quinta-feira, 12 de abril de 2007

Vá tomar banho!

Hora do banho, que hora tão feliz. Alguns povos acabaram estigmatizados por negligenciarem o hábito de tomar banho. Apesar de a negligência não partir, propriamente, do fato deliberado de as pessoas quererem ficar sujas, mas das maluquices da igreja católica que via na nudez (inclusive a íntima) uma porta aberta para a possessão demoníaca (imagine que horror, as pessoas tocando suas partes pudendas, despudoradamente, e Deus, Nosso Senhor, tendo de assistir a tudo aquilo? E Íncubos e Súcubos a rondarem,perigosamente, cada quarto de banho.). Outros povos foram (são) estranhados por banherem-se demais. Os romanos não podiam viver sem o asseio do corpo. Arrasavam reinos, mas, do meio das ruínas, a primeira coisa que erguiam era uma bela piscina (isto é um exagero: espero que as pessoas ligadas à história perdoem-me e tratem esta colocação como uma “licença poética”) para um bom banho descontraído (descontraído mesmo, pois o banho romano era público, e não se discriminavam os banhistas por sua classe social: um senador ficava muito à vontade ao lado de um mendigo. A discriminação vinha depois, quando vestiam as roupas. Peladão, todo mundo era igual.).
Bem, mas o que chama a atenção é que o assunto 'banho' sempre foi motivo de discórdia: na família, no círculo social, no círculo profissional e, mais recentemente, no círculo ecológico. Sim, todos sabemos que o fornecimento natural de água para nós, humanos, está seriamente comprometido, já havendo quem diga que, daqui há algumas décadas (não muitas) não vai haver água suficiente para todo mundo. É preciso, portanto, usa-la com racionalidade e buscar formas de remediar o mal já causado. Recuperar rios e outras fontes de água potável é imprescindível, senão, ó, babaus, vamos fenecer secos e torrados (e fedorentos). Daí se inicia uma nova discussão: como lidar com o comportamento dos banho-maníacos? O que é mais importante: água por dentro, ou água por fora? Quantos morrerão de sede para que alguns possam manter seus hábitos de asseio? Já antevejo multidões de sedentos invadindo casas e destruindo banheiros, arrancando os chuveiros e os jogando para a rua, onde a turba ensandecida, armada com pedaços de pau e pedras, os reduziria a farelo. Os moradores das casas invadidas ainda seriam ameaçados: "se nóis ti pegá de banho tomado na rua, tu já era! Tá me ôvindo?". Pois é, o banho pode ser um sofrimento para quem toma (obrigado), para quem não toma (obrigado), para quem toma e tem de conviver com quem não toma (obrigado), e para quem não toma e tem de conviver com quem toma (obrigado).
Houve um período, bem recente, durante a revolução cultural que se alastrou pelo ocidente (décadas de 1960 e 1970, respingando, ainda, até a metade dos 80), em que as pessoas não estavam nem aí para o visual e a higiene pessoal era deixada, assim, como direi?, meio em segundo plano: o que importava era o lado interior (sacou?), e o fato de o sujeito andar sujo e maltrapilho era mais do que uma opção: era um manifesto. Saboreei um bom bocado desse período. Ainda hoje, trago em mim alguns resquícios daquele tempo: continuo maltrapilho, mas agora, porém, limpinho.

Então chega de papo e vamos ao que interessa: um banho de rock'n'roll com a rapaziada dos 1960/70:


The Woodstock Music & Art Fair
(15 a 18 de agosto de 1969)




CD1

01 - Richie Havens - Handsome Johnny (05:47)
02 - Richie Havens - Freedom (06:24)
03 - Country Joe McDonald - The Fish Cheer (04:54)
04 - John Sebastian - Rainbows All Over Your Blues (03:11)
05 - John Sebastian - I Had A Dream (02:36)
06 - Tim Hardin - If I Were A Carpenter (02:52)
07 - Melanie - Beautiful People (04:05)
08 - Arlo Guthrie - Coming Into Los Angeles (02:24)
09 - Arlo Guthrie - Walking Down The Line (05:11)
10 - Joan Baez - Joe Hill (03:42)
11 - Joan Baez - Sweet Sir Galahad (04:08)
12 - Joan Baez - Drug Store Truck Drivin' Man (03:38)
13 - Santana - Soul Sacrifice (11:47)
14 - Mountain - Blood Of The Sun (03:30)
15 - Mountain - Theme For An Imaginary Western (05:26)
Download CD1




CD2


01 - Canned Heat - Leaving This Town (07:56)
02 - Canned Heat - Going Up The Country (04:14)
03 - Creedence Clearwater Revival - Commotion (02:50)
04 - Creedence Clearwater Revival - Green River (03:06)
05 - Creedence C Revival - Ninety-Nine And A Half (03:41)
06 - Creedence Clearwater Revival - I Put A Spell On You (04:34)
07 - Janis Joplin - Try (04:27)
08 - Janis Joplin - Work Me Lord (07:53)
09 - Janis Joplin - Ball & Chain (05:40)
10 - Sly & The Family Stone - Medley - Dance To The Music (12:28)
11 - The Who - We're Not Gonna Take It (From Tommy) (06:02)
Download CD2




CD3

01 - Volunteers (03:07)
02 - Somebody To Love (04:36)
03 - Saturday Afternoon Won't You Try (05:05)
04 - Uncle Sam Blues (06:09)
05 - White Rabbit (02:53)
06 - Let's Go Get Stoned (05:42)
07 - With A Little Help From My Friends (07:57)
08 - Rock & Soul Music (02:41)
09 - I'm Going Home (12:02)
10 - Long Black Veil (03:11)
11 - Loving You Is Sweeter Than Ever (05:04)
12 - The Weight (04:47)
13 - Mean Town Blues (04:56)
Download CD3




CD4

01 - Crosby, Stills & Nash - Suite - Judy Blue Eyes (09:00)
02 - Crosby, Stills, Nash & Young - Guinnevere (05:29)
03 - Crosby, Stills, Nash & Young - Marrakesh Express (02:34)
04 - Crosby, Stills, Nash & Young - 4 + 20 (02:42)
05 - Crosby, Stills, Nash & Young - Sea Of Madness (03:33)
06 - Crosby, Stills & Nash - Find The Cost Of Freedom (03:11)
07 - Paul Butterfield Blues Band - Love March (09:44)
08 - Sha Na na - At The Hop (03:12)
09 - Jimi Hendrix - Voodoo Chile (Slight Return) - Stepping Stone (12:19)
10 - Jimi Hendrix - Star Spangled Banner (03:43)
11 - Jimi Hendrix - Purple Haze (03:50)
Download CD4





Download CD Covers


O Festival WoodStock, no meu ponto de vista, escancarou para o mundo não apenas a inconformidade de um considerável número de pessoas com a situação da época - guerras, escândalos políticos, hipocrisia puritana -, mas, também, uma grande vontade de romper com dogmas de conduta e comportamento que, na opinião daquelas pessoas, impediam o ser humano de ter acesso a uma vida emocionalmente mais saudável. A questão "viver para ser econômicamente útil" foi frontalmente questionada. Se o homem fosse valorizado somente na medida da riqueza que produz e acumula, isso o afastaria do valor maior que nele reside, que tem a ver com a maneira como ele se relaciona com os outros e com o ambiente. Afinal, de pouco adiantaria para as pessoas uma casa confortável se, fora dela, o ambiente fosse inabitável e a convivência, insuportável.
A música era, então, a "metralhadora cheia de mágoas" de uma geração que queria mudar o mundo. E mudou, realmente. Um tanto para melhor e outro tanto para pior. Caberia às gerações posteriores arrumar o que foi malfeito. Infelizmente, enfrentamos um período de omissão, onde a aparência supera qualquer outro valor que o bicho homem possa carregar consigo. Aparentar qualquer coisa, de incomparável e/ou invencível, é a nova ordem. Todos querem ser lindos. E poderosos. Criam-se novos padrões de beleza a cada minuto. Um para cada tribo. O resultado são pessoas ridicularizando-se mutuamente porque uns e outros não se enquadram no seu mundinho perfeito. Não há argumentos, apenas afastamentos...
Um dia, talvez, concluamos que somos todos muito feios. Feios, mesmo! De dar dó! Já estamos dando os primeiros sinais. Como diria o sábio: o futuro é "Cê-Tê" - Cremes e Textura.









HÁ DIVERGÊNCIAS

Resolvi postar uma opinião, manifestada de forma bastante contundente, de alguém que não compartilha com a visão romântica que muitos temos do festival WoodStock. Ela foi retirada do Blog do Professor Arthur. Estou publicando "ipsis literis", tal qual o texto original. O endereço da postagem está logo abaixo do título. Este camarada, realmente, me deu um banho de lama.

WOODSTOCK : FESTIVAL DA VADIAGEM BURGUESA MALDITA
(http://profarbitrio.blogspot.com/2006/12/woodstock-festival-da-vadiagem.html)

"Woodstock foi uma grande catástrofe humanitária! Aquele imenso rebanho humano de prostitutas, drogados, vagabundos e músicos medíocres a serviço do consumismo e do marketing musical, representa um marco negro na história da humanidade, tão grave quanto a guerra do Vietnã ou o 11 de Setembro. Deste acontecimento imundo, alastrou-se pelo planeta o consumo desenfreado de drogas, o sexo desregrado e a promiscuidade. O mercado fonográfico tornou-se para sempre vendido, entreguista aos marketeiros.
Um embuste musical! Só drogados medíocres se apresentando em meio a um bando de porcos copulando, vomitando e defecando no mesmo lugar! E os canalhas que promoveram essa tragédia encheram seus bolsos com o dinheiro imundo daqueles burguesinhos metidos a roqueiros. Pessoal cabeça feita de maconha. Exploração capitalista torpe sobre a miséria mental daqueles filhinhos de papai drogados.
Esse encontro de lixos humanos maculou eternamente a história da música e culminou na aids e na banalização das drogas! Excremento do capitalismo selvagem americano!!! Esqueçam essa desgraça!!!!

DEZ MOTIVOS PARA ODIAR WOODSTOCK - (Prof. Agamenon Mendes Pedreira)

1- Para começar, foi lá que começou esse boom de drogados que temos hoje.
2- Foi lá que o Hendrix queimou a guitarra, quando deveria ter tocado fogo em si mesmo. (Conforme o que apurei, a ocasião em que Jimmy Hendrix ateou fogo em sua guitarra durante um show, se deu 2 anos antes, em Monteray (grifo meu))
3- Foi lá que o Ravi Shankar, abandonou o show por causa da chuva.
4- Chuva que diga-se de passagem foi chamada pelas canções horríveis do Joe Cocker.
5- Foi lá que a Janis Joplin cantou dez músicas tão podres quanto ela mesma.
6- Foi lá que acharam o vagabundo do John Sebastian bêbado e colocaram ele para tocar.
7- Por causa dessa merda criaram o Woodstock 94.
8- E como se não bastasse criaram o Woodstock 99 que acabou com uma proposta totalmente contrária a dos drogados de 69.
9- Foi por causa de lá que criaram o maior fiasco em termos de festivais no Brasil que era o Festival de Verão de Guarapari, reduto dos drogados e sem rumo do Brasil.
10- Foi lá que as meninas mostraram os peitinhos mas não deram, as que deram não chuparam e as que chuparam morderam."

Depois dessa, o melhor é pegar a estrada e deixar a cabeça vagar por paisagens mais amenas. Então lá vai:

Easy Rider (The Film)



01 - Steppenwolf - The Pusher (05:52)
02 - Steppenwolf - Born to Be Wild(03:40)
03 - Smith - The Weight (04:32)
04 - The Byrds - Wasn't Born to Follow (02:09)
05 - The Holy Modal Rounders - If You Want to Be a Bird (02:39)
06 - The Fraternity of Man - Don't Bogart Me (03:08)
07 - The Jimi Hendrix Experience - If Six Was Nine (05:37)
08 - The Electric Prunes - Kyrie Eleison (04:02)
09 - Roger McGuinn - It's Alright, Ma (I'm Only Bleeding) (03:41)
10 - Roger McGuinn - Ballad of Easy Rider (02:15)
Clique aqui, para baixar

sábado, 7 de abril de 2007

Ah, a Poesia!

- Na Travessa dos Venezianos, singelas moradias formam um palco para o o poeta Quintana -
(Imagem extraída do Dicionário Mário Quintana: 100 Anos - A quinta essência de Quintana
Concepção e Projeto: Luiz Coronel
PortoAlegre - Mecenas Editora - 2005
Realização Cultural: Companhia Zaffari)



DATA E DEDICATÓRIA

Teus poemas, não os dates nunca... Um poema
Não pertence ao tempo... Em seu país estranho,
Se existe hora, é sempre a hora extrema
Quando o Anjo Azrael nos estende ao sedento
Lábio o cálice inextinguível...
Um poema é de sempre, Poeta:
O que tu fazes hoje é o mesmo poema
Que fizeste em menino,
É o mesmo que,
Depois que tu te fores,
Alguém lerá baixinho e comovidamente,
A vivê-lo de novo...
A esse alguém,
Que talvez nem tenha ainda nascido,
Dedica, pois, teus poemas.
Não os dates, porém:
As almas não entendem disso...

Antologia Poética de Mário Quintana - 1983

CD - 1

01 - Cecília (tema Cecília - Geraldo Flach) (02:02)
02 - Noturno (Este silêncio é feito de agonia) (01:03)
03 - Canção do Dia de Sempre (00:50)
04 - Dogma e Ritual (00:12)
05 - Carta Desesperada (00:47)
06 - Anjo Malaquias (02:42)
07 - Elegia Ecológica (00:33)
08 - O Dia Seguinte ao do Amor (Quando a Luz Estender) (tema Fantasia - Geraldo Flach) (01:17)
09 - Quinta Coluna (00:28)
10 - Espantos (00:11)
11 - Pequena Crônica Policial (01:12)
12 - A Casa Grande (00:51)
13 - Canção do Fundo do Tempo (01:05)
14 - As Cidades Pequenas (tema Vilarejo - Geraldo Flach) (00:31)
15 - Cidadezinha Cheia de Graça (00:50)
16 - Cântico (tema Vento - Geraldo Flach) (00:43)
17 - Horror (00:15)
18 - A Gente Ainda não Sabia (00:46)
19 - É a Mesma Ruazinha Sossegada (00:50)
20 - Fragmento de Ode (00:08)
21 - O Adolescente (00:50)
22 - A canção do Mar (tema Canção do Mar - Geraldo Flach) (00:53)
23 - Canção Ballet (tema Modulação 2 - Geraldo Flach) (01:45)

CD - 2

01 - De Gramática e de Linguagem (tema Modulação 1 - Geraldo Flach) (02:06)
02 - Triste Encanto (00:59)
03 - Pedra Rolada (00:49)
04 - Minha Rua está Cheia de Pregães (00:50)
05 - Cockteil Party (tema Cockteil Party - Geraldo Flach) (01:00)
06 - Preparativos para Viagem (00:38)
07 - Hai-Kai da Cozinheira (00:08)
08 - O Poema II (00:33)
09 - Segundo Poema de Muito Longe (01:55)
10 - Viagem (00:16)
11 - Seiscentos e Sessenta e Seis (tema Cotidiano - Geraldo Flach) (00:40)
12 - Que Bom Ficar Assim (00:56)
13 - O Paraíso Perdido (00:05)
14 - Poesia Pura (00:15)
15 - Os Retratos (00:37)
16 - Verão (00:48)
17 - Quando os Meus Olhos (00:54)
18 - Bilhete (00:20)
19 - Instrumento (00:24)
20 - Retrato no Parque (00:34)
21 - Rãzinha Verde (00:51)
22 - O Tempo e O Vento (00:55)
23 - Terceiro Poema de Muito Longe (00:10)
24 - Poeminho do Contra (00:08)

Para ouvir o CD1, clique aqui.
Para ouvir o CD2, clique aqui.

Só as mães são felizes

Sim, eu também tive mãe. E sofri. Como deveriam sofrer nas masmorras os pobres camponeses que não tinham o suficiente para pagar os impostos e/ou taxas exigidos pelo rei, pelo duque, pelo barão, pelo arqui-duque, pelo conde, pelo padre, pelo bispo, pelo papa, pelo latifundiário, pelo dono da choupana.

Como muitos, também fui vítima de um comportamento psicótico e cruel: comia o que não queria, ou não gostava - e sempre na hora em que não estava com vontade de comer; fui proibido de comer na hora em que estava com fome - quem mandou não comer na hora certa? -; dormi quando não queria dormir; levantei quando não queria levantar; usei roupas que não queria usar, só porque eram um presente da tia Flatulécia que gostava "tanto" de mim; tomei banho de água fria, para ver o que é bom pra tosse; fui proibido de brincar nas horas em que queria brincar; fui obrigado a sair para brincar nas horas em queria ficar em casa; fui proibido de assistir TV, porque não era mais hora de criança ficar vendo TV; usei blusão de lã no verão, por causa de uma "aragem fria"; usei bonés ridículos, por causa do sol; tive que entrar, por causa da chuva, que não durou mais que dois minutos; acompanhei visitas a tios que detestava; fui obrigado a brincar com primos que só me cascudeavam e atiravam pedras em passarinhos - e depois botavam a culpa em mim; tive de levantar ao nascer do sol para ir à primeira missa do domingo - mesmo que estivesse um frio de "renguear cusco"; tive de escutar som com o volume bem baixinho, para não atrapalhar os outros; tive que parar de gritar, para não incomodar - todo mundo grita quando tem seis anos, mas as mães parecem que não se apercebem disso; tive que ficar quieto e esperar o programa terminar, para depois falar; porém, quando o programa terminava, não podia mais falar pois já era hora de dormir. E fiz tudo isso por um único motivo: para não apanhar.

Certa noite, já na adolescência, estava em meu quarto, deitado, com a luz apagada. Chovia, e a chuva intermitente melodicamente acompanhava a música que tocava em meu System Gradiente S-96: era Starway to Heaven, do Led Zeppelin. De repente, a porta se abriu, estripitante, e uma figura que eu não conseguia divisar bem - via dela apenas o vulto contornado por uma aura amarelada produzida pela lâmpada do corredor, às suas costas - entrou e me disse, com voz cavernosa e ameaçadora: "Desliga essa merda e vai dormir, senão eu quebro essa porcaria, com disco e tudo!". Fiquei estarrecido. Queria levantar e fazer o que o vulto me pedia, mas o horror, o medo, a surpresa, me paralisaram por completo. Então, a criatura voltou-se para a parede ao lado da porta, deslizou a pata como se procurasse pelo interruptor de luz e, finalmente, quando o encontrou, fez um movimento rápido com o dedo, sobre a chave liga/desliga, e acendeu a lâmpada. A luz tomou conta do quarto e era como se o sol, com toda a sua força, tivesse arrebentado as paredes e refulgisse em sua máxima magnitude e esplendor. Aquele jorro de luz me deixou cego por alguns instantes. O monstro, então, dirigiu-se a mim e começou a me bater: primeiro na cabeça, depois no rosto, em seguida nos braços, nas pernas, em qualquer lugar que alcançasse. Súbito, virou-se para o aparelho de som e avançou sobre ele... "Não! Não faça isso! Não! Por favor, pare! Pare!", eu gritava. Mas a coisa não me dava a mínima atenção. Babando de raiva, ia destruindo tudo o que encontrava em seu caminho.

Não sobrou nem uma válvula para iluminar o passado e contar a história. Depois que minha mãe saiu, levantei da cama e passei a recolher os cacos dos discos que ela quebrara, junto com o meu System Gradiente S-96. Passei a noite toda nessa tarefa. Quando amanheceu, tinha conseguido recuperar os discos do Led Zeppelin, mas ainda havia muitos espalhados pelos quatro cantos do quarto. Após dar uma olhada em volta, concluí que nunca conseguiria recuperar tudo o que se perdeu. Coloquei, então, os discos que conseguira salvar numa sacola e saí do quarto. Minha mãe passou por mim, em direção ao banheiro, e me lançou um olhar que rescendia a ódio e amor materno. Fechei a porta atrás de mim e saí para a rua. Era cedo, bem cedo. A chuva parara e sol dourado surgia tímido, entre nuvens. A calçada irregular estava coberta de poças d'água: diversão para a meninada que ia para a escola, desespero para as mães zelosas que as acompanhavam. Acenei bom dia, com a cabeça, para uma ou outra que conhecia e caminhei em direção ao ponto de ônibus. E nunca mais voltei.

Abaixo, o que eu carregava na dita sacola:


1968 - Led Zeppelin I
01 - Good Times, Bad Times (02:46)
02 - Babe, I'm Gonna Leave You (06:41)
03 - You Shook Me (06:28)
04 - Dazed And Confused (06:26)
05 - Your Time is Gonna Come (04:34)
06 - Black Mountain Side (02:12)
07 - Communication Breakdown (02:30)
08 - I Can't Quit You Baby (04:42)
09 - How Many More Times (08:28)



1969 - Led Zeppelin II
01 - Whole Lotta Love (05:34)
02 - What Is And What Should Never Be (04:48)
03 - The Lemon Song (06:19)
04 - Thank You (04:47)
05 - Heartbreaker (04:14)
06 - Living Loving Maid (She's Just A Woman) (02:29)
07 - Ramble On (04:35)
08 - Moby Dick (04:20)
09 - Bring It On Home (04:20)



1970 - Led Zeppelin III
01 - Immigrant Song (02:24)
02 - Friends (03:53)
03 - Celebration Day (03:29)
04 - Since I've Been Loving You (07:24)
05 - Out Of The Tiles (04:06)
06 - Gallows Pole (04:56)
07 - Tangerine (03:09)
08 - That's The Way (05:37)
09 - Bron-Y-Aur Stomp (04:19)
10 - Hats Off To (Roy) Harper (03:39)

1971 - Led Zeppelin IV
01 - Black Dog (04:57)
02 - Rock And Roll (03:40)
03 - The Battle Of Evermore (05:52)
04 - Stairway To Heaven (08:03)
05 - Misty Mountain Hop (04:39)
06 - Four Sticks (04:45)
07 - Going To California (03:31)
08 - When The Levee Breaks (07:08)


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1973 - Houses Of The Holy
01 - The Songs Remains The Same (05:29)
02 - The Rain Song (07:39)
03 - Over The Hills And Far Away (04:46)
04 - The Crunge (03:15)




05 - Dancing Days (03:42)
06 - D'yer Mak'er (04:23)
07 - No Quarter (07:01)
08 - The Ocean (04:30)





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1975 - Physical Graffiti

Disc 1

01 - Custard Pie (04:13)
02 - The Rover (05:37)
03 - In My Time Of Dying (11:05)
04 - Houses Of The Holy (04:03)
05 - Trampled Under Foot (05:35)
06 - Kashmir (08:33)


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Disc 2
01 - In The Light (08:46)
02 - Bron-Yr-Aur (02:06)
03 - Down By The Seaside (05:14)
04 - Ten Years Gone (06:32)
05 - Night Flight (03:36)
06 - Wanton Song (04:06)
07 - Boogie With Stu (03:51)
08 - Black Country Woman (04:24)
09 - Sick Again (04:43)

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1976 - Presence
01 - Achilles Last Stand (10:23)
02 - For Your Life (06:21)
03 - Royal Orleans (02:58)
04 - Nobody's Fault But Mine (06:28)
05 - Candy Store Rock (04:07)
06 - Hots On For Nowhere (04:43)
07 - Tea For One (09:27)



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1976 - The Song Remains The Same
Disco 1

01 - Rock And Roll (04:04)
02 - Celebration Day (03:52)
03 - The Song Remains The Same (05:55)
04 - Rain Song (08:27)
05 - Dazed And Confused (26:55)



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Disco 2


01 - No Quarter (12:32)
02 - Stairway To Heaven (10:58)
03 - Moby Dick (12:47)
04 - Whole Lotta Love (12:16)




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1979 - In Through The Out Door
01 - In The Evening (06:51)
02 - South Bound Saurez (04:14)
03 - Fool In The Rain (06:13)
04 - Hot Dog (03:17)
05 - Carouselambra (10:34)
06 - All My Love (05:56)
07 - I'm Gonna Crawl (05:30)





1982 - CO/DA
01 - We're Gonna Groove (02:38)
02 - Poor Tom (03:02)
03 - I Can't Quit You Baby (04:16)
04 - Walter's Walk (04:32)
05 - Ozone Baby (03:36)
06 - Darlene (05:07)
07 - Bonzo's Montreux (04:18)
08 - Wearing And Tearing (05:29)


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sexta-feira, 6 de abril de 2007

Segurança contra vírus!

Atenção, pessoal!

Como tem muita sacanagem rolando na rede (internet), achei prudente informar aos internautas que por aqui passarem, que os arquivos apontados pelos links foram preventivamente testados e atestados que não contém vírus.
Naveguem com segurança que a balsa é de papelão reciclado. Não vai afundar. Eu juro. Glub... glub... glub... glub...
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