quinta-feira, 31 de maio de 2007

Bixo, dá a seda

Cara, tá muito frio aqui no portinho. E a previsão é de que os termômetros vão baixar ainda mais. Sorvete e cervejinha gelada nem junto à lareira. Infelizmente até o nosso frio é discriminatório: para quem tem grana, tudo bem: fica num (ou vai para) lugar bem quentinho, com lareira ou aquecedor, toma um vinhozinho amigo, namora agarradinho, acende o fogão a lenha, faz um fogo de chão, etc. Mas para quem não tem... Vixi!
Uma forma boa de se aquecer é dançar. Dançar e pular. Pular e gritar: "Aumenta, que isso aí é rock and roll!!!" Por isso, achei que seria uma boa postar uma das boas e velhas bandas portoalegrinais para agitar o esqueleto e mandar o frio para a ... linha do equador.
Mas, antes de detonar, vamos saber mais sobre que banda é essa, lendo o texto escrito por Iuri Daniel Barbosa, para o site Whiplash.net.

Senhoras e Senhores, com vocês...

BIXO DA SEDA
Os anos 70 estavam começando. O sonho tinha acabado(?), os Beatles já não existiam mais. No outro lado do Atlântico, a "América" perdia seus três maiores ícones: Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison. Como no inicio da década passada, o rock se reciclava através das bandas inglesas. O estilo já tinha se consolidado como um movimento social, uma arma nas lutas da juventude.
Nesse contexto, mais precisamente no ano de 73, um guitarrista porto-alegrense chamado Zé Vicente Brizola (filho de quem você está pensando) tem a brilhante idéia de formar uma banda de rock, convidando seu amigo Mimi Lessa, considerado na época um dos melhores guitarristas do país. Mimi estava voltando do Rio onde fez sucesso com o Liverpool, banda em que também tocava seu irmão Marcos (baixo), e seu primo Edinho Espíndola (bateria). Os dois acabam por entrar no projeto, que tem sua formação "quase finalizada", com o ingresso de um experiente tecladista do cenário da capital: Cláudio Vera-Cruz.
Influenciados basicamente pelo rock progressivo de bandas como Yes, Pink Floyd, King Crimson, Jethro Tull e Focus, juntamente com o Rock`N Roll básico dos Rolling Stones, faltava ao quinteto um nome. E este surgiu da forma mais inusitada: enquanto enrolavam um baseado, pensam na utilidade daquele papelzinho quase transparente, a seda. Aqui surgia uma das maiores de rock do Rio Grande do Sul, o Bixo da Seda.
Sem contar com um "frontman", acabam por dividir os vocais entre os integrantes do grupo, fato que acabaria quando convidam mais um ex-Liverpool, o maluco beleza Fughetti Luz, para ingressar na banda. Fughetti era talvez, a melhor definição para o termo Hippie. Logo na sua infância teve uma paralisia infantil, que deixou seqüelas irreversíveis em suas pernas, fato que dava um ingrediente a mais as suas performances. No começo da década, com o fim do Liverpool, foge da repressão militar exilando-se no Velho Mundo, sem ao menos falar uma língua que não fosse o bom e velho português. Fica lá por pouco tempo, sendo "convidado a se retirar" pelas autoridades européias.
De formação nova, o Bixo parte para o Rio, deixando no caminho Zé Vicente Brizola e Cláudio Vera-Cruz, sendo este último, substituído pelo ex-Bolha Renato Ladeira. No centro do país fazem diversos shows pelos festivais da época, dividem o palco com as grandes bandas dos anos 70, ganham o reconhecimento da mídia especializada e são contratados para gravar seu primeiro e único registro.
O LP Estação Elétrica, de 76, acaba por não mostrar o que era realmente o Bixo ao vivo. Toda energia que marcava o grupo no palco, não foi transmitida para o CD. Mesmo assim, contém grandes obras como Um Abraço em Brian Jones, em homenagem ao ex-Stones, as lindas baladas Vênus e Já Brilhou, e seu hino Bixo da Seda, com os famosos versos: Bixo, dá a seda, me deixa enrolar. A grande qualidade técnica dos músicos, as harmonias um tanto rebuscadas para uma banda de rock, e seus compassos totalmente fora dos padrões, características marcantes da banda, podem ser ouvidas em todas as músicas. Relançado no final do ano passado em CD, trata-se de um disco clássico do rock nacional.
A banda ainda durou mais três anos, até que Mimi, Marcos e Edinho entram para a banda de apoio das Frenéticas. Era o Fim do Bixo, o grande pilar Rock Gaúcho, referenciada por todas as gerações posteriores.
Hoje, os irmãos Mimi e Marcos vivem no centro país, participando de inúmeros projetos musicais. Edinho é um dos bateristas mais requisitados do Brasil, tocando atualmente na Fu Wang Foo. Fughetti "apadrinhou", na década de 80, diversas bandas, entre elas a Bandaliera, para qual compôs várias músicas, e o Taranatiriça. Lançou ainda dois discos solos e mora no interior do Estado.
Bixo da Seda
Estação Elétrica - 1976

01. Vênus (04:15)
02. Já Brilhou (05:08)
03. Como Teria que Ser (03:57)
04. Carrocel (03:34)
05. Bixo da Seda (03:18)
06. 7 de Ouro (04:51)
07. Gigante (06:00)
08. Um Abraço em Brian Jones (02:34)
09. Trem (05:04)


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quarta-feira, 30 de maio de 2007

No Te Va Gustar


Em Porto Alegre há um bar bem legal de freqüentar para bater um papo, namorar, reunir os amigos, dar uma paquerada: o Antiquário, localizado na Cidade Baixa, na Lima e Silva. Neste bar, inclusive, estão expostos um monte de cacarecos que, se lhe interessar, você pode comprar. Os donos são uruguaios. E foi lá que, numa bela noite de lua, acompanhado da mulher mais linda do mundo, uma verdadeira visão do Paraíso, travei conhecimento com uma banda uruguaia mui buena. Perguntei o nome e o proprietário me respondeu: no te va gustar. Achei que ele estava de brincadeira, pois se eu tinha perguntado pelo nome da banda era, evidentemente, porque eu tinha gostado. Perguntei novamente e, novamente, ele me disse: no te va gustar. Aí eu me invoquei. Achei que o cara já estava passando dos limites. Perguntei uma terceira vez, agora de cara fechada e olhando fixo nos olhos do cara, e pensei: "Se esse camarada disser, mais uma vez, que eu não vou gostar da banda, ou de saber o nome dela, eu vou dar uma porrada na cara desse maluco." - "Como é o nome da banda?", "El nombre de la banda es No Te Va Gustar." Aaaaahhhh! Então caí na real: o nome da banda é que é No Te Va Gustar! Então, tá. Bah, eu tava pensando que tu tava tirando onda com a minha cara. Bueno, valeu, vou ver se consigo alguma coisa desses caras na internet.". Procurei e achei. E estou compartilhando com vocês. Os caras são muito bons, vale a pena mesmo. Abaixo, uma pequena cronologia histórica da No Te Va Gustar e, a seguir, os CDs que a banda já lançou.
Baixem, ouçam e aproveitem. Vocês não irão se arrepender.

A Banda

No te va Gustar é uma banda de rock uruguaio, integrada por Emiliano Brancciari (voz e guitarra), Mateo Moreno (baixo e coros), Pablo Abdala (bateria), Gonzalo Castex (percussão), Martin Gíl (trompete e coros), Denis Ramos (trompete), Mauricio Ortiz (sax tenor) e Marcel Curuchet (teclados).

História

A primeira formação de No Te Va Gustar (NTVG) remonta ao ano de 1994, quando a maioria de seus integrantes tinha cerca de 16 anos. Originalmente, um trio de baixo, guitarra e bateria. Entre os anos de 1996 e 1997, o som da banda evolui e se expande. Com a ampliação da percussão e a chegada de novos ritmos (reggae, candombe, salsa, ska, murga (uruguaia)), as raízes roqueiras originais se vêem enriquecidas e coloridas, sem perder seu predomínio.
Em 1998, já com um som formado e com um público atraído pela proposta renovadora do NTVG, o grupo obtém o primeiro lugar nos dois concursos destinados a bandas novas que se realizam nesse ano: o III Festival de la Canción de Montevideo, e o concurso organizado pela Comisión de la Juventud de la Intendencia Municipal de Montevideo. Durante o ano de 1999, a premiada banda continua percorrendo a maior parte dos palcos montevideanos, incluindo um tour por várias faculdades, entre os meses de março e maio.
No início de julho de 1999, o NTVG inicia a gravação de seu primeiro álbum: Solo de Noche, de forma totalmente independente, cujo lançamento se dá em dezembro desse ano. Durante o verão de 2000, a banda realiza um extenso tour pela costa oeste do Uruguai, incluindo Punta del Diablo, Valizas, Cabo Polonio, La Pedrera, La Paloma, Atlántida, El Pinar e Solymar. Em abril de 2000, o NTVG apresenta oficialmente Solo de Noche, na Sala Zitarrosa, de Montevidéu, com lotação esgotada.
Logo depois da apresentação deste disco, o grupo inicia um tour, que se extende até 2001, e que os levou a percorrer boa parte do interior do país. Nesse período, tocaram com vários artistas estrangeiros que visitavam o Uruguai, tais como Paralamas do Sucesso, Los Pericos e La Renga. Nessa mesma época, também, a banda realiza suas primeiras apresentações em Buenos Aires.
Durante a primeira metade de 2002, o NTVG se concentra no trabalho de produção e gravação de seu novo álbum. Para isso, eles viajam a Santiago do Chile e, com a produção artística de Mariano Pavez, gravam Este Fuerte Viento Que Sopla (Warner Chile/Bizarro Records). O disco é apresentado em 12 de outubro desse ano, em um Teatro de Verano repleto, dando início a um novo tour nacional da banda. A partir deste momento, a banda, já consolidada como um dos principais referenciais do rock uruguaio, inicia uma intensa agenda de shows, alcançando o Disco de Ouro em menos de seis meses do lançamento deste seu último trabalho.
2004 comença para o grupo com um tour pela costa argentina, compartilhando o palco com La Zurda e com uma das bandas mais fortes do momento, na vizinha do Prata, a Bersuit. Intensificam suas visitas à Argentina, tendo cada vez mais uma maior resposta do público. Se apresentam em La Plata e em vários bairros bonaerenses (Moron, Ramos Mejia, Lomas de Zamora, San Telmo).
Entre 15 de agosto e 20 de setembro, é gravado o terceiro disco no Del Cielito Records (estúdio-propiedade da Bersuit). Independentemente de tudo isto, durante 2004 continuaram percorrendo o interior do Uruguai, apresentando-se em Rivera, Salto, Tacuarembó, Mercedes, Sarandí Grande, Canelones, Tala, Pando, Rosario, Florida, Treinta y Tres, Melo, Rocha, San José, Paysandú, Migues.
Em 5 de março, apresentam, em Montevidéu, seu terceiro disco Aunque Cueste Ver el Sol, diante de mais de 10.000 pessoas. Este show foi registrado para sua futura edição em DVD, em fins de novembro de 2005.
No final de março, Aunque Cueste Ver el Sol é lançado simultaneamente na Argentina, Espanha, Alemanha, Suíça e Áustria. Em decorrência disso, no início de maio embarcam em seu primeiro tour europeu, apresentando-se em mas de 40 cidades, como por exemplo: Munique, Hamburgo, Bremen, Berlim, Viena, Berna, Basilea, Lucerna, Barcelona e Madrid, entre outras.

(Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Edição extemporânea: Supremo)

Discografía

(OBSERVAÇÃO: Apenas a título de curiosidade, observem que a faixa que receberia o número 13 nunca é colocada. A numeração pula do 12 para o 14. Nos discos baixados, no entanto, todos trazem, no lugar desta faixa, apenas 4 segundos do mais puro silêncio. Nos arquivos acessados a partir deste Blog, esse silêncio foi retirado.)

- Clique no nome do CD para fazer o download -
(Links atualizados em 25/06/2010)

Solo de Noche (1999)












01. Dejame Bailar (03:24)
02. Nada Para Ver (03:56)
03. Nadie Duerme (01:54)
04. Yrigoyen (03:21)
05. Llevame Contigo (03:13)
06. No Era Cierto (03:33)
07. Quemala 03:09)
08. Yalala la la m m (03:17)
09. La Ciudad de los Pibes Sin Calma (03:35)
10. Via Volvé (02:56)
11. Sólo de Día (02:47)
12. A la Villa (00:33)
13. (00:00)
14. No se les Da (03:08)
15. Cosa Linda (04:56)

Este Fuerte Viento que Sopla (2002)











01. Como Brllaba Tu Alma (04:09)
02. Tenés Que Saltar (03:21)
03. La Única Voz (05:21)
04. Machete (03:47)
05. Te Voy a Llevar (04:34)
06. Padre de la Patria (04:36)
07. Me Cuesta Creer (04:33)
08. Clara (04:10)
09. La Soledad (05:16)
10. No Hay Dolor (04:52)
11. Te Quiero Más (02:12)
12. Mucho Más Feliz (02:45)
13. (00:00)
14. Más Mejor (03:22)
15. No Necesito Nada (04:24)

Aunque Cueste Ver el Sol (2004)












01. Solo (04:35)
02. No Te Quiero Acá (03:22)
03. Verte Reír (04:24)
04. Ya Entendí (04:04)
05. Al Vacío (04:21)
06. Cielo de Un Solo Color (04:02)
07. Revolución (05:11)
08. Difícil (04:20)
09. Voces del Tiempo (04:18)
10. Fueron (03:56)
11. Voy (04:24)
12. Ni Uno Suelto (02:46)
13. (00:00)
14. No Llegas a Mi (02:41)
15. Adiós (04:22)

Todo Es Tan Inflamable (2006)












01. En La Cara (02:08)
02. Fuera de Control (03:30)
03. El Oficial (03:33)
04. Una Triste Melodia (04:07)
05. No lo Ves (03:34)
06. Pensar (03:20)
07. Eskimal (05:04)
08. Vivir Muriendo (03:44)
09. Simplesmente Yo (04:23)
10. Todo el Dia (02:29)
11. Ilegal (03:26)
12. Tirano (04:52)
13. (00:00)
14. Poco (04:13)
15. De Nada Sirve (03:41)

sábado, 26 de maio de 2007

A Estética do Frio

Tchê! Mas que frio! Fazer o quê? Por aqui é assim mesmo. Então vamos deitar e rolar (de preferência, bem acompanhados). Esse friozão todo me estimulou a postar alguém do nosso jeito: Vitor Ramil. Esse cara cunhou a expressão que melhor se encaixa com o nosso jeito de fazer cultura: a Estética do Frio. Vamos saber um pouco mais sobre esse vivente.
O texto abaixo foi tirado do blog Durango 95, onde tem muita coisa boa do que se produz aqui no sul, em especial em Porto Alegre.
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"Todos os seus discos têm sido gravados no Rio de Janeiro; lá, em Porto Alegre ou em Belém do Pará. Um público esperto acompanha muito de perto seu trabalho. Mas nada disso quer dizer que em algum momento ele tenha saído de Satolep.
Satolep é uma bela cidade, fria e úmida, situada no fim do fundo da América do Sul, às margens da Lagoa dos Patos. Suas ruas, que avançam para um norte ou para um oeste, aproximados, terminam no campo; as que vão para um leste ou um sul, num mesmo lento e silencioso rio. Os campos do oeste metamorfoseiam-se, aos poucos, num intrigante conjunto de morros que abriga pedras, cachoeiras e árvores frutíferas. Os campos do norte são grandes latifúndios que o asfalto das estradas federais costura. Atravessando o rio no sentido leste, chega-se ao areião de uma praia; no sentido sul, à uma planície radical...
Compositor, cantor e escritor, gaúcho de Pelotas, o caçula da familia Ramil, irmão de Kleiton e Kledir (lendária dupla da MPB e criadores dos Almôndegas), Vitor Ramil começou sua carreira artística ainda adolescente, no começo dos anos 80, com composições gravadas pelo grupo de seus irmãos.
Aos 18 anos de idade gravou seu primeiro disco Estrela, Estrela, com a presença de músicos e arranjadores que voltaria a encontrar em trabalhos futuros, como Egberto Gismonti, Wagner Tiso e Luis Avellar, além de participações das cantoras Zizi Possi e Tetê Espíndola. Neste período Zizi gravou algumas canções de Vitor, e Gal Costa deu sua versão para "Estrela, Estrela" no disco Fantasia.
A Paixão de V Segundo Ele Próprio. Com um elenco enorme de importantes músicos brasileiros, este disco experimental e polêmico, produzido por Kleiton e Kledir, proporcionou ao público uma espécie de antevisão dos muitos caminhos que a inquietude levaria Vitor Ramil a percorrer futuramente. Eram vinte e duas canções cuja sonoridade ia da música medieval ao carnaval de rua, de orquestras completas a instrumentos de brinquedo, da eletrônica ao violão milongueiro. As letras misturavam regionalismo, poesia provençal, surrealismo e piadas. Deste disco a grande intérprete argentina Mercedes Sosa gravou a milonga "Semeadura".
Em 1987, tendo trocado o sul do Brasil, Porto Alegre, pelo Rio de Janeiro, Vitor lançou Tango. Diferentemente do disco anterior, este era o resultado do trabalho de um grupo pequeno de músicos a partir de um repertório também reduzido. Em oito canções o furor experimental e lúdico de antes cedeu lugar a letras densas e elaboradas de canções que viraram sucessos. O letrista se afirmava e o compositor tornava-se mais sutil, proporcionando aos músicos e grandes improvisadores como Nico Assumpção, Hélio Delmiro, Márcio Montarroyos, Leo Gandelman ou Carlos Bala perfomances marcantes.
Na passagem dos anos 80 para os 90 Vitor afastou-se dos estúdios e passou a dedicar-se ao palco, pois quase não fizera shows até então. Foi quando nasceu o personagem Barão de Satolep, um nobre pelotense pálido e corcunda, alter-ego do artista. Dividindo alguns espetáculos com esta figura ao mesmo tempo divertida e mal-humorada, mesclando música, poesia, humor e teatro, Vitor começava a consolidar seu público e a aperfeiçoar sua interpretação.
Neste período não só definiu-se a música e postura do Vitor Ramil dos discos que viriam a ser gravados na segunda metade dos anos 90 como apresentou-se o Vitor Ramil escritor, através da novela Pequod, ficção criada a partir de passagens da infância do autor, de sua relação com o pai, de suas andanças pelo extremo sul do Brasil e pelo Uruguai.
A partir do lançamento deste primeiro livro, em 1995, de grande repercussão junto à crítica e recentemente lançado na França, o artista passou a ocupar-se duplamente: música e literatura.
Mas mais do que pela escritura de Pequod os anos 90 ficaram marcados para Vitor Ramil como os anos em que começou a refletir sobre sua identidade de sulista e sua própria criação através do que chamou de A estética do frio. A busca dessa “estética do frio” deu-lhe a convicção de que o Rio Grande do Sul não estava à margem do centro do Brasil, mas sim no centro de uma outra história. Neste momento, significativamente, ele deixava o Rio de Janeiro para voltar a viver no Sul.
Simultaneamente a Pequod aconteceu a gravação do cd À Beça. Tendo saído apenas como edição especial, em tiragem limitada, por uma revista de música de Porto Alegre, este disco representou seu primeiro esforço de realizar algo a partir das idéias da estética do frio. Com versos leves, cheios de coloquialidade, em melodias fluentes e inusitadas concepções rítmicas, o disco antecipava os dois próximos e mais importantes trabalhos: Ramilonga – A Estética do Frio e Tambong.
Em Ramilonga – A Estética do Frio, gravado em Porto Alegre em 1997, Vitor inaugura as sete cidades da milonga (ritmo comum ao Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina): Rigor, Profundidade, Clareza, Concisão, Pureza, Leveza e Melancolia. Através delas a poesia de onze “ramilongas” percorre o imaginário regional gaúcho mesclando o linguajar gauchesco do homem do campo à fala coloquial dos centros urbanos. A reflexão acerca da identidade de quem vive no extremo sul do Brasil começa pela recusa ao estereótipo do gauchismo.
O canto forte dá lugar a uma expressividade sofisticada e suave; instrumentos convencionais são substituídos por outros, como os indianos e africanos, nunca antes reunidos neste gênero de música. Pela contundência de suas idéias, pela originalidade de sua concepção, Ramilonga é uma espécie de marco zero na carreira de Vitor Ramil.
Tambong, seu trabalho seguinte, foi gravado em Buenos Aires, em 2000, sob a produção de Pedro Aznar. Seu resultado é a confirmação da idéia de estar “no centro de uma outra história”, com a musicalidade e poesia brasileiras combinadas com as dos países do Prata a fluir naturalmente em quatorze temas cujos arranjos fazem deste um dos trabalhos mais originais da moderna música brasileira.
Tambong saiu em duas versões, português e espanhol. Para realizá-lo Vitor trabalhou com músicos argentinos, como o percussionista Santiago Vazquez, que o acompanha nos shows, e contou com a participação dos artistas brasileiros Egberto Gismonti, Lenine, Chico César e João Barone.
Os shows de lançamento de Tambong levaram para o palco a vibração rítmica e as sutilezas harmônicas e melódicas do disco em meio a uma bela produção de luz e cenografia. Começaram com o espetáculo de abertura criado especialmente para o primeiro Fórum Social Mundial em Porto Alegre e, depois, foram readaptados para uma temporada de um mês no Rio de Janeiro e outra em São Paulo. Na Argentina o lançamento aconteceu em outubro de 2001, com dois espetáculos em Buenos Aires.
No ano de 2002, com sua banda brasileiro-argentina (Santiago Vazquez, percussão; André Gomes, píccolo bass e sitar; Roger Scarton, harmonium e guitarra), levou Tambong em turnê pelas principais capitais do Brasil.
Em 2003 Vitor apresentou seu primeiro show solo em Montevidéu, Uruguai, Sala Zitarrosa, mesmo local onde tocara, no final de 2002, com o compositor e intérprete uruguaio Jorge Drexler, hoje seu parceiro.
Ainda em 2003 apresentou-se com sua banda na Suíça, nas cidades de Genebra, Zurique e Schaffhouse. Em Genebra, no Teatro St. Gervais, Vitor deu uma conferência, tendo como tema “A estética do frio”. Em Paris, no mesmo período, participou do evento de lançamento da tradução para o francês de seu livro Pequod, pela editora L’Harmattan.
Além de seu livro Pequod, suas canções vem sendo distribuídas na Europa em coletâneas inglesas, espanholas e portuguesas. Sobre Vitor Ramil, escreveu o produtor londrino, John Armstrong: “Why hasn’t this genious dominated the world of music yet?”
Outubro de 2004 é a data de lançamento de Longes, seu sétimo álbum, também gravado em Buenos Aires e produzido por Pedro Aznar. Neste trabalho Vitor Ramil aprofunda e aperfeiçoa a linguagem que começou a elaborar nos trabalhos anteriores, Ramilonga e Tambong. Se em Ramilonga chamava a atenção a unidade em torno de temas e timbres e se a marca de Tambong era a diversidade sonora e poética, Longes pode ser definido como uma síntese dessas qualidades, por mais paradoxal que isso pareça, e um avanço a partir delas.
Os arranjos de Longes têm sua base no violão de aço arpejado de Vitor Ramil e nos baixos melódicos de Pedro Aznar. Participam também Santiago Vazquez e Marcos Suzano nas percussões, o baterista Christian Judurcha, o pianista clássico Gabriel Victora, o guitarrista Bernardo Bosísio, a cantora Adriana Maciel, um quarteto de sopros e uma orquestra de cordas.
A apresentação gráfica de Longes traz fotografias feitas por Vitor e sua mulher, Ana Ruth, em vários países, além de fragmentos de Satolep, romance que Vitor escreveu simultaneamente à criação das canções do disco."
Texto: adaptado por RR (durango-95.blogspot.com) do release original do músico.
Pesquisa: Gustavo Ôcalvo.
>>>> Site Oficial >>>> http://www.vitorramil.com.br

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DISCOGRAFIA:
(Clique na título do disco para fazer o download)
(1981) Estrela, Estrela

01 - Assim, Assim (04:00)
02 - Tribo (03:46)
03 - Engenho (03:44)
04 - Estrela, Estrela (05:44)
05 - Um e dois (04:15)
06 - Mina de Prata (02:31)
07 - Noite e Dia (04:33)
08 - Aldeia (02:48)
09 - Epilogo (04:35)

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(1984) A Paixão de V Segundo Ele Próprio

01 - Satolep (06:59)
02 - O Baile dos Galentes (00:29)
03 - Ibicuí da Armada (04:20)
04 - O Milho e a Inteligência (00:52)
05 - Talismã (04:36)
06 - A Luta (01:10)
07 - Armando Albuquerque no Laboratório (00:08)
08 - Milonga de Manuel Flores (02:03)
09 - Nossa Senhora Aparecida e o Milagre (00:50)
10 - Noigandres (01:04)
11 - Clarisser (04:13)
12 - De Um Deus Que Ri dos Outros (01:17)
13 - Semeadura (03:23)
14 - Poemita (01:04)
15 - Sangue Ruim (00:47)
16 - Século XX (03:03)
17 - Auto-retrato (00:22)
18 - Sim e Fim (03:29)
19 - Fragmento de Milonga (00:18)
20 - A Paixão de V Segundo Ele Próprio (04:01)
21 - As Moças (00:14)
22 - As Cores Viajam na Porta do Trem (01:26)

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(1986) Tango

01 - Sapatos em Copacabana (04:55)
02 - Mais um Dia (03:52)
03 - Virda (01:03)
04 - Joquim (08:27)
05 - Passageiro (05:28)
06 - Nada a Ver (03:32)
07 - Nino Rota no Sobrado (01:03)
08 - Loucos de Cara (06:35)

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(1996) À Beça

01 - Minha Virgem (03:15)
02 - Folhinha (03:37)
03 - Não é Céu (04:21)
04 - Grama Verde (primeira versão) (04:04)
05 - Deixa Eu Me Perder (03:12)
06 - Café da Manhã (04:28)
07 - Livro dos Porques (04:52)
08 - Foi no Mes Que Vem (primeira versão) (02:41)
09 - Sol (03:28)
10 - À Beça (primeira versão) (03:41)
11 - A Invenção do Olho (03:32)
12 - A Resposta (03:56)
13 - Namorada Nao é Noiva (03:28)
14 - Barroco (04:08)

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(1997) - Ramilonga - A Estética do Frio

01 - Ramilonga (06:16)
02 - Indo ao Pampa (04:31)
03 - Noite de São João (03:56)
04 - Causo Farrapo (03:29)
05 - Milonga de Sete Cidades (02:51)
06 - Gaudério (04:01)
07 - Milonga (03:47)
08 - Deixando o Pago (03:40)
09 - No Manantial (03:20)
10 - Memória dos Bardos das Ramadas (03:42)
11 - Último Pedido (07:19)

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(2000) Tambong

01 - Não é Céu (04:59)
02 - Espaço (03:47)
03 - Grama Verde (04:35)
04 - Um Dia Você Vai Servir Alguém (05:25)
05 - Foi no Mês Que Vem (04:02)
06 - O Velho Leon e Natália em Coyoacán (03:14)
07 - A Ilusão da Casa (04:08)
08 - Valérie (03:31)
09 - Só Você Manda em Você (04:07)
10 - Subte (03:34)
11 - Para Lindsay (01:36)
12 - Estrela, Estrela (02:48)
13 - À Beça (03:53)
14 - Quiet Music (03:25)

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(2000) Tambong (en español)

01 - Cielo No Es (05:00)
02 - Espacio (03:47)
03 - Prado Verde (04:38)
04 - Um Dia Você Vai Servir a Alguém (05:28)
05 - Fue El Mes Que Viene (04:02)
06 - El Viejo Le¢n Y Natalia En Coyoacán (03:17)
07 - La Ilusión De La Casa (04:09)
08 - Valérie (03:32)
09 - S¢ Você Manda Em Você (04:07)
10 - Subte (03:34)
11 - Para Lindsay (01:38)
12 - Estrella, Estrella (02:51)
13 - À Beça (03:55)
14 - Quiet Music (03:25)

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(2004) Longes

01 - O Primeiro Dia (04:43)
02 - Neve de Papel (03:25)
03 - Noturno (04:26)
04 - Longe de Você (04:26)
05 - Perdão (03:17)
06 - Noa Noa (03:24)
07 - Visita (01:07)
08 - De Banda (04:18)
09 - Querência (05:52)
10 - Livros no Quintal (03:11)
11 - Desenchufado (03:49)
12 - Sem Dizer (04:11)
13 - A Word Is Dead (00:47)
14 - Adiós, Goodbye (07:58)

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sexta-feira, 25 de maio de 2007

A Visita Papal

Pois, é: o Papa, com seu papo, escandalizou. Botou pra quebrar, mesmo. Estamos todos (ou quase todos) a um pentelhésimo de milímetro da danação eterna. Será que esse Papa é maluco? Cada coisa que ele diz, meu! Então usar camisinha é pecado? Separar-se, porque acabou o amor, é tomar a estrada rumo ao inferno? Casar de novo é tão condenável quanto tirar a vida de alguém???!!! Absurdos! Absurdos! Será?
Se não me engano, ele disse que manifestava dogmas da igreja católica, dogmas esses que, ao assumir como Papa, ele jurou defender e seguir. Bueno, nesse caso, ele não está dizendo nenhum absurdo. Absurdo seria se ele, como líder máximo da Igreja (a instituição), de repente viesse a público dizer que todo o discurso de séculos não vale mais; que, a partir de agora, a Igreja – e, por conseqüência, os fiéis - irá seguir uma nova cartilha, conforme os pensamentos próprios, lá, dele. Seria como se alguém, logo após assumir a Presidência de uma país e jurar defender a Constituição vigente nesse país, dissesse: esqueçam a Constituição, agora o que vale é isto que vou ler para vocês. E começasse a ler um longo texto recheado de idéias oriundas de convicções individuais que o autor acreditasse estarem mais em “sintonia” com o mundo em que vivemos. Pêra lá: ninguém detém a unanimidade.
No meu entendimento, ao condenar o uso da camisinha, da separação entre casais, do aborto, da comunhão carnal entre indivíduos do mesmo sexo, dentre outras coisas, o Sumo Pontífice está seguindo rigorosamente o preceito original da instituição que ele representa e da fé que ele professa. Mas porque a Igreja não foi se aperfeiçoando, em seus dogmas, ao longo dos tempos, adequando-se ao mundo ao invés de exigir que o mundo se adeque a ela? Porque a questão não é a Igreja. A Igreja é uma instituição que representa algo maior do que ela mesma, que lhe é superior. O ensinamento divino não partiu de dentro da Igreja, mas de um ser primordial; a Igreja é o veículo de divulgação desse ensinamento. Aquele que originou o ensinamento veiculado pela Igreja Católica é, na sua origem, perfeito, puro, inquestionável, por isso, nós, que não somos perfeitos, puros, nem inquestionáveis, é que temos de nos adequar a esse ensinamento. O Ser Original é, por suas qualidades intrínsecas, um ser acabado, não há o que evoluir Nele. Em quê você daria uma melhoradinha no Deus?
Praticamente todas as religiões, seitas, movimentos, instituem um Ser Original perfeito e é Dele que provém o modelo chamado “divino”. É o “ser como Ele” que devemos almejar. Não o contrário: o Ele ser como nós. Ora, se Ele precisa se aperfeiçoar, e se nós nos aperfeiçoamos constantemente, e se Ele é que precisa se adequar aos nossos aperfeiçoamentos, então Ele não é um ser perfeito e acabado; então, deuses somos nós, e a nós seria devida reverência.
Para nós, reles crentes, é impossível entender os fundamentos do pensamento Papal. Dentro da instituição Igreja, durante muitos séculos, e até hoje, a produção de estudos e discussões teosóficas nos escapa. São altos estudos, de trabalhoso entendimento e profunda complexidade, que, ao cabo, embasam o pensamento dos protagonistas da Igreja – padres, bispos, arcebispos, cardeais, etc. Imaginemos que, se num belo dia de sol, nos apropriássemos completamente de tal conhecimento; provavelmente então diríamos: “Ah, agora sim, eu entendi. Então tá.”. E só. O que mais?
Mas isso não nos interessa, isso não nos cabe, isso é discussão interna - e deve continuar interna -, pois compete àqueles que têm como obrigação assumida divulgar os valores da fé cristã. No caso das últimas declarações Papais, esses valores dizem respeito à castidade, à pureza da alma, à sacralidade do corpo, à integridade do caráter, à fé, pois quem tem fé acredita mesmo que, naquele momento, quando está casando, o padre com as mãos postas sobre a cabeça dos noivos, é a benção divina que vem agraciar aquela união. Não é a benção do padre – é a benção de Deus. E se essas coisas todas são os fundamentos de uma crença religiosa, o quê que temos com isso? Porque insistimos tanto em mudá-los? Imaginem os budistas mandando os ensinamentos de Buda à merda e anunciando que, a partir de agora, cada um pode ser budista do jeito que quiser. Escândalo! Escândalo!
Assim, o Papa não está dizendo absurdos, incongruências. Está falando de um ensinamento com qual podemos concordar, ou não, mas que ele, com o compromisso e com a fé que tem, não pode transmitir diferentemente, ou ir contra, inovar, “dar uma improvisadinha”. Há os que seguem Marx, e, para estes, Marx é perfeito. Há os que crêem piamente no Fernando Henrique I, o Cardoso, e, para estes, FH, o C, é perfeito. Há os que se matam por outros, aos quais se devotam, discutindo quem detém a razão, se Dr. Beltrano ou Dr. Fulano, e ambos os doutores são, respectivamente, para estes, ou aqueles, perfeitos.
Todos cremos em algo, ou alguém, que, para nós, é inquestionável e insuperável. Porque o Papa seria diferente? Só se ele não fosse humano. E se não representasse, humanamente, uma associação criada por seres humanos. Deixe-mo-lo, pois. Ainda nos sobra o livre arbítrio para escolhermos no que iremos acreditar. Se não quisermos acreditar em nada, bem, isso também é uma crença, pois se o Nada pode ser nomeado, então ele é bem mais que nada. E tente convencer alguém, que diz não acreditar em nada, a abrir mão de sua convicção, para você ver se não termina em briga. E será que alguém brigaria por “nada”? Ô, lôco, meu!
ESCLARECIMENTO NECESSÁRIO
Não se suponha que eu concorde com o papo Papal. Muitas coisas do que ele diz, eu considero descabido. Ainda mais quando lembramos que a Igreja, no mais das vezes, ao longo da história, serviu muito mais a interesses mundanos dos seus líderes do que aos interesses espirituais dos seus fiéis – e dos seus fundadores, diga-se de passagem.
O escrito acima tem como objetivo criar polêmica, discussão, distensão, enfrentamento, cizânia, discórdia, ódio estigmatizante, furor, etc, etc.
Então, participem! Quero ver quem derruba o meu argumento!

Equanto a gente briga, que tal curtirmos um Pink Floyd?...



1967 - The Piper at the Gates of Dawn
01 - Astronomy Domine
02 - Lucifer Sam
03 - Matilda Mother
04 - Flaming
05 - Pow R. Toc H.
06 - Take up They Stethoscope and Walk
07 - Interstellar Overdrive (Full Version)
08 - The Gnome
09 - Chapter 24
10 - Scarecrow
11 - Bike (II)
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1968 - A Saucerful of Secrets
01 - Let There Be More Light
02 - Remember a Day
03 - Set the Controls for the Heart of the Sun
04 - Corporal Clegg
05 - A Saucerful of Secrets
06 - See Saw
07 - Jugband Blues
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1969 - More
01 - Cirrus Minor
02 - The Nile Song
03 - Crying Song
04 - Up the Khyber
05 - Green is the Colour
06 - Cymbaline
07 - Party Sequence
08 - Main Theme
09 - Ibiza Bar
10 - More Blues
11 - Quicksilver
12 - A spanish Piece
13 - Dramatic Theme
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1969 - Ummagumma
CD1
01 - Astronomy Domine
02 - Careful With That Axe, Eugene
03 - Set the Controls for the Heart of the Sun
04 - A Saucerful of Secrets

CD2
01 - Sysyphus Part 1 , Richard Wright
02 - Sysyphus Part 2 , Richard Wright
03 - Sysyphus Part 3 , Richard Wright
04 - Sysyphus Part 4 , Richard Wright
05 - Grantchester Meadows , Roger Waters
06 - Several Species Of Small Furry Animals Gathered Together In A Cave And Grooving With A Pict
07 - The Narrow Way Part 1 , David Gilmour
08 - The Narrow Way Part 2 , David Gilmour
09 - The Narrow Way Part 3 , David Gilmour
10 - The Grand Vizier's Garden Party Part 1 - Entrance , Nick Mason
11 - The Grand Vizier's Garden Party Part 2 - Entertainment , Nick Mason
12 - The Grand Vizier's Garden Party Part 3 - Exit , Nick Mason
Download CD2


1970 - Atom Heart Mother
01 - Atom Heart Mother
02 - If
03 - Summer '68
04 - Fat Old Sun
05 - Alan's Psychedelic Breakfast
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1971 - Meddle
01 - One Of These Days
02 - A Pillow Of Winds
03 - Fearless
04 - San Tropez
05 - Seamus
06 - Echoes
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1971 - Relics
01 - Arnold Layne
02 - Interstellar Overdrive
03 - See Emily Play
04 - Remember A Day
05 - Paintbox
06 - Julia Dream
07 - Careful With That Axe, Eugene
08 - Cirrus Minor
09 - The Nile Song
10 - Biding My Time
11 - Bike
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1972 - Obscured By Clouds
01 - Obscured By Clouds
02 - When You're In
03 - Burning Bridges
04 - Gold It's In The..
05 - Wots...Uh The Deal
06 - Mudmen
07 - Childhood's End
08 - Free Four
09 - Stay
10 - Absolutely Curtains
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1973 – The Dark Side Of The Moon
01 - Speak To Me - Breathe
02 - On The Run
03 - Time
04 - The Great Gig In The Sky
05 - Money
06 - Us and Them
07 - Any Colour You Like
08 - Brain Damage
09 - Eclipse
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1975 - Wish You Were Here
01 - Shine On You Crazy Diamond Parts I-V
02 - Welcome To The Machine
03 - Have A Cigar
04 - Wish You Were Here
05 - Shine On You Crazy Diamond Parts VI-IX
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1977 - Animals
01 - Pigs On The Wing (Part 1)
02 - Dogs
03 - Pigs (Three Different Ones)
04 - Sheep
05 - Pigs On The Wing (Part 2)
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1979 - The Wall
CD1 
01 - In The Flesh
02 - The Thin Ice
03 - Another Brick In The Wall (Part I)
04 - The Happiest Days Of Our Lives
05 - Another Brick In The Wall (Part II)
06 - Mother
07 - Goodbye Blue Sky
08 - Empty Spaces
09 - Young Lust
10 - One Of My Turns
11 - Don't Leave Me Now
12 - Another Brick In The Wall (Part III)
13 - Goodbye Cruel World
 Download CD1
 
CD2 
01 - Hey You
02 - Is There Anybody Out There
03 - Nobody Home
04 - Vera
05 - Bring the Boys Back Home
06 - Comfortably Numb
07 - The Show Must Go On
08 - In the Flesh
09 - Run Like Hell
10 - Waiting for the Worms
11 - Stop
12 - The Trial
13 - Outside the Wall
Download CD2


1983 - The Final Cut
01 - The Post War Dream
02 - Your Possible Pasts
03 - One Of The Few
04 - The Hero's Return
05 - The Gunners Dream
06 - Paranoid Eyes
07 - Get Your Filthy Hands Off My Desert
08 - The Fletcher Memorial Home
09 - Southampton Dock
10 - The Final Cut
11 - Not Now John
12 - Two Suns In The Sunset
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1987 - A Momentary Lapse Of Reason
01 - Signs Of Life
02 - Learning To Fly
03 - The Dogs Of War
04 - One Slip
05 - On The Turning Away
06 - Yet Another Movie & Round And Round
07 - A New Machine (Part 1)
08 - Terminal Frost
09 - A New Machine (Part 2)
10 - Sorrow
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1988 - Delicate Sound of Thunder
CD1
 01 - Shine On You Crazy Diamond
02 - Learning To Fly
03 - Yet Another Movie
04 - Round And Around
05 - Sorrow
06 - The Dogs Of War
07 - On The Turning Away
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CD2
01 - One Of These Days
02 - Time
03 - Wish You Were Here
04 - Us & Them
05 - Money
06 - Another Brick In The Wall (Part II)
07 - Comfortably Numb
08 - Run Like Hell
(Clique aqui para ouvir)


1994 - The Division Bell
01 - Cluster One
02 - What Do You Want From Me
03 - Poles Apart
04 - Marooned
05 - A Great Day For Freedom
06 - Wearing The Inside Out
07 - Take It Back
08 - Coming Back To Life
09 - Keep Talking
10 - Lost for Words
11 - High Hopes
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1995 - Pulse
CD1
01 - Shine On You Crazy Diamond
02 - Astronomy Domine
03 - What Do You Want From Me
04 - Learning To Fly
05 - Keep Talking
06 - Coming Back To Life
07 - Hey You
08 - A Great Day For Freedom
09 - Sorrow
10 - High Hopes
11 - Another Brick In The Wall (Part II)
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CD2
01 - Speak To Me
02 - Breathe
03 - On The Run
04 - Time
05 - The Great Gig In the Sky
06 - Money
07 - Us And Them
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