escravizam pessoas, seja pagando quantias aviltantes pelo mão-de-obra, seja escravizando mesmo. E contrabandeiam (não pessoalmente, evidentemente, pagam a alguém para fazê-lo) produtos de países vizinhos, tais como adúbos e sementes. E tomam empréstimos que nunca mais vão pagar. E governos, como o do Rio Grande do Sul, ficam com aquela cara de "eu não sei de nada", enquanto toneladas de contrabando passam pelas estradas sem sofrerem qualquer fiscalização. Agora, tu já estás com vontade de incendiar a lavoura e dizimar os animais.
Pois é, meu amigo. E a todas essas, nós pagamos por meio de impostos.
Sabe quem alimenta, no fim, os mortos de fome que vagueiam por esse Brasil a fora? Tu, eu, o teu vizinho, o teu colega de trabalho ou estudo, ou seja, NÓS, que formamos a população urbana. Com o quê? Com o trocadinho na sinaleira, com o lanchinho no bar, com a comida dada ao portão, com o paninho de prato que tu compras da criança na calçada, com as participações nas campanhas de auxílio alimentar. E sabe quem não alimenta? Quem não tá nem aí? Eles, os produtores rurais, os latifundiários, os estancieiros, que estão muito mais preocupados em trocar de camionete todos os anos do que suprir a fome de alguém.
Daí se conclui que a gente paga - e muito - para que se produzam alimentos, paga - e muito - para consumir os alimentos produzidos, e depois paga - e muito - para que quem os produz não precise pagar nada! E tampouco se responsabilize socialmente por esse grave problema que nos assola que é a fome. E nós somos um dos maiores produtores de alimentos do mundo! Dá pra entender?

Vamos ao filme:

Título: Ilha das Flores
Gênero: Documentário, Experimental
Diretor: Jorge Furtado
Elenco: Ciça Reckziegel
Ano: 1989
Duração: 13 min
Cor: Colorido
Bitola: 35mm
País: Brasil


Clique no porquinho para assistir ao filme.

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